Carlos Carvalhal analisou os empates a zero frente ao Crystal Palace e Lens no Torneio de Como e refletiu sobre as mudanças no plantel.
No Torneio de Como, o Famalicão não foi além de dois empates a zero, diante do Crystal Palace e Lens. Em reflexão sobre a competição, Carlos Carvalhal afirmou que os minhotos podiam ter saído vencedores em ambas as partidas:
«Sim, creio que sim. Aliás, essa foi também a pergunta feita pela televisão italiana. Quem assistiu aos jogos ficou com a mesma sensação que nós. No primeiro jogo tivemos oportunidades suficientes para vencer com alguma margem e, neste segundo, também criámos ocasiões claras para ganhar. Se tivéssemos vencido o primeiro encontro e convertido o penálti neste segundo, estaríamos na final, que era o nosso objetivo. Sabíamos que iríamos defrontar equipas muito fortes: o Crystal Palace, que vai disputar a Liga dos Campeões, e o Lens. Utilizámos todo o plantel nos dois jogos e enfrentámos adversários muito organizados defensivamente. Ainda assim, conseguimos ser competitivos, mostrar personalidade e criar oportunidades. Estou muito satisfeito com a equipa. Apesar de ser um torneio de pré-temporada, tem muito prestígio e era importante demonstrarmos competitividade. Infelizmente não estaremos na final, mas vamos disputar o jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares».
Questionado sobre a insatisfação demonstrada durante a reta final do encontro, o técnico revelou:
«Fiquei descontente porque cometemos dois erros muito semelhantes, e eu não gosto que os erros se repitam. Aceito o erro, faz parte do processo, mas a repetição já é algo que temos de corrigir. De resto, a equipa continua a dar sinais muito positivos. Os jogos particulares valem o que valem, mas deixam indicadores importantes. Temos demonstrado uma boa organização defensiva e criado oportunidades em praticamente todos os jogos. Ainda nos falta melhorar a eficácia, mas acredito que, com a chegada do Koutsias e com o trabalho que temos vindo a desenvolver, vamos começar a concretizar essas ocasiões».
De seguida, Carlos Carvalhal abordou as saídas de Gustavo Sá e Ibrahima Ba:
«Quando assinei pelo Famalicão, já sabia que havia uma forte possibilidade de o Gustavo Sá e o Ibrahima Ba saírem. Por isso, não contava verdadeiramente com eles para a época. A conversa que tive com o Gustavo antes do treino não estava relacionada com a transferência, mas sim com a possibilidade de ele ser utilizado no jogo. Mais tarde, durante a noite, a situação ficou resolvida e acabou por sair».
Cada vez mais perto do arranque da oficial da nova temporada, o técnico mostrou-se confiante no trabalho de preparação:
«Estamos cada vez mais preparados. Já na semana passada senti uma evolução significativa e o desempenho de hoje confirma isso. O objetivo da pré-temporada é preparar a equipa para o primeiro jogo do campeonato, e demos hoje mais um passo importante. A intensidade foi muito elevada, apesar das condições difíceis, com bastante calor e humidade. Conseguimos manter um ritmo elevado e agora queremos aumentar progressivamente o tempo de utilização dos jogadores para chegarmos ao campeonato nas melhores condições».
Sobre a adaptação dos reforços de verão, Carlos Carvalhal referiu:
«Estou muito satisfeito. O Finn van Breemen trouxe experiência e integrou-se muito bem. O Leny Mayer ainda está a adaptar-se, mas é um lateral-esquerdo com excelente qualidade na saída de bola. O Tamas Szucs também está em fase de adaptação, mas temos muita confiança nele. O Koutsias oferece características muito interessantes: é um jogador de ligação, com boa capacidade para aparecer em zonas de finalização e possui um remate muito forte com ambos os pés. O Paulo Moreira tem sido fantástico. É um jogador muito regular, pode atuar em várias posições do meio-campo e interpreta muito bem o jogo. O Mathis Jeangeal, com apenas 18 anos, é um jovem de enorme talento que vai crescer naturalmente com o tempo. Quanto aos centrais Serafimovic e Mattara, ambos estão em adaptação às dinâmicas da equipa, mas têm respondido bem e deixam excelentes perspetivas para o futuro».
O técnico explicou também a decisão de entregar a braçadeira de capitão a Sorriso:
«O Zlobin continua a ser o capitão da equipa. No entanto, prefiro que a braçadeira esteja num jogador de campo, porque está mais próximo da ação e pode comunicar mais facilmente com o árbitro. É apenas uma questão prática».
Por fim, Carlos Carvalhal falou sobre deixou duras críticas às ‘paragens técnicas’ no futebol português:
«Essa medida (regra que limita o tempo de posse de bola dos guarda-redes), por si só, não resolve o principal problema do futebol português. O maior tempo perdido acontece nas chamadas paragens técnicas, quando há interrupções para transmitir instruções às equipas. É isso que me preocupa e, sinceramente, envergonha-me ver essas situações. Se queremos valorizar o nosso campeonato e vender um produto de qualidade, temos de permitir que o jogo flua. Não faz sentido controlar cinco ou oito segundos ao guarda-redes e, ao mesmo tempo, permitir interrupções de um ou dois minutos para dar indicações técnicas. Peço que se tomem medidas para acabar com essas paragens. Caso contrário, todos os treinadores acabarão por recorrer a essa estratégia e quem perde é o espetáculo. Queremos um futebol mais dinâmico, mais atrativo e um campeonato que possa ser valorizado. É importante agir já e não esperar mais uma época para implementar mudanças».

