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Fábio Espinho e a mudança do FC Porto para o Espinho: «Via pessoas com dificuldades em pagar uma casa ou um carro, mesmo a ir buscar os filhos. É a vida normal do ser humano»

Diogo Ribeiro · 2 min

Fábio Espinho Espinho
Foto: Arquivo Pessoal Fábio Espinho

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Fábio Espinho foi o mais recente entrevistado pelo Bola na Rede. Antigo jogador recordou mudança do FC Porto para o Espinho.

Fábio Espinho concedeu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede. Antigo jogador recordou transição do FC Porto, onde fez toda a formação, para o Espinho.

«Foi uma transição muito difícil. Desde os seis ou sete anos que jogava no FC Porto e não conhecia outra casa nem outras condições. No FC Porto tinha à minha disposição as melhores condições possíveis. Com todo o respeito pelo meu Espinho, sou espinhense, adoro o clube e estará sempre no meu coração, mas foi um choque de realidades. Se calhar fez-me bem na altura passar pelo Espinho e ter em conta essas debilidades de infraestruturas, de condições e de visão. Fez de mim melhor profissional e melhor homem e provavelmente deu-me outra motivação para pedalar e ir atrás do meu sonho, que era ser profissional de futebol. Ainda estava no início da minha carreira e tudo pode acontecer», salientou o antigo jogador, que contou pormenores da mudança.

«O maior salto que se dá é de juniores para seniores. A diferença é muito grande. Eu acho que não fiz essa transição porque dos juniores saltei para a equipa B e é muito parecido. Jogamos contra jogadores mais experientes, contra equipas mais agressivas, na Segunda B, que hoje seria a 3.ª Divisão, mas o núcleo e os jogadores transitam praticamente todos dos juniores para a equipa B. Não se notam tanto as diferenças. Foi no Espinho que fiz essa transição, dois anos mais tarde. Acabou por ser impactante. Fez-me ver as coisas de outra forma, lidar com pessoas no balneário que eram pais, alguns com dificuldades financeiras. Vamos absorvendo coisas que no FC Porto não fazia ideia que era possível. Via pessoas com dificuldades em pagar uma casa ou um carro, mesmo a ir buscar os filhos. É a vida normal do ser humano, mas quando somos jovens não temos essa perceção», destacou Fábio Espinho, cujo apelido vem precisamente da terra onde cresceu e onde acabou por representar em campo.

«Sempre tive uma grande ligação ao Espinho, principalmente do meu pai, que já faleceu. Tenho um irmão mais velho e quando éramos pequeninos acompanhávamos o Espinho para todo o lado, na 1.ª ou na 2.ª Divisão. O meu avô também era funcionário no clube, varria e limpava as bancadas. Tinha alguma ligação ao clube. A primeira abordagem para ir para o Espinho foi com o Vítor Pereira. Estava na praia de férias depois de sair do FC Porto, já tinha terminado o contrato, e foi um convite quase em forma de brincadeira porque já nos conhecíamos. As coisas acabaram por surgir e fiquei feliz. Sabia das dificuldades do clube, mas fiquei feliz porque queria ficar em casa, dava sempre prioridade em estar por perto. Também via no Vítor um treinador com potencial e que me podia ajudar a chegar a outros voos, que era o meu objetivo», recordou o antigo jogador.

Lê toda a entrevista de Fábio Espinho.

Diogo Ribeiro

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