João Nuno Fonseca e o desenvolvimento do futebol no Médio Oriente: «Vais à Arábia Saudita ver um jogo e nos bairros fala-se futebol»

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Em exclusivo ao Bola na Rede, João Nuno Fonseca, que integrou a Aspire Academy no Catar entre 2013 e 2017, refletiu sobre o planeamento da ascensão do futebol no Médio Oriente.

João Nuno Fonseca concedeu uma entrevista exclusiva ao Bola na Rede. O técnico de 36 anos refletiu sobre a sua experiência na Aspire Academy no Catar e descreveu a forma como alguns países têm estruturado um planeamento para um crescimento sustentável do futebol no Médio Oriente:

«Olha, no Médio Oriente há muita paixão pelo futebol. E tu sentes isso não só no Qatar, mas também na Arábia Saudita. Vais à Arábia Saudita ver um jogo e nos bairros fala-se futebol, no Qatar menos, mas existe essa paixão. E portanto, houve uma necessidade de perceber que para chegares a um campeonato do mundo tens de ter uma seleção minimamente competitiva. E portanto, foi esse planeamento que foi feito na altura, 15 anos antes de eu entrar, por volta do ano 2000, 2002, quando começou a ser criada a Academia Aspire, com essa visão: para conseguirem um dia ter o campeonato do mundo no país. Mas para lá chegar depois iriam ter uma seleção com qualidade para representar o país. E para tu seres competitivo nisso, tens de criar bases, tens de criar uma estrutura, desde scouting, desde análise, desde performance, desde treino, há uma série de coisas que são planeadas atempadamente. E tu vês isso a acontecer neste momento, eles querem ser competitivo e tentar competir, não só na Ásia, mas depois no mundo inteiro com as equipas locais».

De seguida, João Nuno Fonseca deu um exemplo específico que ilustra a diferença que um bom planeamento com fortes recursos faz:

«Dou-te o exemplo, o Ulsan, onde eu estive, é uma equipa que neste momento não consegue competir com o Al Hilal, na Champions League Asiática. E isto era uma discussão que nós tínhamos internamente, porque a verdade é que o investimento que houve nessas equipas, nessas estruturas, na forma como estão a pensar, é completamente diferente de uma equipa que está na Coreia do Sul. E tudo isso impacta-te naquilo que é a perceção do jogo nesse mesmo país. Eu considero que tu estás mais próximo de vencer mais vezes se tiveres uma estrutura otimizada para performance. E uma estrutura otimizada, a ver, scouting, performance, análise, recuperação… Portanto tudo aquilo que engloba o jogador naquilo que é o treino-jogo-recuperação-treino-jogo-recuperação, tudo isso impacta na performance. Tu podes até ganhar 3 ou 4 jogos seguidos, mas não vais ganhar como o Al Hilal de Jorge Jesus acabou por conseguir. Portanto, isso é tudo é um processo que existiu, desde ganhar no campeonato, a ganhar na Champions League Asiática. Portanto, este processo todo permitiu-lhes estar mais competitivos e vão estar cada vez mais».

Focando na Arábia Saudita, mostrou-se confiante que a seleção pode fazer uma grande campanha no Mundial que vão receber em 2034:

«Eu não tenho dúvidas nenhumas que a seleção da Arábia Saudita, no Mundial que vai receber em 2034, vai chegar a ser uma seleção muito mais competitiva daquela seleção que nós vimos a jogar contra a Argentina no Mundial do Catar, que já foi competitivo. Agora, é preciso também fazer com que os jogadores sauditas joguem na Liga Saudita, que é uma coisa que eu acho que acabou por haver um decréscimo O jogador saudita está com menos protagonismo numa Liga Saudita. Acredito que essa visão por parte da federação esteja a mudar, para que continue a existir essa competitividade e essa capacidade do jogador saudita continuar a ser competente».

João Nuno Fonseca, Leixões
Fonte: Leixões

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