Olhar tático ao FC Porto x Moreirense: como Vasco Botelho da Costa condicionou a construção dos dragões e a resposta de Francesco Farioli na segunda parte

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Em vésperas da estreia na Champions League, o FC Porto recebeu o Moreirense e venceu por 2-1, num encontro em que a equipa de Moreira de Cónegos apresentou uma abordagem estratégica diferente e, de certa forma, inovadora para tentar condicionar a construção portista. Vasco Botelho da Costa preparou a sua equipa para controlar o homem livre e, através de uma estrutura em 5-2-3 num bloco médio/baixo, procurou também retirar ao FC Porto a possibilidade de explorar a profundidade. Nesse sentido, a estratégia revelou-se particularmente eficaz durante a primeira parte, período em que o FC Porto sentiu dificuldades para encontrar soluções de progressão e, por diversas vezes, teve de recorrer à bola longa de Kiwior e Bednarek para ultrapassar a primeira fase de pressão.

Nessa primeira fase de pressão, Manuel Mendonça e João Veloso assumiram um papel fundamental na estratégia do Moreirense. Apesar de serem médios de origem, os dois posicionavam-se mais abertos, praticamente como extremos, e eram os primeiros responsáveis por iniciar a pressão sobre os centrais do FC Porto. Consoante o lado da bola, era Manuel Mendonça ou João Veloso quem saltava ao central com bola, procurando condicionar a sua ação e, simultaneamente, fechar a linha de passe para o lateral.

A particularidade mais interessante desta estratégia estava na função desempenhada por Alexandre Duville-Parsemain. O jogador tinha como referência individual Pablo Rosario, procurando marcá-lo pela frente para impedir que o médio do FC Porto recebesse livremente e pudesse assumir-se como homem livre na primeira fase de construção. Ao retirar uma das principais soluções para encontrar o homem livre, o Moreirense conseguia condicionar a circulação do FC Porto e obrigava os dragões a procurar outras alternativas no processo de construção.

Descrição: Moreirense numa estrutura em 5-2-3, com João Veloso e Manuel Mendonça a assumirem posições mais exteriores, praticamente como extremos, para fechar a linha de passe para os laterais e com timings específicos para saltar à pressão sobre os centrais do FC Porto. Alexandre Duville-Parsemain tinha como referência individual Pablo Rosario, posicionando-se pela sua frente para fechar a linha de passe e dificultar a dinâmica do terceiro homem, bem como o acesso ao homem livre. Na restante estrutura, o Moreirense mantinha uma linha de cinco, com Landerson a ocupar o lado esquerdo.

Perante esta organização, o FC Porto recorreu muitas vezes ao passe longo para os corredores, uma solução que a equipa já tinha utilizado diante do Académico Viseu para ultrapassar a primeira linha de pressão. No entanto, a estrutura do Moreirense também estava preparada para limitar essa possibilidade. Com uma linha de cinco jogadores e Landerson a fechar o lado esquerdo, o espaço disponível para explorar a profundidade nos corredores era menor, o que dificultava a procura imediata das costas da última linha. Ainda assim, o FC Porto conseguiu encontrar esse espaço em alguns momentos, sobretudo com as jogavas protagonizadas por William Gomes.

O Moreirense mostrou também uma grande agressividade nos duelos, algo particularmente importante perante uma equipa portista conhecida pela sua capacidade física. A equipa de Moreira de Cónegos conseguiu ganhar vários duelos individuais e algumas segundas bolas, o que lhe permitiu transformar momentos defensivos em situações de transição. Sempre que recuperava a posse, a intenção passava por acelerar o jogo e atacar rapidamente os espaços disponíveis, com os laterais a assumirem um papel importante nesse processo.

Dessa forma, em determinados momentos, o Moreirense conseguia colocar cinco jogadores a chegar à área do FC Porto: os três elementos da primeira linha ofensiva e os dois laterais, Dinis Pinto e Landerson. A chegada dos laterais permitia aumentar o número de jogadores envolvidos na transição e, simultaneamente, criar situações de perigo no último terço. Foi precisamente numa dessas situações que surgiu o golo do Moreirense. Depois de uma boa combinação entre Landerson e João Veloso, o médio encontrou espaço para colocar a bola ao segundo poste, onde apareceu Dinis Pinto para finalizar e inaugurar o marcador aos 20 minutos.

Apesar das dificuldades para encontrar espaços em jogo corrido, o FC Porto voltou a demonstrar capacidade para encontrar soluções através da bola parada. Na sequência de um livre batido por William Gomes, Jan Bednarek apareceu na área para finalizar e restabelecer o empate aos 37 minutos.

Na segunda parte, Francesco Farioli introduziu uma alteração determinante para que o FC Porto conseguisse escapar à teia de pressão montada por Vasco Botelho da Costa. A principal mudança passou pelo posicionamento dos laterais, que começaram a ocupar zonas mais abertas no momento de construção. Ao aumentar a largura da equipa, o FC Porto aumentou também as distâncias entre os diferentes elementos da pressão do Moreirense. Como consequência, tornou-se mais difícil para João Veloso e Manuel Mendonça definir o momento exato para saltar na pressão, ao mesmo tempo que aumentava o espaço disponível entre central e lateral dos azuis e brancos.

Descrição: Na segunda parte, Francesco Farioli alargou o posicionamento dos laterais do FC Porto para aumentar as distâncias da pressão de Manuel Mendonça e João Veloso, dificultando o controlo das linhas de passe entre central e lateral que o Moreirense procurava fechar. Em resposta, Dinis Pinto e Landerson subiram no terreno para assumir a pressão sobre os laterais do FC Porto, levando o Moreirense a aproximar-se de uma estrutura em 3-4-3.

Além disso, Pablo Rosário começou a apresentar maior mobilidade, sobretudo porque tinha Duville como referência individual. Ao deslocar-se para diferentes zonas em momentos específicos, Pablo Rosario podia continuar a oferecer-se como solução de passe, mas também utilizar a marcação individual do adversário a seu favor. Ao atrair a atenção do ponta de lança do Moreirense, permitia ao FC Porto criar novas linhas de passe para o central e o lateral do lado contrário.

Perante esta nova disposição do FC Porto, o Moreirense também teve de ajustar a sua pressão. Na primeira parte, quando a bola entrava num dos corredores, era possível que um dos médios, Guilherme Liberato ou Nile John, dependendo do lado da bola, saísse da zona central para pressionar o corredor exterior, mantendo os jogadores da última linha numa estrutura de cinco. Contudo, com os laterais do FC Porto mais abertos, o Moreirense passou a adiantar Dinis Pinto e Landerson, que deixaram de permanecer na linha de cinco para pressionar diretamente os laterais do FC Porto quando estes recebiam a bola. Na prática, a equipa aproximou-se de uma estrutura em 3-4-3 no momento da pressão, com os dois alas a assumirem posições mais avançadas. Esta alteração permitiu ao Moreirense continuar a pressionar os laterais dos dragões, mas acabou por deixar mais espaço nos corredores e criar um 3×3 na última linha.

Descrição: Maior mobilidade de Pablo Rosario na segunda parte, uma das variantes introduzidas por Francesco Farioli, com o médio a subir o seu posicionamento para arrastar a marcação individual de Duville-Parsemain e, dessa forma, libertar espaços para outras soluções de passe, como a diagonal de Alberto Costa.

Foi precisamente esse espaço que o FC Porto começou a explorar com maior frequência, sobretudo através de William Gomes e Pepê. O segundo golo nasce precisamente dessa capacidade para aproveitar esse espaço nos flancos. Gabri Veiga realizou um movimento de rutura que arrastou a marcação e abriu espaço para Pepê receber no lado esquerdo com maior liberdade. Com o corredor disponível, o extremo brasileiro teve tempo para cruzar e encontrou William Gomes, que apareceu na área para finalizar e colocar o FC Porto em vantagem.

O lance resume, de certa forma, a evolução do jogo na segunda parte. O Moreirense tinha conseguido controlar o homem livre e limitar os espaços interiores na primeira parte, mas a maior largura do FC Porto obrigou a equipa a alterar as suas referências de pressão. Ao subir Dinis Pinto e Landerson para acompanhar os laterais, abriu espaços que o FC Porto conseguiu explorar através dos corredores.

Até ao final da partida, o Moreirense tentou encontrar novas soluções para voltar a colocar o FC Porto em dificuldades. Vasco Botelho da Costa procurou utilizar Stepanovic entrelinhas, com movimentos de rutura entre os centrais portistas, numa tentativa de criar dúvidas na última linha e abrir espaços para os restantes jogadores. Apesar dessa tentativa de reação, o resultado não voltou a sofrer alterações.

A partida ficou ainda marcada pelo lance entre Victor Froholdt e Guilherme Liberato, numa disputa que deixou o médio dinamarquês do FC Porto caído no relvado. Na sequência do lance, o jogador do Moreirense acabou expulso, deixando a equipa visitante em inferioridade numérica na reta final. Com este resultado, o FC Porto chega aos 15 pontos e conserva a liderança da Primeira Liga, enquanto o Moreirense mantém a 11.ª posição, com quatro pontos conquistados.

Rodrigo Lima

Relatório Tático – FC Porto x Moreirense

1. Moreirense

Organização defensiva / Transição defensiva

  • Estrutura: 5-2-3 em bloco médio/baixo, procurando proteger a largura e a profundidade, bem como limitar as ligações interiores do FC Porto, sobretudo através do controlo da dinâmica do terceiro homem e do homem livre.
  • Primeira linha de pressão: Alexandre Duville, Manuel Mendonça e João Veloso formavam a primeira linha de pressão, com Manuel Mendonça e João Veloso a posicionarem-se mais por dentro para controlar simultaneamente os centrais e as linhas de passe para Alberto Costa e Francisco Moura.
  • Orientação da pressão: Manuel Mendonça e João Veloso procuravam saltar na pressão aos centrais ou aos laterais do FC Porto de acordo com o lado da bola, procurando fechar simultaneamente a linha de passe exterior.
  • Gatilho de pressão: a circulação entre os centrais do FC Porto funcionava como um dos principais gatilhos. Quando a bola entrava num dos centrais, João Veloso ou Manuel Mendonça iniciavam a pressão, procurando condicionar a progressão tanto por dentro como por fora do FC Porto.
  • Controlo de Pablo Rosário: Alexandre Duville tinha como principal referência Pablo Rosário, posicionando-se à frente do médio do FC Porto para impedir a ligação direta. Esta orientação dificultava a participação de Pablo Rosário na ativação do terceiro homem, obrigando-o a recorrer à mobilidade e a timings específicos para escapar à referência individual.
  • Pressão sobre os laterais: quando Alberto Costa ou Francisco Moura recebiam bola numa primeira fase, os extremos do Moreirense saltavam rapidamente à pressão, procurando evitar que o FC Porto pudesse progredir facilmente pelos corredores.
  • Pressão alta: em determinados momentos da primeira parte, o Moreirense organizava-se num 3+4, com Duville, Mendonça e Veloso na primeira linha e Dinis Pinto e Landerson a projetarem-se para junto dos médios Nile John e Guilherme Liberato.
  • Ajustamento dos médios: quando os médios interiores do FC Porto lateralizavam, ou quando o lateral recebia bola numa segunda fase de construção, o médio do lado da bola, entre Nile John e Guilherme Liberato, podia abandonar momentaneamente a estrutura interior para saltar à pressão no corredor. O objetivo era encurtar rapidamente sobre o portador e impedir que o FC Porto encontrasse um homem livre.
  • Agressividade nos duelos: o Moreirense procurava aumentar a intensidade dos duelos para equilibrar a dimensão física do FC Porto, procurando ganhar o primeiro duelo e disputar imediatamente a segunda bola. Este comportamento permitia recuperar em zonas mais avançadas ou criar condições para acelerar as transições ofensivas.
  • Ajuste na segunda parte: perante a maior largura assumida por Alberto Costa e Francisco Moura, Landerson e Dinis Pinto passaram a ser os principais responsáveis pelos saltos exteriores, projetando-se diretamente sobre os laterais do FC Porto e começando a desfazer a linha de cinco através dos alas.
  • Alteração das responsabilidades: com os alas a assumirem a pressão exterior, Manuel Mendonça e João Veloso podiam manter uma posição mais interior e maior responsabilidade sobre Kiwior e Bednarek. Desta forma, o Moreirense deixou de depender exclusivamente da saída de um dos médios para pressionar no corredor lateral.
  • Estrutura de pressão: esta alteração aproximava o Moreirense de uma estrutura de 3-4-3 no momento da pressão, com Landerson e Dinis Pinto projetados sobre os laterais do FC Porto e os dois médios a manterem maior controlo da zona interior.
  • Recuperação dos alas: após os saltos de Landerson e Dinis Pinto, era fundamental que ambos recuperassem rapidamente a linha de cinco. A projeção dos alas aumentava a agressividade da pressão exterior, mas também podia abrir espaço nas suas costas caso a equipa não conseguisse recuperar a posição defensiva.

Organização ofensiva / Transição ofensiva

  • Primeira fase de construção: utilização de uma linha de três, com Kiko mais baixo junto de Gilberto Batista e Maracás, enquanto Dinis Pinto assumia uma posição mais projetada no corredor direito.
  • Estrutura: variação entre 3-2-5 e estruturas próximas do 3-4-3, com Landerson e Dinis Pinto a ocuparem os corredores exteriores e Manuel Mendonça e João Veloso a procurarem zonas interiores.
  • Duplo pivô: Guilherme Liberato e Nile John assumiam a zona central, com Guilherme Liberato a baixar mais frequentemente para apoiar a primeira fase de construção.
  • Mobilidade no corredor esquerdo: utilização de movimentos de dupla largura entre João Veloso e Landerson, permitindo alternar a ocupação do corredor e criar diferentes linhas de passe, mediante também o tempo que William Gomes demorava a reposicionar-se no 5-4-1.
  • Transições rápidas: procura frequente das transições rápidas para os jogadores mais avançados, sobretudo quando o Moreirense conseguia ganhar o duelo inicial/segunda bola.
  • Ataque às segundas bolas: a projeção dos três jogadores da frente, juntamente com Landerson e Dinis Pinto, permitia ao Moreirense colocar até cinco jogadores em zonas próximas da área.
  • Exploração dos corredores: sobretudo na primeira parte, utilização dos espaços deixados pelos laterais do FC Porto quando estes estavam projetados, procurando acelerar o jogo através dos corredores exteriores.
  • Fase final: utilização de Stepanovic entre linhas, procurando realizar movimentos de rutura entre os centrais do FC Porto e criar espaços através da movimentação na segunda parte.

Comportamentos-chave

  • Manuel Mendonça e João Veloso: posicionamento mais interior na primeira linha de pressão, permitindo controlar simultaneamente os centrais e as linhas de passe para os laterais do FC Porto.
  • Alexandre Duville: referência individual sobre Pablo Rosário (a marcar pela frente do médio da República Dominicana), procurando impedir que o médio do FC Porto recebesse com condições para ativar o terceiro homem.
  • Agressividade nos duelos: comportamento coletivo orientado para ganhar o primeiro duelo e disputar imediatamente a segunda bola com vários jogadores próximos, procurando transformar recuperações em transições rápidas.
  • Landerson e Dinis Pinto: projeção pelos corredores na segunda parte para assumir diretamente a pressão sobre Alberto Costa e Francisco Moura, permitindo ao Moreirense aumentar a agressividade exterior sem retirar os médios da sua zona interior.
  • Variação da responsabilidade no salto exterior: na primeira parte, a pressão exterior podia ser realizada pelo médio do lado da bola quando os interiores ou laterais do FC Porto ocupavam zonas exteriores; na segunda parte, essa responsabilidade passou sobretudo para Landerson e Dinis Pinto, após o FC Porto aumentar a largura dos laterais.
  • Recuperação após pressão: necessidade de Landerson e Dinis Pinto recuperarem rapidamente a linha de cinco após os seus saltos, evitando que a projeção exterior criasse espaços exploráveis nas costas.
  • Ataque rápido após recuperação: quando conseguia ganhar duelos e segundas bolas, o Moreirense procurava acelerar imediatamente pelos corredores, aproveitando a projeção dos laterais do FC Porto.

Limitações

  • Pressão sobre Pablo Rosário: na primeira parte, a pressão esteve muito bem controlada; na segunda parte, a maior mobilidade do médio e a sua capacidade para atrair a referência individual criaram mais dificuldades.
  • Pressão sobre os laterais: quando Alberto Costa e Francisco Moura passaram a receber mais abertos, as distâncias entre Manuel Mendonça e João Veloso aumentaram, dificultando a coordenação da pressão.
  • Espaço nas costas dos alas: a projeção de Landerson e Dinis Pinto na segunda parte aumentava a agressividade exterior, mas também exigia uma recuperação rápida para a linha de cinco após a pressão.
  • Exploração dos corredores na segunda parte: quando o Moreirense passou a deixar uma estrutura de 3×3 atrás, com a projeção de Landerson e Dinis Pinto para pressionar, o FC Porto encontrou mais espaço exterior para Pepê e William Gomes, aumentando as situações de cruzamento e finalização.
  • Bola parada defensiva: incapacidade para travar o empate, na sequência do cruzamento de William Gomes, na cobrança de um livre, para o golo de Jan Bednarek.

2. FC Porto

Organização defensiva / Transição defensiva

  • Estrutura: 4-4-2 em pressão alta, alternando para 5-4-1 ou 5-2-3 em bloco mais baixo.
  • Primeira linha de pressão: Pepê e André Silva assumiam a primeira linha, procurando orientar a construção do Moreirense para o seu lado esquerdo.
  • Orientação da pressão: Pepê pressionava de fora para dentro, procurando condicionar a ligação entre Gilberto Batista e André Ferreira e encaminhar a construção para o lado esquerdo do Moreirense.
  • Bloco médio/alto: em 4-4-2, Pablo Rosário baixava para a linha defensiva como central direito, Kiwior assumia o corredor esquerdo e Francisco Moura subia para médio esquerdo.
  • Bloco baixo: transformação para uma linha de cinco, com Francisco Moura a regressar à posição de lateral e o FC Porto a procurar proteger melhor a última linha.
  • Compactação: procura de manter o bloco curto entre linhas, reduzindo os espaços para o Moreirense explorar a presença interior de Manuel Mendonça, João Veloso e dos dois médios.

Organização ofensiva / Transição Ofensiva

  • Construção perante o 5-2-3: utilização de diferentes movimentos de Victor Froholdt e Gabri Veiga para sair das referências defensivas e procurar os espaços exteriores disponíveis na estrutura do Moreirense.
  • Exploração dos corredores: os movimentos dos médios para zonas exteriores permitiam ao FC Porto atacar o espaço lateral do 5-2-3, sobretudo quando os extremos do Moreirense estavam mais concentrados por dentro.
  • Passe longo: utilização frequente do passe longo para Pepê e William Gomes como solução perante momentos de dificuldade para progredir pelo corredor central.
  • Gabri Veiga: movimentos verticais para atacar a profundidade e esticar a linha de cinco do Moreirense, obrigando Nile John a decidir entre acompanhar a movimentação ou manter a sua posição.
  • Laterais mais abertos: ajuste ao intervalo, com Alberto Costa e Francisco Moura a assumirem posições mais largas, aumentando as distâncias de pressão de Manuel Mendonça e João Veloso.
  • Exploração da largura: a maior largura dos laterais permitiu ao FC Porto criar linhas de passe exteriores e dificultar a coordenação da pressão do Moreirense.
  • Movimentos de fora para dentro: na primeira fase de pressão, Alberto Costa e Francisco Moura procuravam, em determinados momentos, movimentos de fora para dentro para serem solução na dinâmica do terceiro homem.
  • Alberto Costa: utilização de um posicionamento mais diagonal no corredor direito para criar uma linha de passe que não estivesse diretamente bloqueada por João Veloso.
  • Pablo Rosário: perante a marcação direta de Alexandre Duville, o médio procurava utilizar a mobilidade para escapar à referência ou, em determinados momentos, atrair Duville para libertar espaços noutros setores.
  • Pablo Rosário como isco: subida do médio em determinados momentos para arrastar Duville e criar condições para explorar o espaço libertado através da diagonal de Alberto Costa.

Comportamentos-chave

  • Kiwior e Bednarek: utilização dos dois centrais como principais responsáveis pela circulação inicial, procurando ter paciência para encontrar o momento certo para superar a primeira linha de pressão.
  • Gabri Veiga: liberdade para alternar entre movimentos exteriores e verticais, procurando manipular as referências do Moreirense.
  • Froholdt e Gabri Veiga: capacidade para lateralizar e retirar Nile John e Guilherme Liberato das suas posições.
  • Pablo Rosário: mobilidade para responder à marcação individual de Duville e participar na ativação do terceiro homem.
  • Alberto Costa e Francisco Moura: maior largura na segunda parte para aumentar as distâncias entre os jogadores responsáveis pela pressão exterior do Moreirense.
  • William Gomes e Pepê: maior influência nos corredores na segunda parte, beneficiando do espaço criado pela estrutura mais aberta do Moreirense em 3-4-3.
  • Gabri Veiga–Pepê: combinação entre as roturas verticais de Gabri Veiga e a ocupação exterior de Pepê, com o médio a atrair referências para dentro e a libertar espaço no corredor esquerdo.
  • Transição ofensiva: procura imediata dos corredores após recuperação, sobretudo quando os laterais do Moreirense estavam projetados.
  • Bola parada ofensiva: capacidade para aproveitar o livre de William Gomes para o golo de Jan Bednarek e restabelecer a igualdade num momento importante do encontro.

Limitações

  • Progressão interior: dificuldades na construção e ativação da dinâmica do terceiro homem perante o 5-2-3 compacto do Moreirense e a concentração de jogadores por dentro.
  • Primeira parte: menor capacidade para ganhar duelos e controlar as segundas bolas, permitindo ao Moreirense criar condições para atacar rapidamente após recuperação.
  • Transição defensiva: quando o FC Porto perdia a bola com muitos jogadores projetados, encontrava dificuldades para controlar os cinco jogadores que o Moreirense conseguia colocar em zonas ofensivas.
  • Definição no último terço: apesar da capacidade para sair da primeira pressão, o FC Porto voltou a revelar dificuldades em transformar algumas situações de progressão em último passe ou finalização.
  • Espaço exterior: na primeira parte, a menor largura dos laterais facilitava a pressão do Moreirense, que conseguia manter distâncias mais curtas entre o central e o lateral do FC Porto e o jogador responsável pela pressão.

Impacto competitivo

  • Manipulação da estrutura do Moreirense: a mobilidade de Pablo Rosário, combinada com a maior largura dos laterais na segunda parte, obrigou o Moreirense a percorrer maiores distâncias e dificultou a manutenção das suas referências.
  • Ajuste ao intervalo: a decisão de Francesco Farioli de alargar Alberto Costa e Francisco Moura foi determinante para aumentar as distâncias da pressão exterior do Moreirense e criar novas linhas de passe.
  • Exploração dos corredores: quando o Moreirense passou a deixar uma estrutura de 3×3 atrás, o FC Porto encontrou mais espaço para Pepê e William Gomes receberem e atacarem os corredores, aumentando as situações de cruzamento e remate.
  • Gabri Veiga como manipulador: as suas roturas verticais permitiram atrair referências defensivas para zonas interiores já numa terceira fase e libertar espaço exterior, sobretudo para Pepê.
  • Pablo Rosário: a capacidade para utilizar a sua marcação direta como ferramenta de manipulação permitiu ao FC Porto criar espaços noutros setores. Ao subir e atrair Duville, o médio contribuía para libertar a diagonal de Alberto Costa.
  • Evolução durante o jogo: o FC Porto teve maior dificuldade para controlar o jogo na primeira parte, sobretudo nos duelos e transições, mas os ajustes posicionais realizados no segundo período permitiram aumentar a largura, superar a primeira fase de pressão e encontrar mais espaço para atacar nos corredores.

Rodrigo Lima

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: A equipa do Moreirense apresentou-se num 5-2-3 em organização defensiva. Pergunto-lhe se estava à espera desta estrutura por parte do Moreirense? Por outro lado, na segunda parte, alargou mais o posicionamento dos dois laterais, com o próprio Pablo Rosário a ter maior mobilidade, quer para atrair a marcação, quer para se oferecer como solução de passe. Pergunto lhe se esta pode ser uma das formas que o FC Porto pode utilizar para procurar criar dificuldades a esta primeira linha de três dos adversários?

Francesco Farioli: Na primeira parte, acho que o Vasco preparou muito bem o jogo. Não esperávamos uma abordagem como esta do Moreirense, até porque nunca a fizeram. É uma estrutura que nós enfrentamos algumas vezes, mas a interpretação do avançado HxH ao Pablo Rosário não é algo que enfrentemos muito, e demorou algum tempo até encontrarmos a melhor dinâmica. Depois de começarmos a encontrar melhor ritmo, a velocidade certa da bola, aumentarmos um pouco a precisão no passe e encontrarmos a fluidez certa, especialmente pelos flancos, acho que encontrámos maneira de entrar várias vezes e gerámos várias oportunidades. O resultado podia ter sido com mais golos, mas é o que é. A parte mais importante é o resultado. Agora, temos de nos preparar muito bem para o jogo de terça-feira, com um gigante que vem ao Dragão jogar. Da nossa parte, temos de fazer o melhor para dar aos nossos adeptos a noite que merecem.

Bola na Rede: Em organização defensiva, montou a equipa num 5-2-3, com os extremos mais por dentro, a procurar fechar as linhas de passe para o central e o lateral do FC Porto. Que papel tiveram os timings de pressão do João Veloso e do Manuel Mendonça no sucesso dessa estratégia defensiva? Por outro lado, em organização ofensiva, vimos a equipa muitas vezes posicionada num 3-2-5, com o Dinis e o Landerson projetados. Pergunto-lhe que zonas procurou explorar para criar dificuldades à organização defensiva do FC Porto?

Vasco Botelho da Costa: Do ponto de vista defensivo, viu bem. Nem sempre tivemos os melhores timings, mas a ideia passou por criarmos condições para bater HxH com a equipa do Porto, porque sabíamos que não podíamos estar HxH ao longo de todo o jogo. Portanto, partir de uma organização em bloco, em que a profundidade que nós dávamos era controlada, porque sabemos que o FC Porto está muito estimulado para jogar bolas diretas nas costas. Tivemos, portanto, de dar profundidade Q/B, de modo a conseguirmos controlar. A ideia era forçar aquele terceiro homem do Porto, com o interior a chegar ao lateral e o nosso médio a saltar fora, com uma pressão a controlar a linha de passe. Ou seja, basicamente, conseguimos controlar o homem livre e desfazemos a nossa linha por dentro, em vez de desfazer por fora. O Porto, e bem, começou a abrir os laterais e tivemos de passar a desfazer a linha mais vezes por fora, algo que até estamos estimulados a fazer. Acho que correu relativamente bem. Agora, do ponto de vista ofensivo, o Porto, ao seguir toda a gente, fez com que a nossa ideia principal passasse por aproveitar o interior a vir baixo com bola na nossa construção a três, aproveitando o espaço para o 1×1 do Duville, que é um jogador que tem alguma facilidade nesse tipo de movimentos, e conseguir jogar, a partir daí, algumas segundas bolas. Sabemos que o Porto também é uma equipa que alterna entre a pressão HxH em campo inteiro e um bloco muito bem compacto, onde os jogadores se sentem muito confortáveis a defender a sua baliza. Também tínhamos uma estratégia algo pensada que, ainda antes da expulsão, se viu ali o que nós queríamos: um jogador entre linhas a fazer uma rotura de surpresa no espaço entre os centrais do Porto. Mas depois tivemos a expulsão e acabou por ser mais complicado. Mas, lá está, acho que, no global, fizemos um jogo competente, quer do ponto de vista da mentalidade e da competitividade, quer também do ponto de vista tático. Mas, lá está, temos de continuar a trabalhar, a evoluir, e queremos ir buscar estes três pontos na quarta-feira.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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