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André Luiz

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Rio Ave

Redistribuir sem competir

As transferências de Clayton e de André Luiz do Rio Ave para o Olympiacos passaram quase sem ruído. E talvez seja isso que mais impressiona. Não pela qualidade dos jogadores, nem pelo destino escolhido, mas pela naturalidade com que estes movimentos são hoje aceites no futebol europeu. O contexto ajuda a explicar essa normalidade aparente. O Rio Ave é detido por Evangelos Marinakis, o mesmo empresário que controla o Olympiacos e o Nottingham Forest. O percurso dos jogadores dentro desta rede não surpreende. É o funcionamento típico dos clubes em modelo de multi-club ownership, uma lógica já banalizada em campeonatos de topo, como se vê no universo do Chelsea, e que começa a marcar, de forma estrutural, o futebol português.

João Francisco Gomes · 4 min de leitura
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Opinião

O mercado do Rio Ave e a situação (que gera revolta nos adeptos) de ser um clube satélite

O Rio Ave é um histórico da Primeira Liga, habituado a realizar temporadas seguras no campeonato, conseguindo trazer alguns craques para Portugal, ou trabalhar elementos que já estavam em solo luso. É uma equipa simpática, menos para os grandes rivais locais: Varzim e Leixões. Os vilacondenses foram um dos mais recentes conjuntos a ser inserido em um conglomerado de equipas. Hoje em dia o futebol é cada vez mais um negócio, onde o lucro passou a ser o principal objetivo. Em certos casos, deixam-se os princípios de lado, perdendo-se a identidade. Os vilacondenses não viveram uma situação fácil ao nível financeiro. Outrora o futebol era gerido por uma SDUQ (Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas), mas o momento aflitivo levou à conversão para uma SAD (Sociedade Anónima Desportiva), mudança apoiada pelos sócios, conscientes de que o clube corria risco de entrar em espiral negativa, como aconteceu a outros históricos. Em 2024, Alexandrina Cruz promoveu a venda de uma grande fatia desta SAD, permitindo a entrada de um investidor. Evangelos Marinakis, rosto reconhecido do futebol europeu, detentor do Olympiacos e do Nottingham Forest, viu em Vila do Conde uma oportunidade de negócio, de aumentar a sua rede e a sua influência. O empresário comprou 80% da SAD do Rio Ave por 20 milhões de euros, com vista a limpar as dívidas e a investir na equipa principal, procurando a longo prazo melhorar as infraestruturas.

Ricardo João Lopes · 6 min de leitura
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