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Revista do Euro’2016: Suíça

Júnior Barroso · 7 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

A Seleção Nacional de Futebol da Suíça é uma das históricas seleções do Velho Continente onde já disputa fases finais das grandes competições de futebol internacional, contando com 14 participações em 35 possíveis. A verdade é que esta será apenas a quarta participação da Schweizer Nati num Europeu. A última prestação em 2008 foi, inclusive, disputado no seu país, sendo que nunca passaram da fase de grupos.

Recentemente, neste século XXI, a Suíça já conta com dois Campeonatos da Europa – a caminho do terceiro – e três Campeonatos do Mundo, tendo deixado boas indicações no último Mundial disputado no Brasil há dois anos onde fora eliminado nos oitavos de final pela poderosa França.

Numa fase de qualificação tranquila, perante um grupo diga-se acessível, a Suíça conseguiu o segundo lugar, levando a Eslováquia ao play-off e apenas sendo superado pelo pleno da Seleção Inglesa. Após um mau início, com duas derrotas nos primeiros jogos – em casa frente à Inglaterra e fora frente a Eslováquia – seguiram-se sete vitórias nos oito jogos seguintes contando com uma fase de qualificação com 28 golos apontados e 8 sofridos.

Pontos Fortes: Numa seleção com uma intensidade de jogo impressionante, assiste-se a uma sistemática troca entre os elementos mais avançados no terreno onde o apoio das alas é essencial. A grande participação no jogo ofensivo aliada à tremenda qualidade de Ricardo Rodriguez e Lichtsteiner, são um grande apoio para os criativos desta equipa – Shaqiri e Mehmedi – que, servidos pelo cérebro de Xhaka, encontram em Seforovic o jogador ideal para finalizar as suas jogadas a um e dois toques, dado o seu portento físico e o seu faro de golo

Pontos Fracos: Bem melhor a atacar que a defender, existe um grande espaço fornecido entre o meio-campo e a linha defensiva. Apesar de ser um polivalente com uma vasta experiência, Behraimi não oferece muitas vezes o apoio posicional que Xhaka necessita e, tendo dois laterais bastante ofensivos, não são encontradas muitas vezes as dobras necessárias, tornando esta seleção muito vulnerável quando tenta jogar com um bloco médio-alto.

Assim sendo, a forma que Behraimi apresentar, especialmente nas transições defensivas e no equilíbrio do meio-campo, pode ditar a diferença entre o sucesso e o fracasso da Suíça até porque, como provável segunda opção para esta posição, Petkovic conta com Gélson Fernandes que, dada a sua falta de intensidade e da lentidão na tomada de decisão, não oferece as soluções válidas necessárias.

OS CONVOCADOS

GUARDA-REDES: Roman Bürki (Borussia Dortmund), Marwin Hitz (Augsburg), Yvon Mvogo (Young Boys), Yann Sommer (Borussia Mönchengladbach).

DEFESAS: Johan Djourou (Hamburg), Nico Elvedi (Borussia Mönchengladbach), Michael Lang (Basel), Stephan Lichtsteiner (Juventus), François Moubandje (Toulouse), Ricardo Rodríguez (Wolfsburg), Fabian Schär (Hoffenheim), Philippe Senderos (Grasshoppers), Steve Von Bergen (Young Boys), Silvan Widmer (Udinese).

MÉDIOS: Valon Behrami (Watford), Blerim Džemaili (Genoa), Gelson Fernandes (Rennes), Fabian Frei (Mainz), Renato Steffen (Basel), Granit Xhaka (Borussia Mönchengladbach), Denis Zakaria (Young Boys), Luca Zuffi (Basel).

AVANÇADOS: Eren Derdiyok (Kasımpaşa), Breel Embolo (Basel), Admir Mehmedi (Bayer Leverkusen), Haris Seferović (Eintracht Frankfurt), Xherdan Shaqiri (Stoke City), Shani Tarashaj (Grasshoppers).

Nesta lista provisória de 28 nomes, destaca-se a não inclusão do capitão Gokhan Inler, um dos jogadores com mais internacionalizações na história da nação dada a sua escassa utilização no Leicester City. Foi preterido ao longo da época pelo inglês Danny Drinkwater sendo que, apesar de se tornar campeão inglês, contou apenas com cinco aparições na presente época na Premier League. Josip Drmić, Pajtim Kasami and Valentin Stocker ficaram também de fora.

A surpresa acaba por ser a inclusão do jovem de 19 anos Denis Zakaria que atua no Young Boys e é, assim como Gélson Fernandes, as duas opções para o setor mais recuado do meio campo da Suíça.

Provável Esquema Tático (4x2x3x1): Gr- Yann Sommer, DD- Lichtsteiner, DE-Ricardo Rodriguez, DC- Fabian Schär, Johan Djourou, MC- Valon Behrami, Granit Xhaka, MOC Blerim Džemaili, EE- Mehmed, ED- Xherdan Shaqiri, PL- Seforovic

O TREINADOR

Vladimir Petković, o selecionador dos Rossocrociati Fonte: UEFA
Vladimir Petković, o selecionador dos Rossocrociati
Fonte: UEFA

Natural de Sarajevo, na antiga Jugoslávia, Petkovic é um antigo médio que jogou maioritariamente na Liga Challenge. Apesar de uma carreira futebolística sem qualquer conquista, a carreira como técnico, com quase 20 anos de atividade, conta com alguns feitos interessantes onde, antes de ser assumido como técnico da Seleção Nacional da Suíça, conta com uma presença de duas épocas pelo futebol italiano, pela histórica Lázio.

Na fase inicial da sua carreira como técnico, em 1998, conta com uma final da Swiss Cup e com a subida à primeira divisão, ao comando do AC Bellinzona. Seguiu-se um Young Boys onde, apesar de apresentar um 3-4-3 bastante atrativo, não conseguiu mais que um 2º lugar sendo despedido antes de completar a sua terceira época. O Samsunspor, no campeonato, foi a passagem seguinte, abandonando o cargo em Janeiro dessa mesma primeira época, encontrando-se o clube numa situação difícil a disputar os lugares na zona de descida onde acabou essa mesma época com treinador provisório do Sion F.C.

A grande emergência na sua carreira ocorre em 2012 quando se aventura pelo campeonato italiano. Representando os Biancocelesti da S.S.Lázio, conseguiu vencer a Taça de Itália em 2013, tornando-se um dos notáveis do clube de Roma e conseguindo ainda um apuramento para a Liga Europa onde viria a conseguir qualificar-se para os 16-avos antes de ser despedido, em 2014, após ter anunciado que iria ser selecionador da Suíça.

OS MELHORES JOGADORES

Assim como Portugal joga para Cristiano Ronaldo, o Brasil joga para Neymar e a Argentina joga para Messi, a Suíça joga para Shaqiri.

Shaqiri é uma das estrelas a ter em conta neste Euro’16 Fonte: www.surtoolimpico.com.br
Shaqiri é uma das estrelas a ter em conta neste Euro’16
Fonte: www.surtoolimpico.com.br

Após passagens pelo Bayern Munique e pelo Inter de Milão, o Shaqiri atuou esta época pelo Stoke F.C onde, após um campeonato bem satisfatório, fez uma dupla temível com Arnautovic e Bojan sendo uma dor de cabeça para os melhores clubes da Premier League. Apesar de ser um jogador de baixa estatura, a sua velocidade e físico tornam-no um jogador temível onde, aliado à sua técnica e visão de jogo, várias vezes aparece nos momentos cruciais, servindo os companheiros da melhor forma ou resolvendo o jogo com o seu forte remate ou a sua forma de simplificar processos. É ainda bastante forte nas bolas paradas, fator que, em princípio, será entregue ao especialista Ricardo Rodriguez.

A facilidade que Shaqiri tem de se habituar a qualquer que seja o adversário ou as condições de jogo tornam-no um jogador temível para todo e qualquer adversário onde, jogado no campeonato alemão, inglês e italiano, lhe confere uma vasta experiência que pode ser bem útil para a Schweizer Nati.

 

Outro talento desta equipa é o Granit Xhaka. Visto como um dos grandes pilares desta seleção, Xhaka realizou uma grande época ao serviço do Borussia M’gladbach, com exibições de encher o olho na Bundesliga e também na Liga dos Campeões.

Com isto fortaleceu a sua posição no XI da Suiça e, numa época em que terminou em quarto na Bundesliga à frente de clubes como o Schalke ou o Wolfsburgo, a sua saída do clube alemão foi natural, sendo protagonista de uma transferência a rondar os 40 milhões para a Premier League, para o histórico Arsenal.

Xhaka tem a sua grande oportunidade de embarcar para outros voos. Fonte: goonersphere.com Fonte: www.surtoolimpico.com.br
Xhaka tem a sua grande oportunidade de embarcar para outros voos
Fonte: goonersphere.com

Com isto fortaleceu a sua posição no XI da Suiça e, numa época em que terminou em quarto na Bundesliga à frente de clubes como o Schalke ou o Wolfsburgo, a sua saída do clube alemão parece ter os dias contados e onde irá, espera-se, ter no Europeu uma possível rampa de lançamento para o Borússia conseguir realizar um encaixe favorável.

De resto, é um jogador com uma grande qualidade de passe, constrói com grande qualidade sem medo de assumir e que, dada a sua forte estatura, sabe destruir jogo quando necessário e ganha grande parte dos duelos aéreos.

Outro craque em ascensão é Embolo, um jogador de apenas 19 anos, com meia Europa a seus pés e que poderá, dependendo das oportunidades que tiver, ser uma das revelações deste Europeu, dada a sua velocidade, enorme qualidade no 1 para 1 e o seu faro para golo.

ATÉ ONDE PODE IR A SELEÇÃO

Após duas derrotas nos últimos dois jogos de preparação, a Suíça pareceu não apresentar o mesmo futebol com o qual deslumbrou os seus adeptos com o fácil apuramento para este Euro’16. Contudo, visto que neste tipo de competições a moral é sempre outra, penso que a qualidade do plantel vai prevalecer.

Num grupo com a França, Roménia e Albânia, penso que o segundo lugar será disputado entre a Suíça e a Roménia. Sendo que a França é uma das favoritas a conquistar o torneio e a Albânia – apesar da boa fase de apuramento – não deve surpreender, a Suíça será posta à prova perante uma seleção que não perdeu nos últimos 27 jogos onde, inclusive, empatou frente à Espanha nos jogos de preparação para este Europeu. Embora a Suíça seja favorita ao segundo posto, as surpresas acontecem e tudo vai depender do que Shaqiri e companhia apresentarem nos três jogos.

De resto, a Suíça começa com um jogo com a Albânia o que pode, desde logo, exaltar a moral do grupo e confirmar assim o seu favoritismo, rumando aos oitavos de final. Aqui tudo dependerá da posição que ocupar, seja com a surpresa do primeiro lugar, do segundo ou um dos melhores terceiros. Partindo do princípio que terminará no segundo lugar, irá jogar com o segundo classificado do grupo C que, liderado pela Alemanha, conta com seleções como a Irlanda do Norte, Ucrânia ou Polónia. Portanto, com qualquer uma destas seleções tem tudo para chegar aos quartos-de-final onde aí poderá jogar com seleções com a Espanha, isto, claro está, se surpresas não acontecerem.

A minha aposta será assim que a Suíça possa chegar aos quartos-de-final. Portanto, muita atenção a este histórico do futebol europeu.

 Foto de capa: mantosdofutebol.com.br

Artigo revisto por Bárbara Mota

Júnior Barroso

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