Alemanha 0-1 México: Tricolor sem medo do campeão

- Advertisement -

No jogo de abertura do Grupo F, a atual Campeã do Mundo mediu forças contra uma selecão mexicana determinada a quebrar o enguiço que, desde 1986, não a tem deixado passar dos oitavos de final da competição.

E que partida que foi esta. Nos três primeiros minutos, já se tinha visto uma boa hipótese para cada equipa, graças a um canto para o México e a um remate de Timo Werner para a Alemanha. Criou-se um jogo intenso e pouco característico numa fase tão madrugadora do torneio: tanto uma equipa como outra procurava exercer pressão alta. No entanto, os mexicanos mantinham-se calmos mesmo perante este ritmo elevado. Cada jogador tricolor encontrava-se sempre com duas linhas de passe e surgiam várias triangulações com Herrera, Lozano e Carlos Vela no centro das atenções.

Claramente, os alemães não esperavam esta qualidade de jogo do México, e prova disso foi ver Toni Kroos a perder a sua calma característica e ir protestar com o árbitro após uma decisão da qual discordou. Os Campeões do Mundo não estavam a conseguir fazer o seu jogo. Aliás, era precisamente Kroos quem melhor espelhava a frustração coletiva, renunciando à sua qualidade de passe e recorrendo a remates de longe, que Guillermo Ochoa ia encaixando com facilidade.

Os mexicanos eram muito compactos a defender, com uma linha de três homens a tornar-se numa de quatro sempre que a Alemanha tinha a bola. E, se estavam a ter grande sucesso nas jogadas construídas, mostravam-se igualmente aptos no contra ataque: a velocidade de Lozano e Vela estava a ser um problema para Hummels e Boateng, que acabavam por beneficiar de algumas más decisões dos latinos no último terço.

Mas aos 36 minutos isso já não aconteceu: outro contra-ataque incisivo, liderado por Javier Hernandéz, Carlos Vela e Hirving Lozano, que terminou com este último a pôr o esférico para lá de Manuel Neuer. Estava feito o 1-0 e consumada a superioridade do México.

Ao longo desta primeira parte, houve algo verdadeiramente insólito: com cada passe de um jogador tricolor, ouviam-se “Olés” vindo das bancadas. Com razão? Talvez. Afinal de contas, ver a Alemanha sob estas dificuldades era algo com que nem o mais otimista dos mexicanos teria sonhado antes do jogo.

A Alemanha foi surpreendida pelo México
Fonte: DFB

No regresso aos balneários, havia uma palavra para descrever a exibição do México: irreverência. Quem não soubesse nunca diria que aqueles jogadores de verde, branco e vermelho estavam a jogar contra um dos favoritos do Mundial. Fizeram o seu jogo, não mostraram respeito pelos alemães nem os deixaram tomar as rédeas da partida. Héctor Herrera parecia encher o campo inteiro e Vela parecia capaz de correr de Moscovo até Lisboa se ninguém o parasse. 45 minutos de excelência da Tri devidamente recompensados.

Ao intervalo, Joachim Löw não mexeu na equipa, ao contrário daquilo que se esperava. Na segunda parte, o México acabou por deixar de parte a construção ofensiva: recuou, formou um bloco à frente da área e apostou na rapidez dos seus atacantes. Os passes já não saíam tão bem mas a Alemanha continuava incapaz de fazer o seu jogo: muitas bolas bombeadas para a área, muitas tentativas a longa distância e uma intranquilidade pouco comum na Mannschaft.

A meia hora do final, entrou Marco Reus para o lugar de Khedira (teve um dia para esquecer: foi engolido por Herrera e Andrés Guardado no centro do campo). Do lado do México, as saídas de Carlos Vela e Hirving Lozano confirmaram a orientação defensiva da Tri. A linha da defesa era agora composta por cinco homens.

A meia hora final foi pautada por sucessivos cruzamentos dos alemães, interrompidos pelo ocasional contra-ataque mexicano, agora sem o mesmo fulgor. Os alemães faziam circular a bola, mas esta parecia nunca chegar aos homens mais adiantados – Timo Werner e Mario Gómez (que, entretanto, havia entrado para o lugar do lateral esquerdo, Plattenhardt). Neuer ainda fez uma das suas e subiu à área mexicana, mas já não foi suficiente.

Na primeira parte, o México soube jogar; na segunda, soube sofrer. Para a história fica a primeira derrota alemã num jogo de abertura do Mundial desde 1982 e uma vitória memorável da Selecão Mexicana; para o futuro ficam muitas dúvidas quanto à revalidação do título da Mannschaft e um entusiasmo por aquilo que os latinos ainda podem mostrar.

Foto de Capa: Twitter oficial da Seleción Nacional de México

Gonçalo Taborda
Gonçalo Tabordahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo vem de Sacavém e está a tirar o curso de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. Afirma que tem duas paixões na vida: futebol e escrita. Mas só conseguia fazer uma delas como deve ser, por isso decidiu juntar-se ao Bola na Rede.                                                                                                                                                 O O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Sporting tem surpresa preparada para o jogo de apresentação: promessa é destaque em Alcochete e já passou pelo Benfica

A equipa técnica do Sporting já decidiu e vai integrar Eduardo Felicíssimo no plantel principal durante 2026/27.

Ex-treinador adjunto da Seleção Nacional a caminho do Chelsea

Austin MacPhee, treinador de bolas paradas, vai deixar o Aston Villa para representar o Chelsea na próxima temporada.

Mercado: FC Porto pretende internacional neerlandês para resolver problema no plantel

O FC Porto pretende contratar Vincent Janssen, ponta de lança que representava os belgas do Royal Antwerp. Atualmente, está livre.

Hamburgo SV inicia contactos com o Arsenal para fazer regressar Fábio Vieira

O Hamburgo SV quer contratar Fábio Vieira e já iniciou contactos com o Arsenal tendo em vista uma transferência a título definitivo.

PUB

Mais Artigos Populares

Real Madrid: José Mourinho perde ‘batalha’ com Florentino Pérez

António Dias e Antonio Pintus vão ser os dois preparadores físicos do Real Madrid durante a presente temporada.

João Virgínia quer deixar o Sporting para ter mais tempo de jogo

João Virgínia quer deixar o Sporting para jogar com maior regularidade. O guarda-redes realizou apenas oito jogos pelos leões na última temporada.

A surpresa do FC Porto no jogo de apresentação da temporada passada: Luuk de Jong foi anunciado no Estádio do Dragão

Luuk de Jong foi apresentado como reforço do FC Porto no jogo de apresentação frente ao Atlético de Madrid, na última temporada.