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Alemanha 0-1 México: Tricolor sem medo do campeão

Gonçalo Taborda · 4 min

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No jogo de abertura do Grupo F, a atual Campeã do Mundo mediu forças contra uma selecão mexicana determinada a quebrar o enguiço que, desde 1986, não a tem deixado passar dos oitavos de final da competição.

E que partida que foi esta. Nos três primeiros minutos, já se tinha visto uma boa hipótese para cada equipa, graças a um canto para o México e a um remate de Timo Werner para a Alemanha. Criou-se um jogo intenso e pouco característico numa fase tão madrugadora do torneio: tanto uma equipa como outra procurava exercer pressão alta. No entanto, os mexicanos mantinham-se calmos mesmo perante este ritmo elevado. Cada jogador tricolor encontrava-se sempre com duas linhas de passe e surgiam várias triangulações com Herrera, Lozano e Carlos Vela no centro das atenções.

Claramente, os alemães não esperavam esta qualidade de jogo do México, e prova disso foi ver Toni Kroos a perder a sua calma característica e ir protestar com o árbitro após uma decisão da qual discordou. Os Campeões do Mundo não estavam a conseguir fazer o seu jogo. Aliás, era precisamente Kroos quem melhor espelhava a frustração coletiva, renunciando à sua qualidade de passe e recorrendo a remates de longe, que Guillermo Ochoa ia encaixando com facilidade.

Os mexicanos eram muito compactos a defender, com uma linha de três homens a tornar-se numa de quatro sempre que a Alemanha tinha a bola. E, se estavam a ter grande sucesso nas jogadas construídas, mostravam-se igualmente aptos no contra ataque: a velocidade de Lozano e Vela estava a ser um problema para Hummels e Boateng, que acabavam por beneficiar de algumas más decisões dos latinos no último terço.

Mas aos 36 minutos isso já não aconteceu: outro contra-ataque incisivo, liderado por Javier Hernandéz, Carlos Vela e Hirving Lozano, que terminou com este último a pôr o esférico para lá de Manuel Neuer. Estava feito o 1-0 e consumada a superioridade do México.

Ao longo desta primeira parte, houve algo verdadeiramente insólito: com cada passe de um jogador tricolor, ouviam-se “Olés” vindo das bancadas. Com razão? Talvez. Afinal de contas, ver a Alemanha sob estas dificuldades era algo com que nem o mais otimista dos mexicanos teria sonhado antes do jogo.

A Alemanha foi surpreendida pelo México
Fonte: DFB

No regresso aos balneários, havia uma palavra para descrever a exibição do México: irreverência. Quem não soubesse nunca diria que aqueles jogadores de verde, branco e vermelho estavam a jogar contra um dos favoritos do Mundial. Fizeram o seu jogo, não mostraram respeito pelos alemães nem os deixaram tomar as rédeas da partida. Héctor Herrera parecia encher o campo inteiro e Vela parecia capaz de correr de Moscovo até Lisboa se ninguém o parasse. 45 minutos de excelência da Tri devidamente recompensados.

Ao intervalo, Joachim Löw não mexeu na equipa, ao contrário daquilo que se esperava. Na segunda parte, o México acabou por deixar de parte a construção ofensiva: recuou, formou um bloco à frente da área e apostou na rapidez dos seus atacantes. Os passes já não saíam tão bem mas a Alemanha continuava incapaz de fazer o seu jogo: muitas bolas bombeadas para a área, muitas tentativas a longa distância e uma intranquilidade pouco comum na Mannschaft.

A meia hora do final, entrou Marco Reus para o lugar de Khedira (teve um dia para esquecer: foi engolido por Herrera e Andrés Guardado no centro do campo). Do lado do México, as saídas de Carlos Vela e Hirving Lozano confirmaram a orientação defensiva da Tri. A linha da defesa era agora composta por cinco homens.

A meia hora final foi pautada por sucessivos cruzamentos dos alemães, interrompidos pelo ocasional contra-ataque mexicano, agora sem o mesmo fulgor. Os alemães faziam circular a bola, mas esta parecia nunca chegar aos homens mais adiantados – Timo Werner e Mario Gómez (que, entretanto, havia entrado para o lugar do lateral esquerdo, Plattenhardt). Neuer ainda fez uma das suas e subiu à área mexicana, mas já não foi suficiente.

Na primeira parte, o México soube jogar; na segunda, soube sofrer. Para a história fica a primeira derrota alemã num jogo de abertura do Mundial desde 1982 e uma vitória memorável da Selecão Mexicana; para o futuro ficam muitas dúvidas quanto à revalidação do título da Mannschaft e um entusiasmo por aquilo que os latinos ainda podem mostrar.

Foto de Capa: Twitter oficial da Seleción Nacional de México

A FIGURA

Fonte: FIFA

Hirving Lozano – O talento do extremo esquerdo do PSV já era conhecido por todos os adeptos mexicanos e pelos espectadores da Eredivise. Mas restava saber o que é que um rapaz de 20 anos iria fazer naquela que é a maior competição futebolística. E eis que, logo no seu primeiro jogo num Mundial, ele marca um golo contra a Seleção Alemã e atormenta constantemente alguns dos melhores defesas do futebol europeu.

Se é nele que estão depositadas as esperanças dos tricolor, então estão muito bem depositadas.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: FIFA

Timo Werner – Apesar de um bom início de jogo, acabou por se isolar no resto da partida. Toni Kroos e Özil não conseguiram fazer-lhe chegar a bola e o avançado do RB Leipzig também não encontrou os espaços onde ela lhe poderia chegar.

Com a Alemanha desesperadamente à procura do golo, teria de ser Timo Werner a providenciá-lo, mas simplesmente não conseguiu.

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Gonçalo Taborda

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