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Apesar de só definir os 23 convocados no dia 02 de Junho, para já, os 28 pré-seleccionados de Juan Carlos Osorio para o Campeonato do Mundo são:
Guarda-Redes: Guillermo Ochoa, Alfredo Talavera, Jesús Corona
Defesas: Héctor Moreno, Jesús Gallardo, Néstor Araujo, Carlos Salcedo, Diego Reyes, Miguel Layún, Edson Álvarez, Hugo Ayala, Oswaldo Alanís.
Médios: Rafael Márquez, Erick Gutiérrez, Marco Fabián, Jonathan dos Santos, Héctor Herrera, Jesús Molina, Giovani dos Santos, Andrés Guardado.
Avançados: Jürgen Damm, Javier Aquino, Carlos Vela, Jesús “Tecatito” Corona, Hirving Lozano, Raúl Jiménez, Javier “Chicharito” Hernández.
TRIVIA
– A melhor participação numa fase final de um Mundial aconteceu nos anos de 1970 e 1986, quando a Selecção Nacional do México atingiu os Quartos-de-final, sendo respectivamente eliminada pelas selecções da Itália e Alemanha Ocidental.
– O jogador mais vezes internacional pela Selecção Nacional do México é Claudio Suárez, com 177 internacionalizações.
– O melhor marcador de sempre da Selecção Nacional do México encontra-se ainda no activo e trata-se de Javier “Chicharito” Hernández, com 49 golos.
O Percurso

O apuramento para o Mundial da zona CONCACAF está dividido em duas fases de grupos, sendo que a primeira fase tem três grupos, cada um com dois lugares de acesso à segunda fase. Essa segunda fase, composta pelas seis selecções qualificadas da primeira fase, é a que apura directamente as três primeiras selecções, enquanto que a quarta classificada disputa um Play-off de acesso.
Na primeira fase, inserida no mesmo grupo da selecção das Honduras, Canadá e El Salvador, terminou em primeiro lugar, com 16 pontos em 18 possíveis. No total dos seis jogos, venceu cinco e empatou um, com um registo de 13 golos marcados e um sofrido. De salientar que o empate foi somente no último jogo de todos, contra as Honduras. Uma vez qualificados para a segunda fase e disputando o acesso directo com Panamá, Costa Rica, Honduras, Estados Unidos da América e Trinidade e Tobago, o registo não ficou muito atrás, não deixando qualquer dúvida sobre qual seria o candidato mais forte ao primeiro lugar. Nos dez jogos desta fase de qualificação, venceu seis, empatou três e perdeu um, sendo a derrota novamente aplicada na última jornada (e novamente contra as Honduras!), quando a primeira posição já se encontrava assegurada. Qualificou-se para o Campeonato do Mundo 2018 com 21 pontos, 16 golos marcados e sete sofridos.
Podemos dizer que foi um percurso praticamente imaculado.
A Estrela da Companhia

Javier “Chicharito” Hernández – Quem não conhece “Chicharito” Hernández? É um jogador que simplesmente dispensa apresentações. Lançado por Javier Aguirre na Selecção Mexicana, em 2009, o Campeonato do Mundo de 2010 foi a grande rampa de lançamento para a carreira que construiu desde então. Sir Alex Ferguson estava atento e, ainda antes da prova começar – e de forma a evitar uma valorização que pudesse levar outro clube a contratá-lo –, decidiu avançar para a contratação do jovem prodígio mexicano, na altura com 23 anos de idade. “Chicharito” é o que, na gíria, se costuma chamar de “rato de área”. Não tendo uma estatura particularmente alta (mede 1,75m e pesa 68kg), o ponta-de-lança natural de Guadalajara demonstra grande qualidade no jogo aéreo, antecipando-se bastante bem nos lances dentro da área. Concentrado, ágil e rápido a atacar os lances, demonstra uma frieza finalizadora letal. 100 jogos e 49 golos depois, o actual ponta-de-lança do West Ham United FC fará na Russia a sua terceira aparição num Campeonato do Mundo, depois das participações de 2010 e 2014. Tendo em conta a sua idade (actualmente com 29 anos), é bastante provável que esteja também presente no Qatar, em 2022, caso a Selecção Mexicana se qualifique.
A Revelação

Hirving “Chucky” Lozano – “Chucky” Lozano, de 22 anos, é uma das grandes armas dos mexicanos para atacar o Mundial. Natural da Cidade do México, começou o seu percurso no Pachuca, onde se destacou e de onde seguiu, no início da temporada 2017/2018, para o PSV Eindhoven. Após uma primeira temporada na Europa, os números são reveladores da sua qualidade: pelos holandeses, disputou 34 jogos e assinou 19 golos e 11 assistências. Ora, convém esclarecer que Lozano não se trata sequer de um ponta-de-lança. Jogando a partir de uma das alas, é na esquerda que “Chucky” se pode notabilizar. Derivando desse flanco para o centro, faz uso da sua técnica e do seu forte pontapé com bastante facilidade. A estas características, alia a velocidade a uma poderosa e imprevisivel capacidade de drible. Este jovem, trata-se de uma grande promessa mexicana e está já nas bocas do Mundo e nos relatórios dos olheiros dos principais clubes. Actualmente, especula-se que tem vindo a ser disputado por vários tubarões europeus – principalmente da Premier League –, entre eles o Chelsea FC, o Everton FC, o Arsenal FC e o Manchester United FC. Crê-se, portanto, que os oito milhões de Euros investidos pelo PSV neste prodígio mexicano terão sido uma pechincha, tendo em conta o seu tremendo potencial e qualidade.
O Treinador

Juan Carlos Osorio – Juan Carlos Osorio Arbelaez nasceu em Santa Rosa de Cabal, na Colômbia, a 08 de Junho de 1961. Após uma carreira como futebolista sénior bastante fugaz – durou sete temporadas e representou somente três clubes (Deportivo Pereira, da Colômbia, SC Internacional, do Brasil, e Once Caldas, da Colômbia) –, Osorio iniciou a sua carreira em equipas técnicas, em 2000, como treinador-adjunto do MetroStars, clube dos Estados Unidos da América (hoje, denominado New York Red Bulls). Esta passagem de uma temporada abriu-lhe portas no Manchester City FC, onde esteve desde 2001 até 2005 – também como treinador-adjunto – e onde trabalhou com treinadores como Kevin Keegan e Stuart Pearce. Após estas temporadas, regressou à Colombia onde orientou o Millonarios FC e onde se estreou como treinador principal. A partir daí, seguiram-se passagens pelos EUA (Chicago Fire e NY Red Bulls), Colômbia novamente (Once Caldas), México (Club Puebla), regressou à Colômbia (Club Atlético Nacional) e terminou como técnico principal de clubes no Brasil (São Paulo FC). Em 2015, foi contactado para suceder a Miguel Herrera como seleccionador da Selecção Nacional do México, cargo que mantém até hoje.
Durante as três temporadas à frente de “El Tri”, Juan Carlos Osorio já conseguiu deixar a sua marca na forma como a equipa se comporta dentro de campo. Partindo de uma base assente num 4x3x3, com um médio-defensivo e duplo-pivot à sua frente, a Selecção Mexicana mostra bastante alternância conforme o momento do jogo. Da partida que tive a oportunidade de observar (o amigável contra a Selecção da Bélgica, que terminou com um empate a três bolas), a Selecção Mexicana apresentou-se com o seguinte onze inicial: Guillermo Ochoa, Carlos Salcedo, Néstor Araujo, Héctor Moreno, Miguel Layún, Diego Reyes, Héctor Herrera, Andrés Guardado, Carlos Vela, “Chucky” Lozano e “Chicharito” Hernández.
No momento de organização ofensiva, a Selecção Mexicana de Juan Carlos Osorio dispõe-se, declaradamente, num 4x3x3:
Procurando construir jogo desde trás, impõem uma circulação de bola paciente no momento em que o adversário se encontra defensivamente organizado. Incluindo o guarda-redes na fase de construção, também os centrais são participativos, apesar de comprometerem um pouco. Devido a essa limitação, Andrés Guardado é o responsável por transportar jogo desde a defesa, recuando constantemente ao nível dos centrais, seja para auxiliar, seja para assumir a construção de jogo. Ainda que a equipa não se encontre muitas vezes desequilibrada devido à subida dos seus laterais (Miguel Layún é o lateral que mais sobe para auxiliar o ataque, enquanto que Carlos Salcedo é o lateral mais posicional), Diego Reyes torna-se muito importante na posição 6, de forma a manter a equipa equilibrada no momento da perda. Héctor Herrera é o dínamo da equipa, sendo fundamental na ligação entre o meio-campo e o ataque, seja através de combinações curtas e à procura de jogo entre-linhas ou por intermédio de passes longos em busca da profundidade. Por falar em profundidade, esta é uma arma poucas vezes utilizada pela Selecção Mexicana e que deveria ser mais vezes explorada. Na minha opinião, com Carlos Vela, “Chucky” Lozano e “Chicharito” Hernández – avançados rápidos e desconcertantes nas suas acções –, haveria condições para solicitar mais vezes a profundidade e causar ainda mais perigo.
Em organização defensiva, a Selecção Mexicana transforma-se tácticamente num 4x2x3x1, com um duplo-pivot à frente dos centrais:
Neste momento do jogo, apresentam uma organização defensiva com um bloco bastante curto e compacto. Outro dos principios mais fortes da “El Tri” é a pressão alta que fazem, tentando quebrar a primeira fase de construção do adversário. Adicionalmente, atacam de forma intensa e agressiva o portador da bola contrário, em busca de recuperarem rápidamente a posse de bola. No geral, podemos considerar a Selecção Mexicana uma equipa bem organizada defensivamente, ainda que, no momento de transição defensiva, se tornem algo permeáveis, devido ao facto de não conseguirem controlar muito bem o espaço nas suas costas.
Quão alto pode sonhar?

A Selecção Nacional do México está inserida no Grupo F, juntamente com as selecções da Alemanha, Suécia e Coreia do Sul. Apesar de ser um grupo algo equilibrado (com claro favoritismo para a Alemanha), a verdade é que vejo “El Tri” como a selecção mais forte a ocupar o segundo lugar do grupo.
Nesta edição da competição, creio que não terá tido a melhor das sortes no cruzamento dos grupos. Caso se qualifique para os Oitavos-de-Final, o grupo F cruzará com o grupo E, onde estão as selecções do Brasil, Suíça, Costa Rica e Sérvia. Ora, na eventualidade de se qualificar no segundo lugar, muito provavelmente irão encontrar a Selecção Brasileira, visto que os segundos classificados disputarão a qualificação com os primeiros classificados do grupo com que se cruzam.
A menos que se qualifiquem em primeiro lugar no seu grupo, será muito difícil que os mexicanos consigam ultrapassar os Oitavos-de-Final. Esperemos para ver o que farão os comandados de Juan Carlos Osorio, tendo como certeza que disputarão cada jogo como se se tratasse do último.
Foto de capa: FIFA











