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Com a terceira jornada da Liga dos Campeões aí à porta, há um nome que salta à vista entre as tabelas dos diferentes grupos. O FC Sheriff, da Moldávia, lidera o grupo D com seis pontos. Duas vitórias em dois jogos na época de estreia, incluindo um triunfo no Santiago Bernabéu, que já entrou para a história como um dos mais surpreendentes de sempre.
Desde 1992, a “Champions” já viu a sua parte de resultados inesperados. No entanto, foram poucos os clubes mais modestos, ou menos habituados a estas andanças, que conseguiram suster o ímpeto e enveredar por uma caminhada sensacional.
Como curiosidade ou inspiração para os moldavos, aqui ficam cinco dessas equipas que foram mais longe do que qualquer expetativa.
5. Fenerbahçe SK (2007/2008) – Sangue turco com toque sul-americano
💛💙 Volkan Demirel sends Fenerbahçe to the quarter-finals #OTD in 2008 🧤@1VolkanDEMIREL | @Fenerbahce_EN | #UCL pic.twitter.com/VK7lQXri6h
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) March 4, 2021
Um dos três gigantes turcos, o Fenerbahçe sempre gozou de alguma boa reputação na Europa. Mas a verdade é que as 18 participações que soma na prova máxima do futebol europeu não estão recheadas de sucesso.
Desde que a fase de grupos foi incluída no formato da Liga dos Campeões, a equipa de Istambul só seguiu em frente numa ocasião, em 2007/2008. Zico era o treinador e brilharam nomes como Demirel, Diego Lugano, Alex, Semih Senturk, Deivid ou… Roberto Carlos.
Na fase de grupos, os turcos terminaram no segundo lugar, com 11 pontos, atrás do favorito FC Internazionale Milano e à frente do PSV Eindhoven e do CSKA Moscovo. O resultado mais surpreendente veio logo na primeira jornada, quando um golo de Deivid foi suficiente para derrotar o campeão italiano em título.
O duelo frente ao Sevilla FC, nos oitavos, foi um dos mais espetaculares da história da competição. Em Istambul, a equipa da casa venceu por 3-2 e na segunda mão, os sevilhanos responderam da mesma moeda. Um agregado de 5-5, que levou o jogo até prolongamento e penáltis. Aí, de novo 3-2, favor dos turcos.
Nos quartos de final da Liga dos Campeões, o Chelesa FC levou a melhor, mas o Fenerbahçe vendeu cara a derrota. Mais uma vez com o fator casa a seu favor, os homens treinados por Zico venceram por 2-1. Deivid marcou na própria baliza aos 13’, mas corrigiu o erro aos 81’, dando a vitória ao Fenerbahçe depois de Kazim Kazim ter empato o jogo aos 65’. Em Londres, o 2-0 a favor do Chelsea ditou um afastamento honroso.
4. FC Girondins Bordeaux (2009/2010) – Campeões a superar as expectativas
😍 Yoann Gourcuff could hit them too…#UCL | @girondins pic.twitter.com/y1oKp32kte
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) December 3, 2019
Entre o fim do domínio de oito anos do Olympique Lyonnais e o início do domínio do Paris Saint-Germain FC, a Liga Francesa teve quatro vencedores em quatro edições diferentes. O primeiro desses foi o Bordéus, que entrou na “Champions” de 2009/2010 com o estatuto de campeão francês. Orientados por Laurent Blanc, os girondinos até tinham um plantel interessante, mas já vamos ver porque esta campanha é tão surpreendente.
É que, na fase de grupos, foram sorteados juntamente com o FC Bayern Munchen e a Juventus FC, para além dos israelitas do Maccabi Haifa FC. Poder-se-á argumentar que alemães e italianos não passavam os melhores momentos, mas vencer o grupo com uns impressionantes 16 pontos e apenas dois golos sofridos é um feito de assinalar.
As duas vitórias em casa frente a esses colossos do futebol mundial e o triunfo por 2-0 em Munique perduram, seguramente, na memória dos adeptos do Bordéus. Nos oitavos-de-final, os franceses foram brindados pela sorte, evitando alguns tubarões. O adversário foi o Olympiacos FC, ultrapassado com um agregado de 3-1.
Curiosamente, a eliminação veio aos pés de outra equipa francesa: o Olympique Lyonnais, que nos oitavos tinha eliminado o Real Madrid CF. O 3-1 da primeira mão, em Lyon, acabou por ser determinante, com o 1-0 da segunda mão, em Bordéus, a revelar-se insuficiente.
3. Leeds United FC (2000/2001) – 16 jogos para a história
⚪️ Leeds United 3-0 Deportivo, #OTD in 2001 quarter-finals… @LUFC | #UCL pic.twitter.com/titv3IKK7C
— UEFA Champions League (@ChampionsLeague) April 4, 2021
Não se pode dizer que o Leeds United tenha um longo historial de participações na prova rainha do futebol de clubes, mas quando lá chega deixa a sua marca. Esteve duas vezes na Taça dos Campeões Europeus e foi finalista vencido em 1975 e semifinalista em 1970. Na atual Liga dos Campões só participou numa ocasião e chegou às “meias-finais”.
Em 2000/2001, a Liga dos Campeões disputava-se num formato de duas fases de grupos, o que, em teoria, dificultava ainda mais a existência de surpresas. No total, o Leeds fez 16 jogos. Na primeira fase de grupos, os ingleses viram-se num grupo com AC Milan, FC Barcelona e Besiktas JK, mas não se acanharam. Em casa não perderam e fora de casa só foram derrotados em Camp Nou. Os nove pontos conquistados foram suficientes para passar em segundo lugar, atrás do AC Milan.
Na segunda fase de grupos os adversários eram o Real Madrid CF, a SS Lazio e o RSC Anderlecht. Apesar de terem perdido os dois confortos com os espanhóis – um deles, um frenético 3-2 no Santiago Bernabéu – foram, por exemplo, ganhar a Roma e golearam em Bruxelas. Mais uma vez, garantiram o segundo lugar.
Nos quartos de final eliminaram o RC Deportivo La Coruña, à data, uma das boas equipas do futebol espanhol. A goleada por 3-0 em casa, com golos de Ian Harte, Alan Smith e Rio Ferdinand, permitiu que os ingleses perdessem na Galiza por 2-0. Nas “meias”, mais um adversário espanhol: o Valencia CF. Infelizmente para os ingleses, a caminhada não acabou em beleza, depois de um empate a zero, em casa, e um duro 3-0 em Valencia.
2. IFK Gotemburgo (1994/1995) – Um feito 100% sueco
23rd November 1994. IFK Gothenburg vs Manchester United, UEFA Champions League. pic.twitter.com/hHn851vp4V
— Cantona The Book (@CantonaTheBook) November 23, 2020
Durante os anos 80 e 90 o clube sueco foi presença habitual no degrau mais alto do futebol europeu, tendo até chegado às meias-finais da Taça dos Campeões Europeus em 1986.
Desde a criação da Liga dos Campeões, em 1992/1993, a assiduidade foi caindo, contando-se apenas quatro aparições. A melhor de todas foi na temporada 1994/1995. Tão boa que, hoje, parece mentira dizer que o IFK Gotemburgo já ficou em primeiro num grupo com FC Barcelona, Manchester United FC e Galasataray SK.
Com uma equipa totalmente sueca, venceram todos os jogos em casa e ainda o confronto na Turquia, tendo empatado em Camp Nou. Para a história ficam a vitória por 2-1 frente ao Barcelona (com dois golos nos últimos 15 minutos a responder ao tento madrugador de Stoichkov) e o 3-1 diante do Manchester United.
Nos quartos de final da Liga dos Campeões acabaram eliminados pelo FC Bayern Munchen, mas não sem dar luta. Um empate a zero na Alemanha e uma igualdade a dois golos na Suécia, que permitiram aos bávaros avançar com vantagem na diferença de golos.
1. APOEL (2011/2012) – Colocar Chipre no mapa
APOEL FC UCL Group Stage 2011-12 (2nd) pic.twitter.com/r6kMOoTdDY
— APOEL FC (@apoelfcofficial) July 30, 2017
Na época 2011/2012 o APOEL chegou à fase de grupos da Liga dos Campeões pela segunda vez e sem grandes expetativas. O objetivo dos cipriotas passaria sobretudo por aproveitar o convívio entre os grandes da Europa e, quem sabe, amealhar um ou outro ponto surpreendente. A história foi bem diferente e com participação importante dos portugueses Paulo Jorge, Nuno Morais, Hélio Pinto e Hélder Sousa.
O sorteio colocou-os no Grupo G, juntamente com o FC Porto, o FK Zenit e o FC Shakthar Donetsk. Não era o “grupo da morte”, mas, na teoria, eram poucas as chances do APOEL conseguir, sequer, um lugar na Liga Europa. Na prática, os cipriotas perderam apenas um jogo e somaram nove pontos, o suficiente para ficarem no topo do grupo. As vitórias caseiras frente ao Porto e ao Zenit foram os pontos altos da primeira fase da caminhada.
Nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões o adversário foi o Olympique Lyonnais. A derrota por 1-0 em França, na primeira mão, com golo de Lazazette deixava uma boa imagem e alguma esperança numa surpresa. Em Nicósia, o velho conhecido do futebol português, Manduca empatou a eliminatória e o jogo foi a penáltis. No desempate, o APOEL ganhou por 4-3 e continuou a fazer história.
O sonho terminou nos quartos de final, aos pés do Real Madrid CF. O agregado de 8-2 espelhou as diferenças entre as duas equipas, mas para o registo ficam os golos de Manduca e Esteban Solari em pleno Santiago Berbabéu.









