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Pichichis & Taconazos #3: Sevilla, mi puto club!

Redação BnR · 3 min

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O “Pichichis & Taconazos” é um espaço dedicado à LaLiga, um campeonato pelo qual Pedro Castelo se apaixonou.

Chegar a seis jornadas do final da LaLiga e estar a seis pontos do líder pode ser visto como normal para clubes como o Barcelona, o Real Madrid ou até o atual primeiro classificado, o Atlético. Mas poucos pensariam que essa distância, nesta altura, seria possível para o clube como o Sevilla.

E, numa semana que ficou marcada pela polémica em torno da Superliga Europeia, o Sevilla foi precisamente um dos clubes que mais se evidenciou nas críticas ao projeto de Florentino e companhia. Pela boca de Monchi, a quem voltarei a seguir, fez notar que entrar nesse tipo de ideias não se coaduna com o ADN do clube. E, olhando à distância, o Sevilla é a prova de que a paixão pode ajudar a gerir um clube. Claro que o planeamento e a estratégia têm de estar igualmente presentes, mas este é um clube que se aproxima da forma como se pode viver apaixonadamente o futebol. O oposto dos ideais da Superliga Europeia.

Escrever sobre este Sevilla e não mencionar Monchi é impossível. Antigo guarda-redes do clube, fez de tudo um pouco até chegar ao lugar que lhe deu maior notoriedade. Depressa passou a ser um dos diretores desportivos mais desejados do planeta futebol. Em Espanha falou-se muito da possibilidade Barça, mas acabou por rumar a Itália, contratado pela Roma. O sucesso não foi o mesmo que tinha conhecido no Sanchez Pizjuán. Regressou a casa para preparar a época 2019/2020, contratou Lopetegui quando poucos acreditavam que podia ser a aposta certa, e os resultados falaram por si: apuramento para a Champions via LaLiga e reforçado com a conquista da Liga Europa. Mais uma Liga Europa para o Sevilla e para Monchi.

«Uma equipa é como uma pequena vila»

A frase que aqui destaco ouvi-a certo dia da boca de Manuel Cajuda. Numa ação de formação para treinadores, o experiente técnico português comparou a construção de uma equipa a uma pequena vila e explicou porquê: primeiro constrói-se a estrada principal e depois vai-se compondo o resto. O Sevilla é um excelente exemplo do que Cajuda partilhou: tem uma rua principal de grande qualidade (Bono, Koundé, Fernando, Jordán, Rakitic, En-Nesyri) e junta isso “artérias” laterais que se afirmam como excelentes vias para ajudar à circulação (Navas, Acuña, Suso, Ocampos e tantas outras boas opções).

O mérito da construção deste plantel é de Monchi e de Lopetegui. As duas caras de um projeto que promete continuar a dar cartas e que já está de olho também no futuro. A perspetiva de poder contratar Javi Galán, lateral esquerdo do Huesca, encaixa na perfeição na ideia de Monchi de contratar jogadores que mostram qualidade para se poderem afirmar no nível competitivo a que o Sevilla já nos habituou.

«Mi club… mi puto club»

Em suma, o Sevilla é a prova de que a ideia da Superliga, na minha opinião, não olha para o futebol como um desporto que sempre foi, é e sempre será um desporto do Povo. Sendo verdade que cada vez é mais difícil aos clubes menos poderosos competir com quem tem mais capacidade financeira, também é verdade que o Sevilla está a mostrar que há outras formas de construir equipas financeiras sem ter as armas dos concorrentes diretos. E é esse mérito que deve ser premiado com a presença nas principais provas europeias. Que a maior prova de clubes a nível mundial nunca seja jogada num sistema de casamentos e batizados: por convite.

E termino com a frase com que Monchi se manifestou contra a Superliga Europeia nas redes sociais: “”Mi club… mi puto club. Si no existieras, habría que crearte. Orgulloso es poco. No a la Superliga europea”.

Artigo de opinião de Pedro Castelo,
narrador ELEVEN

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