Críticas de Nuno evidenciam as dores de crescimento do VAR em Inglaterra

- Advertisement -

Foi um dos assuntos da semana e vem no seguimento da implementação do VAR na liga inglesa, que tem aberto debate nas terras de Sua Majestade. Nuno Espírito Santo, técnico do Wolverhampton, afirmou, após o nulo diante do Leicester, que as decisões tomadas pelo VAR estão a afetar aquele que é “o espírito do jogo”.

O lance que despoletou esta crítica foi um golo anulado a Leander Dendoncker, no minuto 51 do jogo diante dos foxes, pelo facto de a bola ter, acidentalmente, desviado no braço de Willy Boly antes de entrar na baliza de Kasper Schmeichel. Com as novas regras da arbitragem, qualquer golo que seja marcado ou criado com o uso da mão ou braço, mesmo que acidentalmente, será anulado. Assim, após festejos efusivos dos Wolves e após minuto e meio de espera pela decisão do VAR, o golo foi anulado.

Nuno Espírito Santo não escondeu o seu descontentamento no final do jogo: “Estou preocupado com tudo isto porque está a arruinar o verdadeiro espírito do jogo. Não vamos estragá-lo. Os adeptos vêm para celebrar os golos, não para celebrar um ‘não golo’, isso não é o verdadeiro valor em torno do futebol. Não é uma boa atmosfera. Os adeptos do Leicester estavam a celebrar um ‘não golo’. Não é esse o propósito deste desporto. Há seis meses atrás isto seria um golo válido, agora não é. É um problema do VAR”.

Dendoncker, ator do cabeceamento, também demonstrou a sua surpresa para com a decisão: “Eu pensei que era golo. Estávamos prontos para voltar ao jogo e o VAR [através dos ecrãs gigantes] informaram que talvez houvesse uma irregularidade. Fiquei surpreso. É uma nova regra e agora temos de nos adaptarmos a ela e usá-la”.

Vai ser um difícil ano de adaptação dos ingleses ao VAR. Um povo apaixonado pelo jogo num ritmo alucinante, quase sem paragens, ter que esperar um minuto que seja por uma decisão do VAR pode ser o cabo dos trabalhos. Estamos apenas na segunda jornada e são já várias as vozes contestatórias, mas penso que se deve dar algum tempo até assimilarem a introdução desta tecnologia no mítico desporto.

Até agora, as decisões tomadas têm sido de uma precisão milimétrica e com explicações aos adeptos através dos ecrãs gigantes, o que permite ao adepto perceber, de imediato, o que está a acontecer. No caso do golo anulado a Dendoncker, penso que as críticas estão mais direcionadas para com a nova regra da arbitragem do que para a utilização do vídeo-árbitro. É injusto e improducente que cada toque na bola com o braço, mesmo que este esteja junto ao corpo ou a uma distância muito curta do ponto de partida da bola, seja anulado. Percebo que queiram reduzir o número de situações dependentes do critério do arbitro, mas é impossível jogar futebol sem braços.

Ainda assim, defendo que o futebol deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico dos nossos tempos e aproveitar as ferramentas que tem para minimizar os erros, que podem ser de centímetros ou de metros, mas não deixam de ser erros. Percebo o ponto de vista de Nuno, de que se perde um pouco a magia de festejar o golo e saber imediatamente se é ou não válido, mas será preferível esperar e festejar um golo legal ou comemorar um golo ilegal?

O VAR tem, claro, muitos aspetos a melhorar, mas veio ajudar a reduzir os erros. Vão continuar a existir lances polémicos, pontos de vista diferentes e debates sobre o assunto, mas que sejam para o bem do futebol e para a procura da verdade desportiva.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers F.C.

artigo revisto por: Ana Ferreira

João Brandão
João Brandãohttp://www.bolanarede.pt
Desde cedo o avô lhe colocou o bichinho do futebol e não mais parou de crescer, expandindo-se para outras modalidades. Atento e perfecionista, gosta de analisar ao pormenor cada aspeto do jogo. Considera que o melhor que a vida nos pode dar é um bom jogo de futebol, para ver com um bom grupo de amigos.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Sporting com razões para sorrir: João Simões de regresso a uma ficha de jogo

João Simões está de regresso a uma ficha de jogo. O médio está no banco de suplentes do Sporting B x Lusitânia Lourosa.

Ex-Benfica ganha espaço numa das ‘equipas revelação’ de Espanha

Rodrigo Rêgo deixou o Benfica no último mercado. O extremo tenta ganhar protagonismo com a camisola do Castellón.

Europeu de Voleibol 2026: Portugal perde frente à Ucrânia

Portugal perde frente à Ucrânia por 3-0, para o EuroVolley 2026. Amanha a seleção nacional irá jogar frente à Macedónia do Norte.

Seko Fofana confirma retirada da seleção

Seko Fofana anunciou esta segunda-feira que se retirou da seleção da Costa do Marfim. O médio tem atualmente 31 anos de idade.

PUB

Mais Artigos Populares

Barcelona: Hansi Flick rejeita Famalicão e considera que jogador não tem a qualidade necessária

Hansi Flick rejeitou a possibilidade do Barcelona avançar para a contratação de Yassir Zabiri, avançado do Racing Santander.

Jorge Mendes já aterrou em Barcelona e pode ‘fazer tremer’ o próximo mercado de transferências

Jorge Mendes chegou durante a tarde desta segunda-feira a Barcelona e pode existir uma reunião com a estrutura blaugrana.

Vítor Campelos abandona o Celje

Vítor Campelos deixou de ser o treinador do Celje. O treinador português não estava de acordo com a direção em alguns pontos.