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A fénix de Palermo que renasce rumo à Série A

Renato Alexandre Soares · 5 min

Foto: Palermo FC

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Fundado originalmente em 1900, o Palermo FC é o clube mais histórico do sul de Itália e o sexto mais antigo do país. Quem não se lembra das estrelas que por ali passaram e que usaram o mítico equipamento rosa? Jogadores como Paulo Dybala, Edinson Cavani, Luca Toni, Javier Pastore, Andrea Barzagli, Fábio Grosso, Josip Iličić, entre muitos outros.

Apesar de nos ter oferecido tantos momentos bons e tantos craques, nem tudo foram rosas para a equipa Rosonera. Desde demissões a inúmeras vendas do clube, passando pelas falências, castigos ou polémicas, uma mão cheia de contradições. Posto isto, podemos dividir a história do Palermo em 6 fases. Os primeiros anos; o pós-guerra até o inicio dos anos 2000; os tempos áureos de Zamparini; últimos anos de Zamparini e regresso à Serie B; novos donos, problemas financeiros e exclusão da Serie B e o Novo começo.

PRIMEIROS ANOS – DA FUNDAÇÃO A 1947

Fundado em 1900 como Anglo Palermitan Athletic and Football Club, a equipa italiana passou por uma sucessão de crises e teve que se reestruturar imensas vezes sob diferentes nomes e direções, andando a subir e descer de divisões. Pelo meio ainda apanharam a guerra, coisa pouca, portanto.

 

DO PÓS-GUERRA AOS ANOS 2000

A instabilidade no clube continuava (mudanças na direção, falências, etc), tornou-se num clube “iô-iô”, que ia descendo e subindo divisões entre a Série A, Série B e até Série C. Pelo meio, destacam-se duas presenças em finas da Taça de Itália, ambas perdidas com o sabor amargo de poder ter feito mais (uma nos penáltis contra o Bologna, em 1974, e outra no prolongamento contra a Juventus, em 1979).

OS TEMPOS ÁUREOS DE ZAMPARINI

No verão de 2002, o clube é comprado por Maurizio Zamparini, que tinha claras intenções de afirmar o Palermo como uma equipa de Série A. Em 2003/04, vencem a Série B e voltam ao maior escalão do futebol italiano, conseguindo logo no ano seguinte a qualificação para a Taça UEFA, depois de ficar em sexto lugar no campeonato.

Na equipa Rosonera ia-se destacando “um tal” de Luca Toni, que marcou 20 golos nessa caminhada. No ano seguinte, e apesar de ter ficado no oitavo lugar, volta a conquistar lugar na Taça UEFA devido a um escândalo de fixação de resultados que avassalou a Série A e a Série B italianas. Nesse mesmo ano, o Palermo viu alguns dos seus jogadores serem coroados campeões do mundo (2006), falo de Andrea Barzagli, Cristian Zaccardo, Simone Barone e Fabio Grosso.

A estabilidade do clube foi se mantendo até ao início dos anos 2010, passando inclusive por mais uma final da Taça de Itália, perdida para o FC Internazionale Milano e pela emergência de alguns craques, como Salvatore Sirigu e Javier Pastore.

 

ÚLTIMOS ANOS DE ZAMPARINI E QUEDA PARA A SÉRIE B

Na época de 2012/13, e depois de um par de épocas menos conseguidas e repletas de renovações ao nível da infraestrutura humana do clube, a equipa da Sicília acaba mesmo por regressar à Série B, depois de nove anos no mais alto escalão do futebol italiano. Dois anos depois, em 2014/15, o Palermo volta a subir de divisão, depois de bater o recorde de pontos da Série B italiana. Na época seguinte, com Paulo Dybala e Franco Vasquez como dupla ofensiva, os rosanero ficaram a um lugar de voltar à Europa. Com a saída da “jóia” argentina, saiu também a aura que se instalava em Palermo e as épocas seguintes foram tudo menos positivas. Em 2016/17, o inevitável aconteceu e volta a descer de divisão.

NOVOS DONOS, PROBLEMAS FINANCEIROS E EXCLUSÃO DA SÉRIE B

Em 2018/2019, o clube viu-se obrigado a vender uma data de jogadores, mudou de donos mais uma vez, passou a janela de transferências de janeiro sem poder comprar ninguém, entre muitas outras complicações. Apesar de tudo isto, acabou em terceiro lugar da Série B, lugar que daria acesso ao play-off de subida, mas foi relegada para o último lugar do campeonato por irregularidades financeiras, ficando assim em lugar de descida para a Série C.

Depois de pedir revisão do caso, os responsáveis pela equipa italiana conseguiram que apenas lhes fossem retirados 20 pontos, deixando-os numa posição mais confortável. Até que, no início da época seguinte, o impensável aconteceu. O Palermo falhou em conseguir mostrar provas da sua segurança financeira à federação italiana, algo muito valorizado por esta, e para além de terem sido relegado, ainda foram excluídos de todas as ligas profissionais italianas.

 

NOVO COMEÇO

Em 2019, depois de alguma insistência do presidente da cidade de Palermo e de alguns interessados, o clube volta a ser inscrito na Série D italiana e acaba por vencê-la, garantindo assim a subida à Série C. E agora, este ano, depois de ficar em terceiro lugar no campeonato, o Palermo venceu os play-offs de subida e está de volta à Série B.

Na mesma altura em que viram a sua equipa subir de divisão, os adeptos rosaneros vêem agora aparecer a possibilidade do clube ser comprado (ou parte dele) pelo City Group, que detém nada mais nada menos que o Manchester City, o New York City, o Girona, entre outros outros clubes.

Os adeptos palermitanos merecem, mais do que ninguém, olhar com alguma esperança para o futuro do seu clube e ambicionar um projeto estável e sustentável, o que não tem acontecido.

E se, depois de tudo isto, ainda tanta gente continua a amar este pequeno “gigante” de Palermo, dúvidas não restarão sobre a sua grandeza e sobre a importância que tem, essencialmente, para a sua região. Porque dúvidas não haja de que o que não faltam são clubes que passam por muito menos obstáculos e desistem e abandonam o projeto, palavras essas que não existem no mundo Rosanero.

Renato Alexandre Soares

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