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Olheiro BnR: Mohammed Kudus

Clara Maria Oliveira · 3 min

Mohammed Kudus Ajax
Foto: AFC Ajax

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O SONHO FOI A PONTE ENTRE O GANA E A DINAMARCA

 A Right To Dream é uma academia ganesa que assinou um protocolo com os dinamarqueses do FC Nordsjælland. O clube acredita em jovens atletas africanos e dá a oportunidade a diversos talentos de poderem assinar com um clube europeu. Mohammed Kudus é um dos milhares que tentaram a sua sorte, e vem com selo de sucesso.

Aos 17 anos, o ganês rumou à desconhecida cidade de Farum, no nordeste da Dinamarca. A qualidade foi logo reconhecida e, pouco depois, já estava a jogar na equipa principal dos tigres. Isso despertou a curiosidade de alguns gigantes do futebol, que mantiveram o seu desenvolvimento debaixo de olho.

A juntar à tenra idade, Kudus apresentou, desde cedo, uma grande polivalência em terrenos avançados. Esta temporada, o jogador dividiu-se entre as funções de ponta de lança e médio centro, mas também demonstrou competência quando se deslocou para o lugar de extremo esquerdo, e até de médio defensivo.

Na época que agora termina, o atleta foi uma das grandes revelações da Superligaen. Prestes a completar o vigésimo aniversário, contribuiu com 11 golos e uma assistência, que ajudaram o FC Nordsjælland a chegar aos Playoffs da Liga da Dinamarca. No entanto, a jovem promessa africana não terminou a temporada no país escandinavo.

O AFC Ajax antecipou-se a diversos emblemas interessados no seu serviço, e nove milhões de euros pode até parecer pouco para a esperada margem de progressão do ganês. Com todos estes fatores, é difícil não pensar na semelhança de Mohammed com a filosofia Ajacied. É um casamento que tem tudo para dar certo. 

Na seleção do Gana, o médio ofensivo começa aos poucos a ser opção e, inclusivamente, marcou na estreia pelos Black Stars. A jovem estrela é a esperança da renovação de uma nação, que falhou o apuramento para o Mundial de 2018. 

O QUE ESPERAR DE MOHAMMED KUDUS?

 Além da já referida polivalência, existem outros cartões de visita. Quando o jogador se desloca em terrenos interiores, é notória a excelente capacidade de drible e controlo de bola. É comum, em alguns momentos, vermos slaloms que conquistavam metros preciosos na manobra ofensiva dos tigres de Farum.

Quando o futuro camisola 20 do Ajax entra em campo, a energia que impõe nos diferentes encontros é contagiante. Nunca dá um lance por perdido, e a velocidade que possui ajuda quando é solicitado para defender. Por isso, é bem sucedido nas situações em que a equipa fica sem a posse da bola, adaptando-se aos diferentes momentos do encontro.

O sistema tático do FC Nordsjælland dispunha-se diversas vezes num 3-4-3, com Kudus a assumir o lugar de falso nove. Essa posição no terreno permitiu ao africano a possibilidade de ganhar uma maior relação com as redes da baliza adversária. Isso ajudou o jogador a assumir o destaque na criação ofensiva dos dinamarqueses, em apenas dois anos como parte integrante da equipa principal. 

Depois de mencionar tantas boas características, falta contar sobre as dificuldades. Com apenas 1,75m de altura, o atleta não tem no jogo aéreo a sua maior virtude, mas é um momento do jogo onde pode melhorar com a experiência. Além disso, é ainda notória a pouca noção de gestão de energia, que leva a uma descida de rendimento na fase mais avançada dos jogos.

O salto de uma liga menos conhecida para um clube que luta nas competições europeias está dado. Resta perceber, ao longo da temporada que se avizinha, se as expectativas acerca de Mohammed Kudus não são exageradas. Considero o jogador bastante maduro para a idade, e tem tudo para chegar, ver e vencer com a camisola do Ajax, um clube que aposta muito (e bem) nos jovens.

 

Clara Maria Oliveira

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