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Rivaldo: Um lugar no Olimpo

Pedro Fernandez da Silva · 4 min

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Cabeçalho Futebol Internacional

Deuses, heróis, mitos, filosofia, Zeus, Alexandre O Grande, Platão ou Aristóteles são algumas das palavras e figuras que nos vêm à memória quando nos falam na Grécia. Actualmente, no plano desportivo, o golo solitário de Charisteas na final do Euro 2004 será certamente a lembrança grega mais fresca na cabeça de todos nós portugueses. No entanto, quando pensamos em Futebol e Grécia simultaneamente há um nome que nem sempre nos vem há memória: Rivaldo Vítor Borba Ferreira.

Decorria a época 2003/2004 quando Rivaldo, Campeão Europeu em título pelo Milan, decide deixar o clube e rumar ao Brasil para representar o Cruzeiro. Após época e meia em Milão, em que o seu rendimento tinha ficado muito aquém daquilo que haviam sido as expectativas, o seu regresso ao Brasil, com 31 anos, foi encarado como um ponto final na sua carreira ao mais alto nível. Para trás ficavam os tempos áureos do Barcelona ou do seu incrível Mundial da Coreia e Japão em 2002. Com uma Bola de Ouro e um Prémio de Melhor do Mundo FIFA no currículo, Rivaldo poderia ter terminado em casa e em beleza os últimos anos do seu futebol. Provavelmente, nem o próprio estaria perto de imaginar quão erradas estavam essas previsões.

Após 10 jogos no Cruzeiro, e depois de muitos rumores de regresso à Europa, inclusivamente ao FC Porto, Rivaldo, com 32 anos, assina pelo Olympiacos no verão de 2004. O Panathinaikos era o campeão em título, mas 2 empates nas últimas 3 jornadas permitiram ao Olympiacos sagrar-se campeão com apenas mais 1 ponto do que o rival. A vitória na Taça da Grécia coroou o regresso do brasileiro à Europa com uma dobradinha, numa caminhada onde Rivaldo foi absolutamente decisivo.

Rivaldo deixou a sua marca no Pireu Fonte: Goal.com
Rivaldo deixou a sua marca no Pireu
Fonte: Goal.com

Nos 2 anos seguintes o Olympiacos haveria de conquistar mais 2 campeonatos e uma taça, sempre com Rivaldo ao mais alto nível. Na sua terceira e última época ao serviço do clube do http://www.a-sports.gr Pireu, já com 34 anos, Rivaldo apontou 17 golos em 31 jogos, deixando o seu nome gravado lado a lado com os Deuses do Olimpo com a impressionante marca de 43 golos em 95 jogos!

Seria uma epopeia de sonho terminar a sua passagem na Grécia desta forma, no entanto, e apesar das três épocas impressionantes e de muitos adeptos o considerarem como o melhor jogador de sempre a actuar pelo clube, Rivaldo rescinde o contrato com o Olympiacos em litígio com o Presidente, alegando salários em atraso. No entanto, muitas vozes referiram que o Presidente havia dispensado Rivaldo pois acreditava que a sua idade, 35 anos, já não lhe permitiria jogar ao mais alto nível.

Contudo, à imagem dos heróis da Mitologia Grega, a odisseia de Rivaldo não ficaria por aqui dado que uma das suas mais belas e frustrantes páginas ainda estaria por escrever. Após a sua rescisão com o Olympiacos o brasileiro iria surpreendentemente assinar pelo rival AEK de Atenas para cumprir a temporada de 2007/2008.

O título escapava ao clube ateniense há 14 anos e, numa liga onde o Olympiacos era a força dominante, poucos seriam os que acreditavam que Rivaldo pudesse voltar a levantar o troféu pelo AEK. No plantel, ao lado de Rivaldo, figuravam os portugueses Geraldo, Manú e Edinho bem como velhos conhecidos do futebol português Moretto e Manduca. No lado do Olympiacos despontava um jovem avançado de 20 anos, recém chegado ao clube, de seu nome Kostas Mitroglou.

Quis o destino que a 4 jornadas do fim o AEK, a 2 pontos da liderança, recebesse o então líder Olympiacos. Com uma vitória estrondosa por 4-0, com 2 assistências de Rivaldo e com Edinho também a marcar e assistir, o AEK passaria para o comando da liga, de onde não mais sairia, com 3 vitórias nos restantes 3 jogos, acabando assim no 1º lugar da classificação.

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Ainda assim, nem sempre os grandes feitos épicos terminam em glória e, apesar da vitória em campo do AEK, o título de campeão foi entregue ao Olympiacos já depois do término da temporada. Uma decisão judicial atribuiu uma vitória por 3-0 ao clube do Pireu num jogo em que havia perdido por 1-0 em fevereiro, devido à utilização irregular de um jogador por parte da equipa adversária. Esses 3 pontos, atribuídos na secretaria, acabaram por entregar o título de campeão ao Olympiacos, tendo Rivaldo abandonado o clube terminando assim o seu épico percurso na Grécia.

Rivaldo assinala o 4-0 frente ao Olympiacos no final do encontro Fonte: Pinterest
Rivaldo assinala o 4-0 frente ao Olympiacos no final do encontro
Fonte: Pinterest

O brasileiro haveria ainda de conquistar 3 títulos de campeão no Usbequistão pelo Bunyodkor, passando de seguida pelo São Paulo, Kabuskorp e São Caetano antes de terminar a sua carreira no Mogi Mirim, com 43 anos, onde teve o raro privilégio de actuar lado a lado com o seu filho.

Rivaldo será seguramente lembrado pela primeira metade da sua carreira, mas o seu percurso em terras helénicas figurará na história do futebol como um dos mais incríveis Cantos do Cisne alguma vez proporcionado por um jogador. Mais do que 411 golos em 898 jogos e 18 títulos, Rivaldo alcançou o lugar mais difícil e mais ambicionado por qualquer jogador: a nossa memória!

Foto de capa: a-sports.com

Pedro Fernandez da Silva

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