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A Cidade do Futebol tem, por esta altura, uma aura especial. Lá, reúnem-se para treinar alguns dos heróis responsáveis por um dos maiores feitos de uma nação, que vão trocando muito mais que palavras, passes e gargalhadas. Trocam também olhares de cumplicidade gloriosa. Passou mais de um mês, e agora sim, já se acredita naquilo que aconteceu – eles são campeões europeus.
Mas a vida a Selecção Nacional Portuguesa não acabou no Europeu de 2016. Aponta-se à Taça das Confederações do próximo ano e ao Mundial da Rússia, em 2018. Com Fernando Santos ao leme.
Depois de analisada e especulada a defesa
do futuro português, importa, agora que os heróis se voltam a encontrar, olhar para aquilo que poderá ser o miolo luso nas próximas competições de selecções, seja ele composto por 3 ou 4 médios. Com um pivô defensivo e dois médios interiores de transição, ou com o mesmo pivô defensivo, dois médios interiores/mais abertos, mas com propensão a explorar o jogo interior/ e um mais criativo/de construção, ou uma simbiose perfeita desses três médios menos recuados, em constante movimento.
O futebol evolui e dizer que uma equipa “Joga” num determinando esquema táctico é manifestamente redutor. Já chegou, há algum tempo até, a altura em que uma equipa de futebol é muito mais que um 4x3x3 ou um 4x4x2. Essas são sequências de números cada vez mais simbólicos que indicam a forma como uma equipa se organiza na hora do pontapé de saída.
Posto isto, será sempre especulativo falar do futuro do meio-campo de uma equipa até… o ver (desconhecidas as dinâmicas que o treinador lhe quer atribuir). Não sendo isso possível, assumimos os papéis que poderão (ou não) ser interpretados por cada elemento do meio-campo nacional e projectamos os seus “actores”:
Pivô Defensivo:
Esta é uma posição transversal a um meio-campo com 3 ou 4 médios, a julgar pelas opções já efectuadas por Fernando Santos. Há sempre o “tampão”, e nesse aspecto Portugal encontra-se bem apetrechado. A prova disso esteve no Euro 2016. Danilo Pereira começou, teve alguns erros no primeiro jogo, contra a Islândia, mas isso não lhe retirou a qualidade posicional e a noção táctica que empresta ao jogo, para além disso, tem no seu 1,88m um importante argumento nos duelos individuais (ainda que no jogo com a Islândia, por exemplo, não tenha estado tão bem nesse aspecto). Dados os 24 anos (faz 25 de sexta-feira a oito dias), é um nome que Fernando Santos deverá ter em conta para as próximas grandes competições.

Fonte: Facebook Oficial de William Carvalho
O outro é William Carvalho, o detentor, por direito próprio, desta posição. Não só pelo grande Europeu que realizou mas pela melhoria na exploração da profunidade e na saída de bola, que se vieram juntar à “omnipresença” e à liberdade que confere aos colegas da frente, descontraídos nos desequilíbrios por saberem que têm as costas guardadas. Roubou, com mérito, o lugar a Danilo.
O futebol, porém, não é algo estanque. É o momento. Danilo pode voltar a tirar o lugar a William ou pode intrometer-se mais uma “actor” para assumir este papel. Depende da evolução destes dois, que ainda não estancou, e ainda da de nomes como o de Rúben Neves ou Francisco Ramos (ainda sem uma “especialidade” definida, mas com muito talento e maturidade táctica, sobretudo atendendo aos 19 e 20 anos, respectivamente)… ou de qualquer central que possa vir a ser utilizado nesta posição, crescendo de forma desmesurada na mesma. Vem à cabeça, por exemplo, Rúben Semedo, que assumiu, com brio, o “6” no Vitória de Setúbal.
Interiores (de transição, ou não):
Há um manancial de opções para esta posição. No Euro 2016, essa abundância ficou patente, ficando de fora nomes como os de André André ou Pizzi, em destaque nos respectivos clubes e com grande capacidade técnica e táctica para jogar desde o centro do terro para as alas ou vice-versa, emprestando velocidade ao jogo e qualidade no último passe. Ambos terão 29 anos em 2018, pelo que serão sempre opções a ter em conta. Porém, terão de superar os eleitos por Fernando Santos para o Euro 2016. João Mário (23 anos, 25 aquando do Mundial de 2018), a manter a forma (garantindo que a genialidade não lhe sai dos pés, porque nasceu com ele), tem raízes coladas à titularidade, podendo atuar partindo de uma das alas, do meio ou de uma posição mais avançada (criativo). Adrien também demonstra muita vontade de agarrar o lugar, e a sua entrega tem sido reconhecida por Santos. Mantendo-a, e confirmado o passo competitivo rumo à Premier League (embora não dependa dele), aumenta as hipóteses de ficar colado a um lugar no onze, tanto como interior como criativo até ao fim do mandato do Engenheiro (terá 29 anos). O mesmo se aplica André Gomes que, porém, já deu esse salto, integrando os quadros do gigante Barcelona… contudo, o ex-Benfica ainda apresenta algumas limitações no que à agressividade diz respeito (dados os 23 anos, vai muito a tempo) e poderá não ter o melhor contexto (futebol de posse, avesso ao choque) para evoluir nesse sentido, pelo que poderá perder espaço para a fornada made in Alcochete, ainda que, pela qualidade técnica e a plena noção dos momentos do jogo, seja um elemento quase garantido nas próximas grandes competições.

Facebook Oficial de João Mário
Três nomes indiscutíveis, dois a espreitar. Mas não se esgotam aqui os aspirantes a protagonistas como interiores de transição. Há que considerar, sempre, João Moutinho, que acaba de ser bafejado por ar fresco depois de marcar ao PSG e que apresenta qualidades únicas atreladas à experiência nos grandes palcos e que conferem equilíbrio à forma de jogar da selecção. Os 31 anos, porém, e a consequente perda da frescura física, tal como a baixa estatura podem sobrepôr-se à qualidade do antigo jogador do Sporting e FC Porto, que pode vir a perder espaço, sobretudo tendo em conta a evolução de vários jogadores para a “sua” zona do terreno. André André, supracitado, já foi comparado com ele e tem menos dois anos, André Horta é, também, um candidato ao seu lugar (terá apenas 21 anos em 2018), tal como Sérgio Oliveira (26) ou Francisco Geraldes (23). Não tendo a mesma noção táctica e a capacidade de equilibrar todo o jogo da equipa, isso é algo que podem adquirir ao longo do tempo e aque juntariam à agressividade, meia distância e criatividade, que cada um tem como principal característica.
Sobra Renato Sanches. Claramente um médio de transição, que dá puxões ao jogo e quebra a apatia no jogo mais aborrecido. A isto junta uma capacidade física incrível, que já lhe permite estar entre os grandes. Evoluindo com Ancellotti, não se afigura que saia dos eleitos de Fernando Santos tão cedo, ainda que possa não ser titular a breve prazo.
Criativo:
Já não existem números 10, mas existem médios adiantados de construção ofensiva. O chamado “10 moderno”. Certo que, com o crescimento táctico e estratégico do jogo, a construção do ataque começa bem lá atrás, nas mãos do guarda-redes, mas ainda há espaço para o craque que baixa (algo que um 10 não faria tanto), organiza, levanta a cabeça e coloca (ou não) a bola nas alas ou na frente, fazendo dessa opção um atalho para o golo. Também pode seguir com a bola, rematar de longe ou fintar 3 adversários e oferecer o golo de bandeja. Porque pode. Há capacidade técnica para isso.
Felizmente, em Portugal, há muitos desses miúdos a emergir. Não sabemos se Fernando Santos vai usar um deles no futuro longíquo ou a breve trecho, mas um médio mais criativo caberia que nem uma luva no sistema de jogo utilizado em França, no Euro 2016. Abrilhantava o futebol e traria rendimento desportivo no aspecto “resultadista”… caso haja a disponibilidade táctica e a noção de sacrifício pelo colectivo que, por norma, estes génios da bola, não possuem.
Muitos dos nomes acima citados podem assumir este papel, porém, quem encabeça esta lista é Bernardo Silva. Há muito que se adivinha um futuro brilhante ao jovem do Mónaco, que faz da bola uma amiga para deixar em campo o seu futebol de veludo, encantador. Terá de ganhar objectividade, sim, mas com os treinadores certos (fala-se no Real Madrid como potencial interessado), essa pode ser atingida e Portugal pode ganhar um peso pesado de 64 quilos no que toca à procura por um futebol mais bonito.

Fonte: Facebook Oficial de Bernardo Silva
Com grande capacidade técnica e capacidade de organizar o futuro ataque da selecção nacional, há outros nomes a ter em conta. Bruno Fernandes é um deles. O médio da Sampdoria está habituado ao rigor táctico da Serie A e seria um reforço interessante para o meio-campo nacional pela cultura que adquiriu em terras transalpinas, que, porém, não lhe desvirtuou a capacidade técnica e o poder de meia distância.
João Carlos Teixeira e Rony Lopes, tenham eles uma evolução táctica correspondente à capacidade técnica, podem ser soluções futuras, embora haja muito que crescer em ambos os casos.
Rafa também poderia ocupar esta posição, pela sua qualidade de definição e pela velocidade, sobretudo em jogos em que o contra-ataque fosse a palavra de ordem mas, a jogar com um criativo, Fernando Santos optaria por dois avançados móveis e seria aí que o jogador nascido no Barreiro se inseria melhor.














