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Revista do Mundial 2018 – Austrália

André Conde · 4 min

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A seleção da Austrália, ou os “socceroos”, como é conhecida, tem se mostrado uma equipa muito forte na Taça Asiática, mas não tem conseguido fazer o mesmo no Mundial. É a quinta participação dos australiano, quarta consecutiva, e procuram fazer o que apenas conseguiram fazer uma vez, passar a fase de grupos.

TRIVIA

A sua primeira participação foi em 1974, na Alemanha Ocidental, onde não passou da fase de grupos.

Em 2006, na Alemanha, alcançou a melhor participação em Mundiais, chegando aos oitavos-de-final, depois de ter sido segunda no seu grupo, caindo aos pés da futura campeã do Mundo, a Itália.

Apesar de pertencer à Oceânia, a selecção australiana joga a qualificação através da Confederação Asiática de Futebol, por ter uma maior competitividade do que na Oceânia.

A 11 de Abril de 2001 entrou para a história ao golear a Samoa Americana por 31-0, a maior goleada em jogos internacionais.

O PERCURSO

Foto de Asian Football Confederation.
Fonte: AFC

Para chegar à Rússia, a Austrália teve que viajar e muito!! Foram 250,000 quilómetros divididos entre países como o Quirguistão, Jordânia, Japão, Síria e Honduras. Os “socceroos” começaram a qualificação passando a primeira fase de grupos sem qualquer tipo de dificuldades, mas na segunda fase de grupos as dificuldades foram maiores, acabando em terceiro, atrás de Arábia Saudita e Japão. Depois, ainda tiveram de eliminar a Síria no play-off, onde nunca foram claramente superiores ao seu adversário, e só frente as Honduras, noutro play-off, conseguiram o apuramento. Frente a selecções do mesmo calibre, como os sauditas e os japoneses, os australianos mostraram sempre muitas dificuldades e só contam com uma vitória suada contra a Arábia Saudita.

A ESTRELA DA COMPANHIA

Foto de Tim Cahill.
Fonte: Facebook Oficial de Tim Cahill

Tim Cahill continua a ser o jogador em destaque da selecção da terra dos cangurus. Aos 38 anos, o avançado do Millwall é a grande referência e o melhor marcador de sempre da Austrália com 47 golos. Este será, muito provavelmente, o último Mundial de Cahill, que procura entrar para um grupo restrito de jogadores que já marcaram em quatro edições do Mundial, como Pelé ou Klose.

A REVELAÇÃO

Foto de Mathew Leckie.
Fonte: Facebook Oficial de Mathew Leckie

Mathew Leckie tem 27 anos e joga no Hertha de Berlim. Tem sido apontado por muitos como o substituto de Tim Cahill e neste Mundial acredita-se que será a passagem de testemunho do veterano para o jovem jogador. Mathew Leckie é um avançado que gosta de ter a bola e que não é muito posicional, pois ajuda a equipa na defesa. Os seus pontos fortes são o drible e o seu jogo pelo ar, onde é muito forte a cabecear. Ao serviço do conjunto germânico marcou 6 golos e tem neste Mundial a oportunidade de mostrar que é o avançado de que a Austrália irá precisar após a saída de Tim Cahill.

O TREINADOR

Foto de Bert van Marwijk.
Fonte: Facebook Oficial de Bert van Marwijk

A selecção australiana viveu um período conturbado após a qualificação para o Mundial. Ange Postecoglou demitiu-se após o jogo com a Síria. Foram 5 anos à frente da equipa, com o ponto mais alto a ser a conquista da Taça Asiática, mas o desgaste e a constante “guerra” com a imprensa fizeram o treinador abandonar o cargo. Para o seu lugar, a Federação apostou no holandês Bert Van Marwijk.

Apesar de ser holandês, a sua forma de jogar diferente muito do tradicional jogo de posse da selecção holandesa. É um treinador muito mais pragmático, que não abdica do seu 4-2-3-1. Gosta de jogar com laterais subidos, mas raramente deixa de jogar com dois médios mais de contenção e não tem problemas em colocar a equipa toda atrás da bola na altura de defender.

Van Marwijk tem experiência a nível de selecções e de Mundial. Em 2010 levou a Holanda à final, sendo derrotada pela Espanha. E, curiosamente, defrontou recentemente a Austrália, ao serviço da Arábia Saudita, no apuramento para o Mundial. Um empate no primeiro jogo e uma vitória da Austrália é o saldo. A Arábia Saudita, da qual Van Marwijk saiu por desentendimentos com a Federação, foi uma das surpresas e terminou em segundo lugar.

QUÃO ALTO PODE SONHAR?

A Austrália está no grupo C, juntamente com a França, o Perú e a Dinamarca. Este é um grupo onde, na teoria, a França é a grande favorita. Os australianos, se querem surpreender como em 2006, vão ter de lutar com dinamarqueses e peruanos, que foram uma agradável surpresa no apuramento da América Latina. A grande questão é saber que Austrália vamos ter, se a Austrália dominadora da Taça Asiática, se a Austrália que tem desiludidos dos Mundiais. Será importante também saber até que ponto a equipa já estará rotinada com as ideias do novo treinador.

Com o primeiro jogo a ser contra a França, cabe a Austrália depois jogar duas finais com Perú e Dinamarca e se os australianos quiserem passar, muito dependerá do que fizerem nestes dois jogos. No entanto partem atrás dos seus adversários e será difícil repetir o feito de 2016.

Foto de capa: FIFA

André Conde

Redação Bola na Rede · ver artigos