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Ainda o jogo da passada segunda-feira…
Após o empate invade-me um silêncio singular interrompido pelas dezenas de pessoas que, em meu redor e quase na totalidade, se viram contra essa nova ferramenta de apoio á arbitragem apelidada de VAR – Video Assistant Referee, e que me parece que se deveria chamar de VAW – Wishes Video Assistant.
Mais duro foi o silêncio segundos depois. A bola na grande área lusa, o jogador do Irão a rematar, Rui Patrício sem nada poder fazer e o Irão num minuto a revirar o resultado e eis que o pesadelo se desmembra em cada órgão meu.
“Estamos eliminados” – pensei. E estávamos mesmo!
Pi pi pi. Fim do jogo. Algum silêncio, muitas bocas para o árbitro e algumas vozes já a encaminharem-se na direcção dos ouvidos do Fernando Santos. Debandada geral. Campeões da Europa eliminados na fase de grupos do Mundial. Que vergonha!
Afinal como foi isto possível? Procuro encontrar razões e, sinceramente, não consigo encontrá-las. Ora vejamos:
O Rui Patrício bem que podia ter apanhado aquela grande penalidade, mas não o podemos culpar. Ele só gosta de brilhar nos penaltis quando é mesmo a sério, a eliminar. Porque aí é que tem a visibilidade de ser um dos melhores da Europa e torna-se mais fácil conseguir um grande contrato com grandes clubes como o Wolvephampton Wanderers FC.
Do Cédric não há nada a dizer. Com ele ninguém se lembra do Ricardo ou o Nélson Semedo: antecipa-se sempre primeiro aos adversários e no ataque naquelas correrias loucas ainda tem tempo para cruzamentos milimétricos para o Cristiano. Aquela mão? Ele não tem culpa de não estar ‘inchado’. Se andasse no ginásio como o Cristiano teria uns ombros mais salientes e a bola nunca lhe teria sequer ressaltado para o braço. Mesmo assim não era mão nenhuma. A ‘mão de Deus’ foi mão? E a ‘mão do Abel Xavier’? Então também esta não foi: ‘a mão de Cédric’.
Os nossos centrais coitados. Que culpa poderiam eles ter?
O Pepe não tem culpa dos anos passarem também por ele. Não tem culpa de jogar nesse tão competitivo campeonato turco. Mas terá ele culpa de já não andar de cabeça rapada? Com aquele cabelo mete medo a que avançados? Talvez por isso nem um amarelo tenha visto ainda neste Mundial, o que é inadmissível para um central com as suas credenciais.

Fonte: Seleções de Portugal
O Fonte esse muito menos culpa tem. Culpa de quê? De jogar (ou não) num clube lá para os territórios asiáticos onde só vão ver os jogos os chineses e o Fernando Santos? Culpa têm os que não apostaram nele nestes últimos tempos e assim em vez de temos uma fonte de líquido energético para a nossa defesa, temos uma Fonte de água turva, onde se torna impossível encontrar a qualidade do José que foi o central do Euro 2016.
O Guerreiro pode não ter estado a 100% como há dois anos, mas não culpem o homem. Ele só foi ultrapassado no jogo anterior umas quatro ou cinco vezes pelo marroquino que andava a alta velocidade naquele lado do campo. Afinal tão depressa que o homem corria que nem me lembro do nome dele. E depois quando existem aquelas bolas paradas mesmo ao jeito do seu pé esquerdo e metem o Ronaldo a marcar o livres? Como querem que ele reaja? Fica desmoralizado, cabisbaixo e quando volta a levantar a cabeça já o extremo adversário passou.
‘Com o William no meio campo nada passa!’ – era o que se ouvia dizer. Para além disso, o homem faz passes de três metros como ninguém. Jogou os três jogos e passou a vida naquilo que nos parece um “molengar atabalhoado”, mas na realidade tudo aquilo era treinado para que os adversários caíssem em cima dele (coitados, como se fosse possível alguém cair em cima daquele grandalhão), para depois lhe sair um daqueles passes de 30 metros para as costas dos defesas adversários e pumba – Golo. Embora possa parecer um pouco lento, aquilo não passa de um conselho do seu empresário: manter a serenidade que haveria de surgir ‘a proposta’ que ele tanto espera desde que rescindiu com o Bruno de Carvalho (desculpem, com o Sporting CP). Pois serenidade não lhe faltou.
Do Adrien ou do Moutinho não podemos dizer nada de mal.
O Adrien não esperava jogar antes da eliminatória com a Croácia. Passou o tempo a rever a sua fantástica marcação ao Modric de há dois anos, esperando voltar a imitá-la nos quartos de final deste Mundial. Para além disso, teve de rever os jogos que o croata já fez neste Mundial e a verdade é que chega mesmo a cansar vê-lo jogar à bola. Com certeza que, no fim de tanta visualização, o nosso médio estaria demasiado cansado para treinar.

Fonte: Seleções de Portugal
O Moutinho esse até andava bem antes de ter de aturar o Queiroz. Não chegava já tê-lo aturado em 2010? Claro que ele amuou (é normal os pequenotes amuarem quando ouvem o que não querem). E depois de uns minutos a “prender o burro”, ter-se-à lembrado que era hora de jogar. Só que o jogo já tinha terminado.
Em relação ao João Mário estamos falados. Os grandes jogadores são os que menos se vêem em campo (onde é que já li isto?). Pois então o João Mário é um grande jogador mesmo. O homem não se vê mas está lá. Se olharem bem irão ver o rapaz (que ‘injustamente’ não vingou na Itália porque lá o jogadores têm que se ver, nem que seja a carregar nos adversários), a atirar aquela bola fácil por cima da barra.
Sobre os ‘manos’ Gelson e Bruno Fernandes nada a dizer. Mais do mesmo. Ao primeiro a bola só lhe chega quando tem sete ou oito adversários para ultrapassar e claro: tenta fintá-los a todos, perde a bola e a equipa desequilibra-se como o ‘mister’ não quer. O outro remata de onde consegue ter a bola: a 30 ou 40 metros da baliza. E depois óbvio que andam desanimados e preocupados: são suplentes, ninguém lhes quer pegar e se vão para o SL Benfica terão de gastar o dinheiro do prémio de assinatura em seguranças privados. E isso preocupa qualquer um.
Sobre o Quaresma não vale a pena comentar. Quem não tem nada para fazer que vá ver a sua quadragésima septuagésima sexagésima nona trivela. Vejam aquele golaço e se não tiverem mais nada para fazer voltem a andar para trás e a rever o golo. Aí umas vinte vezes pelo menos para apreciar como deve ser. Se tiverem mais que fazer, vejam só meia dúzia de vezes enquanto almoçam ou jantam. Mas não comemorem que a comida pode cair mal mais tarde.
E o nosso Bernardo Silva? Vou contar-vos um segredo que acho que ninguém, nem mesmo o Fernando Santos sabe. Então cá vai: O Bernardo não gosta de jogar descaído numa ala. Ele é um daqueles mágicos que jogam onde os génios jogam: a 10. (Sim, eu sei que ele neste momento parece tudo menos um génio). O moço com cara de adolescente não joga nadinha na selecção. Se calhar não gosta de estar ali encostado à linha a ter de ouvir o nosso mister a ‘mandar vir’. Talvez isso o distraia. Espero ansioso por o ver jogar onde ele bem sabe, e que assim surja o Bernardo ‘Dom Sebastião’ Silva que anda escondido na penumbra do Sr Engenheiro.

Fonte: FPF
O Guedes tem ido com a calma do rapaz da publicidade. Afinal não é só o skate que é perigoso. A Ducati também é perigosa e se exagerar poderá derrapar e ficar de fora o resto do Mundial. E depois tem aquele Mustang sempre na 2.ª grelha de partida e torna-se complicado para ele não ficar incomodado com o som daquele potente motor. Guedes, a única hipótese de brilhares como andas a fazer lá em Espanha é trocares essa mota por uma Harley Davidson, porque o mister Fernando tem ar de quem gosta de máquinas mais clássicas.
Do André Silva só se pode dizer bem. Como querem que o homem esteja ao segundo poste a empurrar a bola lá para dentro (não são assim a quase totalidade dos golos dele?), se a bola nunca lá chega em condições? Assim é impossível! E depois o rapaz é novo, com sangue na guelra, as miúdas adoram-no e ele desconcentra-se com tanta beleza nas bancadas sempre a pedirem selfies ao rapaz. Assim não dá mesmo para aguentar.
Por fim o melhor: do melhor do mundo não há nada a dizer. Falhou uma grande penalidade sim. E então? E o guarda-redes do Irão? Mais um segundo e tocava com a mão na bola antes do nosso capitão rematar. E depois ele não quis que dissessem que tinha marcado uns oito ou nove no Mundial, mas que metade tinham sido de penalty. O Ronaldo não quer golos ‘dados’. Mais: melhor do mundo que é melhor do mundo tem de ser primeiro até na falta de eficácia dos 11 metros pela nossa selecção: 6 grandes penalidades falhadas. Não há como ele.
Acordo. Olho para o relógio. 6h15m da manhã. Ufa! Afinal era um sonho. Ou melhor..um pesadelo. Afinal apurámo-nos… em 2.º lugar. Afinal a história parece igual àquela de há dois anos. A diferença é que o golo fora de horas do outro jogo do grupo nos colocou na parte ‘má’ da tabela.
Em vez de irmos para mais um mini Europeu dentro do Mundial, apanhando a Rússia, e depois uma Croácia ou Dinamarca e em seguida uma Inglaterra, Suiça ou Suécia, caminhando assim para mais uma final, caímos para o tanque dos tubarões. Vamos prosseguir numa rota sul americana: vamos até Uruguai, depois passamos a Buenos Aires e aterraremos no Rio. Poderia ter sido evitado! Mas não foi…

Fonte: FIFA
Mas também para que haveríamos de querer outro ‘europeu’? Isso já nós ganhámos. Estamos no Mundial. A jogar assim quem devemos temer? Não temos medo de ninguém. Venha quem vier. E se tiverem um nadinha de ‘receio’ pensem porque não evitaram em campo esta conjuntura que me parece pouco simpática? Pergunto eu que não percebo nada disto e afinal aquele maldito pesadelo já passou. Pelo menos até Sábado…
Foto de Capa: Selecções de Portugal












