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Portugal 35-23 Cabo Verde: 5 momentos-chave da vitória portuguesa em novo duelo lusófono

Filipe Pereira · 5 min

Foto: Federação Portuguesa de Andebol

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Depois do empate frente à seleção do Brasil, Portugal chegava ao jogo com Cabo Verde, obrigado a vencer para manter em aberto a possibilidade de um apuramento inédito para os quartos de final do Campeonato do Mundo de Andebol. A seleção portuguesa começou mal a partida, chegando a estar em desvantagem por mais do que uma ocasião e acabou a primeira parte com apenas 2 golos de vantagem.

Nos segundos 30 minutos, um ataque mais fluído, uma aposta no contra-golo e ainda a excelente exibição de António Areia, acabaram por levar a “Equipa das Quinas” a uma vitória confortável por 35-23. O BnR destaca os momentos mais marcantes da partida.

5. As exclusões de Cabo Verde

Semelhante ao que tinha acontecido no jogo frente à Hungria, Portugal apanhou-se em vantagem numérica numa fase muito madrugadora da partida. Um puxão de Paulo Moreno a Miguel Martins, levou o cabo-verdiano do Benfica a receber a primeira exclusão do encontro. A equipa africana até se aguentou bem em desvantagem numérica, graças a boas intervenções do guarda redes Edmilson Araújo e até abriu o marcador graças a um livre de 7 metros, apontado por Délcio Pina.

Aos 7 minutos, foi Bruno Landim a receber uma exclusão, por uma falta sobre Alexandre Cavalcanti, lateral esquerdo do HBC Nantes fazia o remate para marcar o terceiro golo dos portugueses. A seleção de Cabo Verde tornou a aguentar o resultado com menos um jogador, impedindo a formação portuguesa de passar para a frente.

A terceira exclusão em apenas 10 minutos foi para Délcio Pina, lateral esquerdo que atua ao serviço do Marítimo. Délcio foi penalizado por uma simulação, depois de embater com Cavalcanti. Esta terceira exclusão revelar-se-ia mais determinante para o rumo da partida, pois marcava o momento em que Portugal passava para a frente do marcador, construindo uma vantagem de 7 bolas a 4. 

As exclusões de jogadores cabo-verdianos não terminaram na primeira parte, sendo que a equipa africana acabou mesmo com um total de 8 suspensões na partida. Três destas suspensões foram atribuídas a Paulo Moreno, com o pivô de Cabo Verde a ser expulso no minuto 48 da partida.

4. Portugal salta para a frente do marcador

Os “Tubarões Azuis” estiveram a ganhar por quatro bolas a duas, durante a primeira parte. Todavia, Portugal foi capaz de responder e dar a volta ao resultado, construindo uma vantagem de três golos. A seleção de Cabo Verde mostrou que ainda tinha cartas no baralho e fez mesmo uma remontada para igualar a partida a sete golos. 

Só aos 22 minutos da partida é que Portugal assumiu de vez a dianteira na partida, ao apontar três golos sem resposta. O primeiro surgiu pela autoria de Fábio Magalhães que, depois de um passe de Martim Costa, entrou facilmente pela lateral esquerda e marcou o 10-9 a favor de Portugal, dando à equipa lusa uma vantagem que esta não voltaria a perder. 

Em seguida, foi a Cabo Verde, desperdiçar um remate a 9 metros da baliza, para depois ver Portugal conquistar e converter, por intermédio de António Areia, um livre de 7 metros e uma margem de dois golos. A vantagem de três golos seria reposta, através de um contra-ataque finalizado por Victor Iturriza. A vantagem portuguesa ainda tremeu, mas a igualdade entre as duas equipas não foi reposta.

3. O golo antes do intervalo

A um minuto do fim, tudo indicava que Portugal ia para o intervalo com uma vantagem de três golos, uma margem que, apesar de curta, dava um certo alívio aos portugueses depois de uma primeira meia hora que trouxe à memória o jogo frente ao Brasil. Aos 29 minutos, a seleção nacional vencia por 13-10 e até estava perto de apontar o 14º golo, mas um contra-ataque de Cabo Verde levou Bruno Landim a colocar a bola em Nélson Pina, lateral do Belenenses para reduzir o marcador.

Os “Tubarões Azuis” voltaram a marcar, desta vez, por intermédio de Felisberto Landim, colocando o resultado num 13-12, com apenas 4 segundos do primeiro tempo para jogar. No entanto, Portugal ainda foi a tempo de repor a margem de dois golos, através de um passe rápido de Miguel Espinha, para Luís Frade, com o pivô do Barcelona a marcar o 14-12 ao cair do pano, levando a protestos pela seleção de Cabo Verde, que defendia a invalidação do golo, defendendo que a bola só entrou depois de soar a buzina que assinala o intervalo,

Um golo importante para Portugal, uma vez que colocou um travão ao ímpeto cabo-verdiano, uma vez que uma desvantagem de um golo ao intervalo, tendo acabado a primeira parte em alta, podia ser motivação extra para uma entrada forte dos “Tubarões Azuis” após o período de descanso.

2. Grande início de segunda parte

A segunda parte ficou marcada por um domínio avassalador da seleção portuguesa. Nos primeiros cinco minutos do segundo tempo, Portugal conseguiu fazer três remates certeiros, sem resposta, aumentando a vantagem para uma mão cheia de golos. Dois golos apontados por António Areia, ponta direita do FC Porto, e outro por Rui Silva, central também da formação portista, aprofundaram a distância entre as duas equipas.

O segundo tempo foi, de tal forma, prolífero para Portugal que até durante os dois minutos de exclusão atribuídos a André Gomes, a “Equipa das Quinas” foi capaz de manter o equilíbrio na partida, impedindo que o jogo começasse a correr em prol de uma remontada cabo-verdiana. Aos 45 minutos, Portugal vencia já por 9 golos e tinha a vitória no bolso, muito graças a uma exibição de luxo por parte de António Areia, o melhor marcador do encontro, com 9 remates certeiros.

1. A aposta no contra-golo

Um aspeto que não pode ser reduzido a um momento em particular, sendo que foi uma tática recorrente de Portugal nesta partida, que teve um grande impacto na decisão final da partida. Os golos de baliza aberta aconteceram sobretudo quando Portugal jogava com vantagem numérica, o que obrigava Ljubomir Obradovic (selecionador de Cabo Verde) a abdicar do guarda-redes em prol de um sexto homem no ataque,

Para além da recorrência das exclusões que se observou em toda a partida com Cabo Verde, sendo que, no segundo tempo, os cabo-verdianos chegaram a apostar num ataque em 7 para 6, o que deixou baliza de seleção africana, completamente desprotegida. 

Portugal apontou mais de cinco golos a partir de situações como esta em toda a partida, exercendo grande influência na margem avultada que o resultado final apresenta entre as duas equipas. Cabo Verde vai agora despedir-se do Campeonato do Mundo com um jogo frente à Hungria e Portugal joga no mesmo dia um “tudo ou nada” em que está praticamente obrigado (caso a Islândia derrote o Brasil) a vencer a Suécia, campeã europeia em título, coanfitriã do Mundial e uma das principais candidatas à vitória no torneio.

Filipe Pereira

Redação Bola na Rede · ver artigos