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Sabíamos que o meeting de Doha, o primeira da edição 2019 da Diamond League, seria o grande destaque do fim-de-semana passado e a capital do Qatar, mais uma vez, não desiludiu em termos de qualidade do espectáculo. A nível de público, ainda não ficámos totalmente convencidos de como a cidade irá apresentar boas casas nos 10 dias de Mundiais, uma vez que as cerca de 10.000 pessoas que antes enchiam o estádio, se repetiram no International e pareceram bem menos (uma vez que o estádio tem capacidade para mais de 42.000 pessoas), mas isso é uma situação para os organizadores resolverem.
A nível de performances, no entanto, destacamos 5 prestações que encheram o olho.
5 – Obiri voltou a bater Dibaba
Os 3.000 metros eram uma das provas mais esperadas da noite de sexta-feira e não decepcionaram. Tanto Genzebe Dibaba quanto Hellen Obiri assumiram o favoritismo e lutaram pela vitória até aos metros finais. A queniana voltou a mostrar porque é muito raro perder provas que domina à entrada para a última volta. Correu em 8:25.60, marca líder mundial do ano e ainda “rebocou” Genzebe para um novo recorde pessoal em 8:26.20. Destaque também para Lilian Rengeruk que caiu, recuperou e ainda terminou em 3º lugar, também com um recorde pessoal (8:29.02)!
4 – O “falso” cansaço de El Bakkali
O marroquino El Bakkali parecia esgotado, cansado e não se vislumbrava hipótese do mesmo vencer a prova dos 3.000 obstáculos até nos aproximarmos da segunda metade da última volta, duma prova que parecia totalmente dominada pelo norte-americano Hillary Bot – que terminou em 8:08.41, grande recorde pessoal. Mais uma vez, o marroquino demonstrou que joga no mesmo campeonato dos quenianos e que este ano quer a glória em grandes palcos.
3 – Semenya dominante como habitual. Pela última vez?
Inserida nas listas de entrada a pouco mais de 24 horas da prova, sabíamos que Caster Semenya iria a Doha para marcar uma posição, depois de ver negado pelo TAD o seu recurso no que diz respeito às novas regulamentações dos límites de testosterona no desporto feminino. Sem surpresa, a sul-africana voltou a dominar esmagadoramente e cruzou a linha em 1:54.98, um tempo que provavelmente até poderá vir a ser o mais rápido do ano e um novo recorde do meeting. A partir daqui, o futuro de Semenya é cada vez mais incerto, uma vez que a mesma não pretende tomar a necessária medicação para poder competir na sua prova de eleição.
2 – Muhammad já corre mais rápido do que em todo 2018
Numa das primeiras provas em pista, Dalilah Muhammad, que é a campeã olímpica, deu uma verdadeira demonstração de força nos 400 metros com barreiras, ao correr em 53.61 segundos, um tempo que é já mais rápido que qualquer marca que a norte-americana fez em 2018. Numa altura em que muito se fala da chegada de Sydney McLaughlin, a atleta demonstrou que está bem viva e pronta para a luta, alcançado um novo recorde do meeting de Doha.
https://www.youtube.com/watch?v=oLsKncvHbjM
1 – Stahl tem a melhor série da história
Os lançamentos começaram em grande a temporada 2019 e Daniel Stahl provou que o Disco não quer ficar atrás. Com uma série verdadeiramente impressionante – os 6 lançamentos acima (ou igual) de 69.50 metros – o sueco bateu mesmo, com os seus 70.56 metros, o recorde, não só do meeting de Doha, mas sim da história da Diamond League, provando que, sem pressão, é enorme.
A festa das Estafetas mudou-se para o Japão

Fonte: IAAF World Relays 2017
Já para este final de semana, as atenções estarão concentradas em Yohohama onde decorrem os Mundiais de Estafeta, dos quais Portugal abdicou de participar. Por questões orçamentais, esta edição já não se realiza nas Bahamas – como vinha sendo habitual – sendo Yokohama, no Japão, a cidade escolhida para acolher o evento, que contará com alguns importantes nomes do Atletismo mundial.
Além das provas habituais em grandes competições, como os 4×100 e os 4×400, nestes campeonatos (uma espécie de meeting de dois dias apenas para eventos de estafetas) poderemos assistir a mais uma edição dos 4×400 mistos (disciplina que estará presente nos Mundiais de Doha e Jogos de Tóquio), bem como a provas de estafetas 4×200 e a duas estreias neste evento: 2x2x400 mistas e um “shuttle” de estafetas de barreiras, com elementos masculinos e femininos também.
Nos clássicos, 4×100, fortes formações norte-americanas demonstram que os EUA levam bem a sério a competição. Nos homens, teremos a presença do campeão mundial individual (Justin Gatlin), uma das maiores promessas mundiais (Noah Lyles), Mike Rodgers e Christopher Belcher, enquanto que nas mulheres, nomes como Tori Bowie (a campeã mundial individual), Jenna Prandini, Dezerea Bryant ou a jovem Aleia Hobbs (atenção a este nome…) garantem a qualidade habitual. Mas atenção a formações que países como a Grã Bretanha (Gemili, CJ Ujah, Mitchell-Blake e Kilty no masculino) ou a Aleamanha (no feminino, Rebekka Haase, Lisa Mayer, Burghardt e Gina Luckenkemper) trazem.
A Jamaica parece ter apostado mais, no feminino, na sua equipa 4×200, com as presenças de Elaine Thompson e Shelly-Ann Fraser-Pryce, aposta que no masculino também observámos no Japão (Aska Cambridge, Shota Iizuka…) ou na África do Sul (Akani Simbine e Luxolo Adams, por exemplo), dando algum destaque a eventos de estafetas que não têm lugar em grandes competições.

Fonte: IAAF
Nos 4×400, a nível misto nota-se bastante a ausência dos campeões (e que seriam favoritos), as Bahamas, que não trazem equipa nesta disciplina, que parece, aliás, não ter atraído a presença de grandes nomes. Já a nível masculino, sem surpresa, os EUA trazem uma forte equipa (liderada por Fred Kerley), mas terão que enfrentar uma pesada oposição de países como Trinidad & Tobago (Cedenio, Jereem Richards…) ou a Bélgica (os irmãos Borlée + Jonathan Sacoor). No evento feminino, as equipas dos EUA (entre elas, Okolo, Wimbley, Beard…), Jamaica (Le-Roy, Day, Janieve Russell…) e a Polónia (o quarteto campeão europeu) estarão entre as favoritas.
O evento de 2x2x400, tal como indica o nome, irá mostrar-nos dois atletas a fazerem dois percursos de 400 metros, abrindo espaço à imprevisibilidade. Donavan Brazier e Ce’Aira Brown parecem ter começado a época bastante bem, a brilhar nos 800 metros (principalmente em pista coberta, com grandes recordes pessoais para ambos) e deverão fazer uso desse potencial para tentar levar mais um Ouro para os EUA, mas atenção ao Quénia…
Já na estreia das estafetas para os barreiristas, existe alguma expectativa para se perceber como tal poderá resultar neste contexto, mas os EUA parecem os grandes favoritos, com uma equipa que conta com nomes como Devon Allen ou Sharika Nelvis. 7 seleções irão participar desta estreia.
Tal como a nossa Federação, a televisão portuguesa parece não dar muito destaque ao evento, uma vez que o mesmo não tem qualquer transmissão televisiva prevista para território nacional, ao contrário do que acontece em grande parte do mundo. Como tal, o evento poderá ser acompanhado em direto no Youtube, através do seguinte endereço: https://www.youtube.com/user/IAAF2012.
No sábado, as provas começam às 10h38 (hora de Portugal continental), terminando às 13h55 e no domingo irão decorrer entre as 10h10 e as 12h52.
Foto de Capa: IAAF









