Mundiais de Atletismo – Guia para Doha 2019 #2: Aqueles que ambicionam o topo do Mundo

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400 METROS BARREIRAS

Falando em recordes mundiais, este é outro que pode estar em sério risco. Na verdade, falamos de um recorde novo, com apenas dois meses.

Dalilah Muhammad (USA) correu em 52.20, em Julho, destruindo um recorde que durava há 16 anos. Em Doha poderá melhorar a sua marca ou… Perder a prova e, possivelmente, até o recorde! A sua grande rival será a grande promessa do Atletismo, chamada Sydney McLaughlin (USA), uma jovem de 20 anos que bateu todos os recordes imagináveis nos escalões jovens. Na final da Diamond League bateu Muhammad (já depois do recorde mundial de Muhammad nos Nacionais norte-americanos) e em Doha pode ser o tira-teimas.

Kori Carter (USA), a campeã mundial, estará por lá, embora neste momento não pareça em forma para ficar sequer perto do pódio. Candidatas a esse pódio são Ashley Spencer (USA), Rushell Clayton (JAM) e Zuzana Hejnová (CZE).

SALTO EM ALTURA

Mariya Lasitskene (RUS) é a absoluta favorita e até pode tentar mais um ataque ao recorde mundial, sendo a atual campeã mundial (indoor e outdoor) e europeia (indoor e outdoor). Apesar de tudo, ultimamente tem aparecido longe dos 2.06 metros que saltou há poucos meses e até perdeu no encontro Europa x EUA em Minsk. Nesse dia perdeu para Yuliya Levchenko (UKR) que saltou para um novo recorde pessoal com 2.02 metros. Levchenko, que foi Prata em Londres, terá uma palavra a dizer e outras atletas que poderão entrar na luta pelas medalhas (embora não nos pareça que o Ouro seja realista) são Yaroslava Mahuchikh (UKR), Karyna Demidik (BLR), Vashti Cunningham (USA) ou Mirela Demireva (BUL).

SALTO COM VARA

É um ano atípico em que não tem existido uma grande força dominadora, havendo várias candidatas ao Ouro. A experiência de Katerina Stefanidi (GRE) pode fazer a diferença, uma vez que a grega é a campeã mundial e olímpica, além de ter vencido a Diamond League há poucas semanas. Mas atenção às norte-americanas, especialmente a Sandi Morris (USA), que tem estado lado a lado com Stefanidi em muitas competições e que até venceu os Mundiais Indoor. Além dela, Jennifer Suhr (USA) e Katie Nageotte (USA) procuram também lugares no pódio, mas terão ainda a forte concorrência de Anzhelika Sidorova (RUS) e Alysha Newman (CAN).

SALTO EM COMPRIMENTO

A campeã mundial Brittney Reese (USA) é uma das candidatas, mas não a maior favorita ao Ouro. Isto porque Malaika Mihambo (GER) tem mostrado um nível impressionante em 2019, com seis competições acima dos sete metros (!) e com a liderança mundial num impressionante recorde pessoal de 7.16 metros nos Nacionais alemães.

Ese Brume (NIG) é outra atleta (três com Reese) que passou dos sete metros este ano e que terá no Qatar uma grande oportunidade de medalha, depois do quinto lugar nos Jogos do Rio. Destaque ainda para a presença de Caterine Ibarguen (COL) que competirá no Triplo e no Comprimento e para Tori Bowie (USA), que competirá nos 100 e no Comprimento. Maryna Bekh-Romanchuk (UKR) e Darya Klishina (RUS) são outros nomes que podem entrar na discussão das medalhas.

TRIPLO SALTO

O Triplo feminino tem mostrado um nível fantástico em 2019, com dez mulheres acima de 14.50m e 21 acima dos 14.30m, só falando de competições ao ar livre (casos há como o de Susana Costa que não o fez ao ar livre, mas fez em pista coberta). Uma marca na casa dos 14.4 pode ser necessária para alcançar a final e essa pressão extra pode afetar as favoritas na qualificação.

Ainda assim, poucos podem negar que a campeã mundial Yulimar Rojas (VEN) chega como super-favorita, depois de ter saltado impensáveis 15.41 metros em Andújar já neste mês. A marca coloca a venezuelana como a segunda de sempre, próxima de um recorde mundial que muitos diziam imbatível. A sua grande rival será uma lenda do Triplo, Caterine Ibarguen (COL), que ainda no ano passado venceu o prémio de atleta do ano e que terá em Doha que voltar a saltar acima de 15 metros se quer o Ouro, algo que já não faz desde 2016. Não serão, ainda assim, as únicas candidatas ao Ouro.

Shanieka Ricketts (JAM) surpreendeu todos ao vencer a final da Diamond League com um grande salto (e recorde pessoal) de 14.93m ao último ensaio e por isso sabe o que é vencer Rojas. Entre outras candidatas às medalhas temos Liadagmis Povea (CUB), Keturah Orji (USA), Tori Franklin (USA), Ana Peleteiro (ESP), Kimberly Williams (JAM), Olga Rypakova (KAZ) ou mesmo Patrícia Mamona (POR), que sabe que para aí chegar terá a dura necessidade de melhorar o seu recorde nacional.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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