Mundiais de Atletismo – Guia para Doha 2019 #2: Aqueles que ambicionam o topo do Mundo

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5.000 METROS 

É um evento que a IAAF eliminará de futuras Diamond League, sendo isto de certa forma inexplicável, tanto pela qualidade dos atletas, como pelas marcas e grandes provas que temos assistido, principalmente nesta liga. Três etíopes estão entre os favoritos e são os mais rápidos do ano. Telahun Bekele é o mais rápido do ano (na louca corrida de Roma, em 12:52.98), Selemon Barega é o segundo mais rápido deste ano e subiu no ano passado a quarto mais rápido de sempre (12:43.02) e Hagos Gebrhiwet já alcançou medalhas em Mundiais e Olímpicos (faltando-lhe o Ouro).

E, por falar em Ouro, não vamos esquecer o quarto etíope. Muktar Edris pouco tem competido (este ano nada a registar, a não ser um 18º lugar em Lausanne), mas é o campeão mundial, depois de derrotar Mo Farah em Londres. Entre outros grandes candidatos constam nomes como Paul Chelimo (USA), Nicholas Kimeli (KEN) ou Birhanu Balew (BRN).

10.000 METROS

Outro evento carregado de estrelas, que está praticamente limitado a grandes campeonatos. A Etiópia apresenta também aqui uma equipa muito forte, com nomes como Yomif Kejelcha ou Hagos Gebrhiwet, sendo possivelmente a nação a terminar no topo do pódio. Mas muita atenção ao Quénia, com uma equipa encabeçada por Rhonex Kipruto (KEN), bem como ao perigo que vem do Uganda, com Joshua Cheptegei (UGA). Fora do espaço africano o maior nome a considerar será o de Julian Wanders (SUI).

MARATONA

Prever Maratonas de grandes campeonatos é praticamente impossível. Tudo se torna ainda mais complicado se estivermos a falar de Maratonas com condições climatéricas muito específicas, como é esta de Doha, assim como será em Tóquio no próximo ano. Ainda assim, os três etíopes selecionados (Mosinet Geremew, Mule Wasihun e Shura Kitata) têm todos eles nome no circuito e são os únicos inscritos que já correram abaixo das 2:05.

O Quénia aposta na rapidez de Amos Kipruto (KEN) e na experiência de Laban Korir (KEN), mas atenção a Tadesse Abraham, que representa a Suiça e a Zersenay Tadese (ERI), que foi durante oito anos o recordista mundial da Meia-Maratona e foi o quinto em Berlim no ano passado. Os tempos serão o menos importante naquilo que será uma verdadeira batalha contra o calor e humidade (e de madrugada!) e surpresas nunca serão de descartar.

3.000 METROS OBSTÁCULOS

Pode parecer estranho, mas Conseslus Kipruto (KEN) estará presente e não será, à partida, o favorito. O queniano passou por uma prolongada paragem por lesão e no seu regresso não pareceu com andamento para lutar pelo Ouro. Mas com Kipruto nunca se sabe… E quem sabe isso muito bem é o grande favorito, Soufiane El Bakkali (MOR), que continua na sua busca por um Ouro e por uma conquista de uma grande competição. Por incrível que pareça, El Bakkali ainda tem apenas 23 anos, mas já conta com marcantes derrotas no circuito quando era o favorito (até para Kipruto descalço!) e isso poderá ter o seu peso na hora da verdade em Doha.

Entre os que podem surpreender, constam nomes como Benjamin Kigen (KEN), que este ano venceu três meetings da Diamond League ou Getnet Wale (ETH), que surpreendentemente venceu na final da mesma competição. Muita atenção também ao espanhol Fernando Carro (ESP), que não para de surpreender, sempre lutando com os africanos, já com um recorde nacional de 9:05.69, a quarta melhor marca no mundo este ano!

110 METROS BARREIRAS

Prova muito, muito em aberto. Omar McLeod (JAM) é o campeão mundial e olímpico, mas passou por um 2018 “preguiçoso” e foi tarde que decidiu acordar em 2019. Irá a tempo de renovar o Ouro? Não participou na final da Diamond League, mas correu no ISTAF de Berlim em 13.07s, dando excelentes indícios do que se aproxima.

Para vencer, desta vez, terá de enfrentar novas figuras… E que figuras! Os dois norte-americanos que dominaram a temporada universitária, Grant Holloway e Daniel Roberts, são os dois primeiros na lista das melhores marcas mundiais do ano. Holloway baixou mesmo dos 13 segundos (12.98), mas perdeu o gás até à final dos Universitários para Daniel Roberts (melhor pessoal de 13.00 este ano). Roberts tem mostrado mais consistência e exposição internacional, mas tudo dependerá de como estará a ser trabalhado um eventual segundo pique de forma.

Falando em consistência, é difícil não mencionar Orlando Ortega (ESP). O espanhol (que nasceu em Cuba) tem conseguido vencer e ser rápido (é o terceiro do ano, com 13.05s), tendo vencido a final da Diamond League. Não devemos também excluir Sergey Shubenkov (RUS). O russo foi uma das figuras da temporada 2018 (com 4 provas abaixo dos 13 segundos!), mas lesões (uma delas provocada por… Omar McLeod!) têm afetado a temporada 2019. Se chegar a níveis próximos do ano transato, será, obviamente, favorito.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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