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- Atletas sub-23
- Atletas que ainda não conquistaram a medalha de Ouro em Eventos Globais ao ar livre: Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos
Esta semana apresentaremos 12 nomes no feminino, acrescentando uma “Aposta Certa” de um nome que será difícil falharmos em antever que conquistará um evento global no futuro. Na próxima semana, o mesmo exercício será feito para o masculino e para breve publicaremos também um artigo referente às promessas nacionais.
Embora tenhamos procurado fazer uma escolha abrangente, não deixámos de focar as disciplinas que normalmente geram mais expectativa (especialmente a velocidade) e que como tal têm mais jovens talentos facilmente identificáveis, pelo que não procurámos limitar promessas de acordo com a prova em que são especialistas. Muitos outros nomes poderiam ser acrescentados e não foi fácil chegar a apenas 12 nomes a nível global (ou 13, se contabilizarmos a aposta certa), o que só demonstra o nível cada vez maior do Atletismo a nível de escalões jovens.
Candace Hill (USA) – 18 anos
Especialidade: 100/200 Metros
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O facto de ter realizado uma temporada 2017 abaixo do esperado só demonstra as enormes expectativas que existem sobre si. Com apenas 18 anos, o mais natural é nem sequer ter quaisquer expectativas, mas Candace Hill tinha a esperança de estar presente nos Mundiais de Londres. Aos 16 anos, pulverizou a melhor marca jovem nos 100 e 200 metros e tem tudo para ser uma das maiores estrelas globais dentro e fora das pistas, com uma personalidade bastante forte e segura de si mesma. A primeira jovem da história a romper a barreira dos 11 segundos na High School. Campeã do mundo jovem nos 100 e 200 em Cali em 2015 e depois campeã do mundo júnior nos 100 metros em Bydgoszcz em 2016, é sem qualquer dúvida um dos nomes mais entusiasmantes dos últimos anos no Atletismo. Este pequeno vídeo tem já dois anos, mas permite perceber o peso que está sobre os ombros da jovem norte-americana que é também uma brilhante aluna!
Deajah Stevens (USA) – 22 anos
Especialidade: 100/200 Metros

Deajah Stevens conta já com uma notável experiência a nível da velocidade, caso tenhamos em conta que tem apenas 22 anos e que vem dos Estados Unidos, onde a concorrência é feroz e elimina rapidamente grandes nomes a nível interno. Tem já participações em Jogos Olímpicos e Mundiais (5ª nos Mundiais deste ano em Londres nos 200 metros) e foi este ano campeã nacional norte-americana nos 200 metros, tendo partido da pista 9! Pelo meio, sofreu algumas desilusões, como quando caiu nos 200 metros universitários um mês antes, onde era a grande favorita. Próxima de baixar dos 11 segundos nos 100 metros (PB de 11.00) e dos 22 segundos nos 200 metros (PB de 22.09), o ano de 2018, sem um grande evento global ao ar livre e sendo o primeiro ano da atleta como profissional, parece que pode vir a ser o ano ideal para Stevens entrar definitivamente na elite da velocidade mundial sem pressões.
Dina Asher-Smith (UK) – 22 anos
Especialidade: 100/200 Metros

Dina já é tão nossa conhecida que nem parece que tem 22 anos acabados de fazer há poucos dias. Já nos Mundiais de 2013 (com apenas 17 anos) participava nas estafetas britânicas que viriam a conquistar a medalha de Bronze nos 4×100 em Moscovo. A nível individual, a sua grande conquista foi o título europeu em Amesterdão em 2016, depois de em 2013 (nos 200) e em 2014 (nos 100) ter sido campeã mundial júnior. Conta com um impressionante recorde já abaixo dos 11 segundos e a sua prova de fogo terá sido a grave lesão que enfrentou no início desta temporada: partiu o pé em Fevereiro e quando toda a gente lhe dava como afastada dos Mundiais em casa, recuperou fantasticamente e ajudou a Grã-Bretanha a conquistar uma surpreendente medalha de Prata nas estafetas 4×100, tendo ainda ficado num muito honroso quarto lugar na final individual dos 200 metros. Esperemos que daqui para a frente as lesões não afectem mais esta jovem prodígio.
Gina Luckenkemper (GER) – 21 anos
Especialidade: 100/200 Metros

A alemã de nome complicado surpreendeu meio mundo quando este ano bateu a barreira dos 11 segundos e em Londres conseguiu uma notável marca de 10.95! Falhou, no entanto, o acesso à final nos Mundiais, revelando ainda alguma falta de regularidade entre provas. Ainda assim, tendo baixado em dois anos de 11.25 para 10.95, deixa antever que aqui temos uma das maiores esperanças europeias na velocidade. Como júnior, foi campeã europeia nos 200 Metros, andando depois, no panorama europeu, um pouco na sombra de…Dina Asher-Smith. Veremos o que o futuro reserva à jovem alemã e se, depois de Schippers, poderemos ver mais uma atleta branca a singrar na velocidade, uma imagem pouco comum.
Khalifa St. Fort (T&T) – 19 anos
Especialidade: 100/200 Metros

Fonte: Grenadasports
É o úlitmo nome que aqui apresentamos na velocidade mais curta e sem barreiras. Khalifa St. Fort não é uma atleta com um percurso normal. Tendo nascido nos EUA, deu o grande salto na modalidade quando decidiu contactar Ato Boldon, a ex-estrela do atletismo que representou Trinidad & Tobago, país de nascimento da mãe de Khalifa. Ato Boldon acabou por aceder ao pedido e começou a treinar a jovem atleta. Desde então, tem sido a menina dos olhos de ouro do ex-atleta (e hoje conhecido comentador). Tendo travado no passado algumas batalhas (perdidas) com Candace Hill, a evolução de Khalifa tem sido de tal forma impressionante que marcou mesmo presença nos Mundiais de Londres e também já ajudou a estafeta de T&T a bater o recorde nacional das estafetas 4×100. Não é ainda presença habitual em meetings internacionais e a explicação é simples: Boldon é completamente contra o “queimar etapas” em jovens atletas, pelo que essa fase irá chegar naturalmente. Para já, essa evolução tem-se visto de forma gradual e consistente.
Tiffany James (JAM) – 20 anos
Especialidade: 400 Metros

A velocidade jamaicana parece atravessar uma ligeira crise com a saída de cena de alguns heróis nacionais. No feminino, o aproximar de final de carreira de Veronica Campbell-Brown (já com 35 anos) e a gravidez de Shelly Ann Fraser-Pryce, deixaram Elaine Thompson um pouco sozinha a tentar salvar a honra na velocidade mais curta sem barreiras. Tiffany James pouco poderá ajudar Elaine nessas andanças, mas ao menos poderá dar mais peso à Jamaica nos 400 metros. Recorde-se que na final de Londres, as jamaicanas colocaram 3 atletas na final, mas todas falharam as medalhas! Tiffany James passou por um mau 2017, mas isso faz parte da trajetória natural de qualquer jovem atleta e da difícil transição dos escalões mais jovens para a idade sénior. No ano passado, James sagrou-se campeã mundial júnior na Polónia, um título que a Jamaica nunca tinha conseguido nos 400 metros femininos. Anteriormente já havia alcançado medalhas nos campeonatos mundiais de Sub-18 (Bronze) e Sub-20 (Prata) pelo que tudo indicia um futuro risonho para a atleta caribenha.
Rushelle Burton (JAM) – 20 anos
Especialidade: 100 Metros Barreiras

Nas barreiras, a história é um pouco diferente. Danielle Williams desiludiu em Londres, ao nem conseguir o apuramento para a final, onde iria defender o seu título mundial alcançado em Pequim. No entanto, aos 25 anos, não pode deixar de ser considerada um dos nomes grandes da especialidade a nível mundial. Ainda assim, esta jovem, de nome Rushelle Burton, com apenas 20 anos (na altura dos Mundiais tinha apenas 19 anos) esteve já nos Mundiais de Londres e até fez melhor do que Williams. Com um recorde de 12.65 alcançado em Eugene este ano, parece estar pronta a explodir a qualquer momento. Numa das provas em que a competição está mais intensa a nível global (e nivelada bem por alto), terá que mostrar a força mental necessária para andar pelo topo e suportar as quedas que certamente irá enfrentar.
Shamier Little (USA) – 22 anos
Especialidade: 400 Metros Barreiras

Ser três vezes campeã universitária nos EUA já deveria ser motivo suficiente para Little constar desta lista. Mas não nos podemos esquecer que também já foi campeã mundial júnior e medalha de Prata nos Mundiais séniores de Pequim, com apenas 20 anos. Bastante fã das redes sociais, a própria confessou via Twitter que o ano de 2017 foi estranhíssimo, recheado de altos e baixos. Conseguiu um sensacional recorde pessoal de 52.75s nos Nacionais de Sacramento, ficando em segundo lugar na que foi provavelmente a melhor prova de sempre de 400 metros barreiras femininos. Nessa prova, 3 atletas baixaram dos 53 segundos. Para se ter uma ideia, o tempo que a quarta classificada (que assim falhou Londres) fez daria para vencer todas as edições dos campeonatos nacionais norte-americanos à excepção de 1997 e 2016! Depois, com elevadas expectativas em Londres, desequilibrou-se numa das barreiras, nunca mais se encontrou e nem sequer se apurou para a final. A campeã mundial acabaria por ser…Kori Carter, a americana que tinha ficado através de Little, em terceiro nos Trials americanos!
Sydney McLaughlin (USA) – 18 anos
Especialidade: 400 Metros Barreiras
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Sydney McLaughlin é já uma estrela também fora das pistas!
Uma das maiores coqueluches norte-americanas, andou nas bocas do mundo no ano passado ao rejeitar um contrato profissional, preferindo fazer a trajetória desportiva (e não só) pela Universidade. Detentora de vários recordes jovens a nível nacional, é já uma estrela fora das pistas, tendo até tempo de antena na Gala dos prémios IAAF, algo certamente pouco usual para jovens da sua idade. Talvez a vejamos pouco em 2018, pois a jovem já afirmou que pretende focar-se pouco nos 400 Barreiras esta temporada, porque considera ser um ano de adaptação a uma nova realidade e quer experimentar outras coisas no atletismo. Campeã jovem mundial da distância, com 17 anos acabados de fazer já participava nos Jogos Olímpicos do Rio. Bateu por 3 vezes (!) o recorde mundial júnior da distância e não se parece intimidar com o que o futuro lhe reserva. Talvez não em 2018, talvez não em Doha 2019, mas nos Olímpicos de 2020, em Tóquio, será certamente um nome a ter muito em conta.
Morgan Lake (GBR) – 20 anos
Especialidade: Salto em Altura / Heptatlo

A grande aposta que a Grã-Bretanha tem feito nos últimos anos no Atletismo tem dado bastantes frutos e o facto de termos aqui duas atletas do país nesta lista é revelador disso mesmo. Morgan Lake foi dupla campeã mundial júnior nos mesmos Mundiais (em 2014, Oregon) no Heptatlo e no Salto em Altura e só por isso já merecia um lugar aqui. Depois disso, não tem parado e ao título europeu júnior alcançado em 2015, já soma, aos 20 anos, presença em dois campeonatos mundiais séniores e numa edição dos Jogos Olímpicos. Já este ano, nos Nacionais britânicos, alcançou o seu máximo pessoal de 1.96m, acumulando já dois títulos nacionais, o que deixa antever altos voos. Do alto dos seus mais de 1.80 metros, tem tudo para bater recordes nacionais e alcançar grandes feitos internacionais. Na sua mente, continua a ideia de voltar ao Heptatlo, não abdicando do Salto em Altura. Teremos uma campeã simultânea nos Saltos e nas Provas Combinadas?
Vashti Cunningham (USA) – 19 anos
Especialidade: Salto em Altura

Difícil seria tocar no Salto em Altura, sem falar em Cunningham. Mais de 1.86m de comprimento, mas com menos de 60 kilos, o que torna a elasticidade um dos pontos mais fortes da atleta norte-americana. Já saltou 1.99 metros (!) tanto em Outdoor como Indoor, sendo que ainda parece sentir algum desconforto ao competir fora do continente americano. Foi aliás nos EUA que conquistou o título mundial Indoor em Portland em 2016, quando ainda tinha apenas 18 anos! É recordista mundial júnior indoor e um dia espera vir a conquistar o mesmo como sénior indoor e outdoor. Promete.
Eliza McCartney (NZE) – 21 anos
Especialidade: Salto com Vara

Mais uma recordista mundial júnior (ao ar livre, no caso), Eliza foi a surpreendente medalhada de Bronze no Rio de Janeiro ao saltar 4.80m, na altura com 19 anos. Este ano, com alguma desmedida pressão sobre si, confessou que tudo deu, mas não conseguiu melhor do que um 9º lugar nos Mundiais de Londres. Ainda assim, o futuro promete para aquela que é a detentora do recorde da Oceânia e que desde os escalões jovens tem somado medalhas pelas várias competições globais.
A Aposta Certa: Salwa Eid Naser (Bahrein) – 19 anos
Especialidade: 400 Metros

Foi uma das grandes sensações da temporada passada, ao conquistar a medalha de Prata em Londres. Nunca uma atleta tão nova tinha conseguido chegar ao pódio nos 400 Metros Femininos em Mundiais. Apesar de pouco falada antes, não se pense que Naser caiu aqui de paraquedas. Em 2015 já se havia sagrado campeã jovem asiática e também campeã mundial jovem. Os 50.06 alcançados em Londres são um novo recorde nacional do Bahrein para uma atleta que nem por lá nasceu. Salwa nasceu na Nigéria, embora tenha optado por representar o Bahrein, país de onde o seu pai era originário. Certamente que os mais atentos se recordam da mesma a correr com um hijab quando mais jovem, o que contrasta fortemente com a imagem que apresentou em Londres, com um cabelo chamativo pintado de amarelo. Nessa final dos 400 metros de Londres, a meio da prova, ocupava a última posição, mas a sua arriscada estratégia surtiu efeito e com uma ponta final fulminante acabou mesmo por levar uma merecida medalha para casa. Uma estrela em ascensão.
Muitos outros nomes poderiam fazer parte desta lista: Tsegay, Alina Shukh, Murto, Shure Demise, Amusan, Tia Jones, Kaylin Whitney, Emel Dereli…mas apresentamos aqui os nomes que consideramos que menos hipóteses temos de falhar. No entanto, o desporto (felizmente) tem sempre uma enorme variante mutável e isso é que o torna tão especial e emocionante.
Por aqui se nota também que as grandes potências, em especial os EUA, muito provavelmente, irão continuar a dominar o Atletismo Mundial em anos vindouros, pelo menos no feminino. Mas vemos com bom grado promessas a despontarem em países que têm apostado a sério no nosso desporto.
Para a semana há mais e no masculino!








