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Sonho do Olimpo #5: Fernanda Ribeiro deu-nos uma alegria tremenda em Atlanta

Eduardo Nunes · 4 min

Fernanda Ribeiro
Foto: FPA

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Os Jogos Olímpicos contém muitas histórias incríveis – umas positivas outras nem tanto – mas esse assunto iria ocupar meses e páginas de artigos.

Reveja aqui o último «Sonho do Olimpo».

Foto de capa: FPA

POLÉMICA, POLÉMICA…E NOVAMENTE OS E.U.A 

Numa edição especial e muito polémica, por assinalar os 100 anos desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, disputados em 1896 na cidade grega de Atenas, o mais lógico seria assumir que esta edição especial e festiva se realizasse na capital da Grécia.

Haviam, ainda assim, outras possibilidades bem cotadas para ganhar a corrida pelo direito de organizar, e foi das votações mais renhidas de sempre, com seis candidatos à partida para a votação (Belgrado, na Jugoslávia, pois a votação foi efetuada antes da dissolução do território balcânico, Manchester, no Reino Unido, Melbourne, na Austrália, Toronto, Canadá, Atenas e Atlanta).

Na primeira e segunda rondas de votação, onde se procedeu à eliminação de Belgrado e Manchester, a cidade grega parecia confirmar o “favoritismo” atribuído por alguns analistas, mas nas rondas seguintes emergia um candidato bastante improvável à partida, mas que conseguiu reunir os votos suficientes para ganhar a eleição, sobretudo após a queda de Toronto e Melbourne.

Lembram-se de eu ter dito que esta edição foi muito polémica?

Logo após esta escolha, o Comité Olímpico  Internacional e os  responsáveis da organização grega trocaram duras acusações, o COI duvidando da capacidade da Grécia presentemente ou futuramente organizar um evento com a magnitude de uns Jogos Olímpicos e os gregos a defender que os valores que regem o movimento olímpico haviam sido trocados por dinheiro, visto que esta cidade Norte-Americana alberga, entre outros, a sede mundial da Coca-Cola, principal patrocinador do evento.

Nunca se saberá ao certo qual a razão concreta que levou à escolha desta cidade como sede, mas o certo é que Atenas foi escolhida para sedear a edição de 2004 dos Jogos, há quem diga que reconhecendo o erro, uma vez que a organização de 1996 foi muito pouco consensual, para não dizer pior.

Estes Jogos também ficaram marcados por um atentado terrorista na zona junto à Aldeia Olímpica, resultando em duas mortes e 112 feridos, no ataque mais grave desde os incidentes gravíssimos em 1972, durante a Olimpíada de Munique.

No meio de tanta polémica, o mais importante realçar é que seria a terceira ocasião em que os EUA iriam organizar os Jogos, depois das edições de 1932 e 1984, em Los Angeles. Seria, inclusive, também o regresso do maior evento desportivo do mundo às Terras de Tio Sam, 12 anos depois.

PARTICIPAÇÃO ÉPICA, COM MARCA PORTUGUESA

Portugal tem 18 medalhas em Mundiais de Atletismo (Cinco de ouro, seis de prata e sete de bronze)

A participação portuguesa nesta edição centenária foi histórica, verificando-se a maior comitiva de sempre até aos dias de hoje, com 107 atletas distribuídos por 18 modalidades, sendo a única edição em que lográmos ultrapassar a fasquia dos 100 atletas. A título de curiosidade, a segunda maior missão de sempre foi alcançada em 2016, no Rio de Janeiro, com 92 atletas.

Em termos de medalhas, há logo uma que salta à vista, pela forma épica como Fernanda Ribeiro aguentou as investidas da chinesa Wang Junxia para terminar de forma brilhante os 10000 metros com o incrível tempo de 31.01.63, recorde olímpico à data que apenas durou até à edição seguinte, em Sydney.

Ouro e a “Portuguesa” a fazer-se ouvir pela terceira vez na história em pódios olímpicos.

Vale sempre a pena recordar a forma brilhante como esta medalha de ouro foi conquistada.

Para completar o nosso pecúlio, falta referir o outro momento de glória desta edição, a medalha de bronze da dupla Hugo Rocha/Nuno Barreto na Vela, classe 470.

A MODALIDADE: VOLEIBOL DE PRAIA

Um desporto que se estreou em 1996 foi o voleibol de praia. As regras são naturalmente bastante diferentes do voleibol convencional, nomeadamente o piso, que neste caso é a areia que costumamos encontrar nas praias, daí o nome. Em vez dos seis jogadores do vólei de pavilhão, aqui são apenas dois, tornando o encontro mais espetacular e dinâmico. A pontuação é bastante diferente, jogando as equipas à melhor de três sets, bastando ganhar dois para ganhar. Os sets jogam-se até aos 21 pontos, sendo necessária uma vantagem de dois pontos para terminar. Em caso de empate a um set, o último é jogado até aos 15 pontos, mantendo-se a obrigatoriedade da vantagem referida anteriormente.

Eduardo Nunes

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