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Está quase a sair para a estrada mais uma edição da maior prova italiana de ciclismo, o Giro de Itália. Nesta que será sua 103.ª edição, conta com um total de 3497,9 quilómetros de prova. No total, 22 equipas, ao longo de 23 dias de competição, pedalam até Milão.
O vencedor da edição de 2019, Richard Carapaz, não estará presente para defender o seu título, pois esteve no Tour de França e não tinha o Giro nos seus planos. A prova começa logo com um contrarrelógio no primeiro dia, num percurso de 15 quilómetros, ligando Monreale a Palermo.
Serão 176 ciclistas a enfrentar o Outono na prova italiana e será curioso saber como se vão desenrolar as etapas de alta montanha, visto que nas montanhas as temperaturas deverão ser muito baixas e com a presença de neve.
Vamos então à análise das equipas e dos favoritos à conquista da prova!
Foto de capa: Giro d’Itália
1.

Geraint Thomas (Ineos Grenadiers) – O britânico de 34 anos tem aqui um percurso a seu jeito. Com três contrarrelógios, é claramente um dos corredores mais beneficiados neste Giro. Vem com a responsabilidade de colocar a Team Ineos Grenadiers novamente no topo, depois da Volta a França ter sido um fracasso em termos de classificação geral.
Vai contar com o apoio de Jonathan Castroviejo, Johnatan Narváez, Rohan Dennis, Tao Hart e de Salvatore Puccio. Não sendo esta a melhor equipa para a montanha, existem algumas dúvidas de como a equipa irá enfrentar as subidas mais ingremes do Giro.
Provavelmente, a equipa irá conseguir a camisola rosa logo ao primeiro dia, por intermédio de Filippo Ganna, que tem estado imparável na especialidade de contrarrelógio, tendo sido campeão do mundo em Imola.
A última vez que Thomas participou no Giro foi em 2017, mas acabou por desistir à 12.ª etapa.
2.

Simon Yates (Mitchelton-Scott) – É claramente um dos favoritos à vitória na classificação geral. O britânico de 28 anos esteve perto de ganhar a prova em 2018, mas, nas últimas duas etapas, deitou por terra as suas aspirações. Vem para a prova como líder da sua equipa, e com ambição de ganhar tempo nas montanhas. Já está provado que é um ciclista que não tem medo de atacar de longe, e será mesmo isso que terá de fazer, porque, em teoria, irá perder tempo para alguns dos principais candidatos à geral nos contrarrelógios.
A Mitchelton-Scott traz um dos blocos mais fortes para as etapas mais duras, composto por: Jack Haig, Brent Bookwalter, Cameron Meyer e o jovem Lucas Hamilton. Trazem ainda Damien Howson para trabalhar e os dois contrarrelogistas Edoardo Affini e Michael Hepburn.
Simon Yates venceu recentemente o Tirreno Adriático, onde conquistou também uma etapa. Recordar ainda que é dos poucos ciclistas presentes com uma Grande Volta conquistada, visto que venceu a Volta a Espanha em 2018.
3.

Fonte: Astana
Jakob Fuglsang (Astana) – Será o líder da Astana à partida para o Giro. Aos 35 anos, o ciclista dinamarquês tem aqui uma nova oportunidade de brilhar. Foi recentemente quinto classificado no Campeonato do Mundo de estrada, tendo já vencido, em 2020, a Volta a Andalucia e o Giro de Lombardia.
É sempre um atleta regular e constante, especialmente em clássicas acidentadas e em provas de uma semana. A sua melhor classificação de sempre em Grandes Voltas foi um sétimo lugar na Volta a França de 2013. No entanto, desde 2019 que temos visto um Fuglsang diferente e tem vencido cada vez mais provas importantes.
A Astana, de todas as equipas, leva provavelmente o bloco mais forte para a montanha. Fuglsang irá ter o apoio de Aleksandr Vlasov e de Miguel Ángel López, que são dois nomes muito fortes do ciclismo mundial. Vlasov será a opção B, caso o dinamarquês falhe, e o colombiano irá ter um papel de ajuda, não se sabendo qual será a sua condição visto que correu o Tour de França. O espanhol Óscar Rodriguez será um gregário importante, e Felline e Boaro, que já têm muita experiência, podem ser úteis na defesa dos seus líderes.
4.

Fonte: Milan – San Remo
Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) – O “Tubarão de Messina” é, dos ciclistas presentes, o corredor com mais história em Grandes Voltas. Já venceu as três Grandes Voltas. Aos 35 anos, o ciclista italiano vai tentar vencer o seu terceiro Giro de Itália. Agora, como líder da Trek-Segafredo, o corredor experiente vai participar na sua 23.ª Grande Volta!
Este ano, conseguiu correr bem no Paris-Nice, fechando em quarto lugar na geral, e também esteve a bom nível nas clássicas italianas. Vai dispor de uma equipa forte para as etapas de montanha, com a ajuda de Giulio Ciccone, Gianluca Brambilla e de Pieter Weening como principais gregários, e ainda de Julien Bernard, Jacopo Mosca, Nicola Conci e do seu irmão António Nibali.
Vincenzo Nibali venceu a prova em 2013 e 2016. Fechou no terceiro lugar em 2017 e ficou em segundo lugar no ano transato. É um ciclista muito consistente nesta Grande Volta, tendo a motivação por ser uma prova no seu país. Atenção à sua prestação na terceira semana, pois é aqui que costuma fazer as diferenças.
5.

Fonte: Team Jumbo-Visma
Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) – Será o líder da equipa Jumbo-Visma nesta edição do Giro. O holandês é sempre um nome a ter em conta, com prestações constantes nas Grandes Voltas. No ano transato, o ciclista atingiu a sua melhor classificação de sempre numa das três grandes, ao acabar na terceira posição do Tour.
A sua condição física deve ser boa, visto que conta apenas com sete dias de competição em 2020. O último dia em que competiu foi a 14 de agosto, no Critérium du Dauphiné, acabando por desistir nesse mesmo dia.
A Jumbo-Visma vem com um bloco mais fraco, comparativamente a outras equipas que já apresentou, ou até mesmo à sua equipa no Tour. O holandês terá o apoio de Antwan Tolhoek, Koen Bowman e de Tobias Foss, vencedor da edição de 2019 da Volta à França do Futuro. Foss e Chris Harper são dois jovens para o futuro que farão a sua estreia no Giro de Itália. Na alta montanha, a equipa não conseguirá assumir a corrida, correndo mesmo o risco de deixar o seu líder sozinho. Kruijswijk será nome para apontar ao top cinco, quem sabe pódio.
OUTSIDERS
Aleksandr Vlasov (Astana) – O ciclista russo esteve a bom nível no Tirreno Adriático, acabando no quinto lugar da geral. Venceu a etapa dois do Tour de la Provence e a clássica do Mont Ventoux Challenge – ambas as provas foram corridas na França. Juntou ainda a clássica do Giro dell´Emilia, onde ganhou com distinção. Aliás, o russo tem andado muito bem em provas italianas, visto que fez quarto lugar na clássica de Gran Piemonte, e terceiro lugar no Giro da Lombardia, prova ganha pelo seu colega Jakob Fuglsang.
À partida, o jovem russo será mais forte do que o dinamarquês na alta montanha, e será uma opção válida para a equipa da Astana na classificação geral. No entanto, a experiência e o estatuto de líder recaem sobre Fuglsang, com o russo a ser resguardado dentro da equipa.
Será a estreia de Vlasov numa grande volta, vamos ver como é que o corredor aguenta as três semanas duríssimas da Volta a Itália. Se estiver bem e se conseguir andar como anda nas provas de uma semana, é ciclista para top cinco.
Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) – O polaco da Bora-Hansgrohe acabou em terceiro lugar no Tirreno Adriático. É um ciclista com bastante experiência em grandes voltas, caminhando para a sua 17.ª presença. Participou quatro vezes no Giro, com a sua pior classificação na geral final a ser um sétimo lugar. Isso já diz muito das suas prestações nesta prova. Em 2019, fechou também na sexta posição da Vuelta.
A sua equipa vai estar dividida entre as chegadas ao sprint para Sagan e as jornadas de montanha para Majka. Ainda assim, o polaco irá contar com o apoio de Patrick Konrad e de Pawel Poljanski nas jornadas mais difíceis.
🎥 Q&A: Rafał Majka
@majkaformal describes himself as a funny guy who finds happiness in cycling.
Sure, we knew that already. But do you know which superhero he always wanted to be? ⚡
You’ll only find out by watching 👇🏼 pic.twitter.com/nmjd9PQ605— BORA – hansgrohe (@BORAhansgrohe) April 16, 2020
Miguel Ángel López (Astana) – Não são duas, mas três opções que a Astana tem para atacar a geral! É verdade que não se espera muito do colombiano, visto que esteve no Tour, acabando na sexta posição da geral. Foram três semanas desgastantes, por isso o seu papel deverá ser outro dentro da equipa cazaque.
López acabou na terceira posição da geral no Giro de 2018, apenas atrás de Tom Dumoulin e de Chris Froome. No ano passado terminou a prova na sétima posição. Ainda lhe escapa uma vitória no Giro, depois de já ter vencido no Tour, este ano, e na Vuelta.
É sempre um nome perigoso para a geral, e com montanhas tão difíceis de ultrapassar é sempre candidato a vitórias de etapa.
Wilco Kelderman (Team Sunweb) – O holandês Wilco Kelderman está de saída da Team Sunweb, poderá ser esta a sua última Grande Volta dentro da equipa, visto que irá rumar à Bora-Hansgrohe. É um ciclista que tem estado a bom nível, sobressaindo-se no Tirreno Adriático. É sempre um nome consistente para top dez. Vai para a sua quarta participação no Giro, tendo terminado a prova na 17.ª posição em 2013 e sétima posição em 2014. Em 2017, abandonou a competição a meio. No ano passado, o corredor de 29 anos terminou na sétima posição da Vuelta.
A sua equipa apresenta um conjunto de corredores capazes de discutir as chegadas na média montanha e ao sprint por intermédio de Michael Matthews. Na alta montanha, Kelderman contará com o apoio de Sam Oomen, Jai Hindley e de Chris Hamilton.
10 Riders to watch #Giro:
9/ Wilco Kelderman (29, 🇳🇱)
Suprised to see he’s already 29 – in my mind he’s still a youngster. Was very strong during the past Tirreno and with the lack of GC men, he could aim for as high as a podium on GC. pic.twitter.com/2TAj9BSYiW
— Max’s cycling thoughts (@CyclingOpinions) October 2, 2020
Pello Bilbao (Bahrain-Mclaren) – O ciclista espanhol será o principal nome da equipa Bahrain-Mclaren. Bilbao terminou o Tour a bom nível, devido à sua boa prestação na terceira semana. Contudo, o corredor pode pagar caro o facto de ter tido muitos dias de competição. É o atual campeão nacional espanhol de contrarrelógio, apresentando-se também como um homem forte ao sprint em grupos restritos.
Vai contar com a ajuda de Mark Padun, Hermann Pernsteiner e Eros Capecchi.
Bilbao já participou por três ocasiões no Giro, com a sua melhor prestação a ser um sexto lugar na classificação geral, em 2018. No ano transato, estreou-se a vencer no Giro, conquistando as etapas 7 e 20.
Fausto Masnada (Deceuninck-Quick Step) – O italiano Masnada mostrou-se a um nível surpreendente no Tirreno Adriático, terminando na sexta posição. Ainda não ganhou esta temporada na sua nova equipa, a Deceuninck-Quick Step, mas poderá ser aqui que se estreia. Sem Remco Evenepoel como líder, a equipa poderá ter vários nomes em destaque e com mais liberdade, incluindo o próprio Masnada.
Em 2019, o ciclista de 26 anos venceu a etapa seis do Giro. Vai agora para a sua terceira participação seguida no Giro.
POSSÍVEIS SURPRESAS
Deceuninck-Quick Step (com João Almeida), Mitchelton-Scott e Movistar revelaram esta manhã os blocos que vão alinhar no Giro, que tem início a 3 de Outubro. #Giro #Giro2020
📰https://t.co/jZ9pLkDJtq pic.twitter.com/yKPfndLJYg— Camisola Amarela (@cyclingnerds) September 28, 2020
João Almeida (Deceuninck-Quick Step) – Quem vem acompanhando João Almeida desde os escalões mais jovens já sabe há muito da sua enorme qualidade. Está a fazer a sua primeira temporada numa equipa World Tour, e logo na equipa que tem conquistado, ano após ano, o título de melhor equipa do mundo.
Nesta temporada, tem obtido grandes prestações, começando na Volta ao Algarve, com um excelente trabalho para o seu líder Remco Evenepoel. Ficou na segunda posição da juventude, atrás do seu líder. Na Volta a Burgos, fez vários top dez em etapas, alcançando a terceira posição da geral. No Tour de l´Ain, na França, fechou as três etapas no top dez, ficando em sétimo da geral. Mais recentemente, ficou em segundo lugar na clássica do Giro dell´Emilia, apenas atrás do extraordinário Aleksandr Vlasov, e terminou no terceiro lugar da geral na Settimana Coppi e Bartali. É caso para dizer que tem corrido bem a vida ao português em terras italianas.
Observando bem as performances do português e sabendo da mais valia que é para a sua equipa, arrisco-me a dizer que será um corredor protegido e que poderá mesmo vencer uma etapa nesta edição do Giro, o que seria notável por parte do jovem caldense.
Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) – O português de 26 anos está a atravessar uma grande fase da sua carreira. Esteve muito perto da sua primeira vitória no World Tour, terminando no segundo lugar da etapa sete do Tirreno Adriático, apenas superado por um espetacular Mathieu Van der Poel. De salientar ainda a forma como guiou Michael Woods para a vitória na etapa três do Tirreno. Parece em grande forma e, na falta de líderes, é corredor para sobressair na equipa americana, visto que Tanel Kangert e Lawson Craddock não parecem na melhor forma. Jonathan Caicedo começou bem a temporada, mas não se sabe bem a forma que apresenta. Simon Clarke será um nome importante dentro da equipa para a média montanha.
Ruben Guerreiro vai para a sua primeira participação no Giro, depois de ter estado na Vuelta do ano passado, onde esteve perto de vencer, ao conquistar um segundo lugar na etapa 15, no Santuario del Acebo, batido apenas por Sepp Kuss.
Jack Haig (Mitchelton-Scott) – O australiano fechou no top dez do Tirreno Adriático, colmatando uma época a bom nível. No início da temporada, esteve perto de conquistar a Volta à Comunidade Valenciana, perdendo apenas para o vencedor da Volta a França, Tadej Pogacar. Na prova seguinte, também em Espanha, na Volta a Andalucia, conquistou uma etapa e esteve, novamente, perto de vencer a prova, perdendo para Fuglsang. Será o líder, caso Simon Yates tenha algum infortúnio e esteja arredado da luta pela geral.
Giulio Ciccone (Trek-Segafredo) – O italiano vai estar presente numa das suas corridas preferidas, onde já venceu por duas ocasiões: a etapa 10, em 2016; e a etapa 16, no ano passado. Este ano, no seu primeiro dia de competição, começou logo com uma vitória, vencendo o Trofeo Laigueglia. O ciclista irreverente esteve a bom nível nas clássicas italianas, em Gran Piemonte fechou em nono lugar, quinto no Giro da Lombardia, e oitavo no Giro dell´Emilia. É possível que venha a intrometer-se em fugas e, quem sabe, vencer uma tirada.
Sam Oomen (Team Sunweb) –O ciclista holandês está de malas feitas para a Jumbo-Visma, e poderá ser a sua última prova dentro da Team Sunweb. Depois do ano de 2019 ter sido apagado devido a lesão, o ciclista de 25 anos parece estar recuperado. A média montanha é a sua praia, mas deverá ser um nome importante para Kelderman na alta montanha.
Carl Fredrik Hagen (Lotto Soudal) – A equipa belga da Lotto Soudal não leva sprinters, portanto, a aposta deverá cair nas fugas, com nomes experientes neste tipo de andanças, como Thomas de Gendt. Para a geral, a equipa conta com Carl Hagen, que irá mudar de equipa em 2021, pois já assinou com a equipa da Israel Start-Up Nation. O norueguês deverá ter liberdade suficiente para lutar por um lugar nos dez mais da geral. Na Vuelta de 2019, acabou por surpreender, alcançando um oitavo lugar na classificação geral. Será a sua primeira participação no Giro.
VIDEO- Meet another new @Lotto_Soudal rider, the 27-year-old Norwegian Carl Fredrik Hagen! 🇳🇴 Welcome to the team @CFHagen! pic.twitter.com/MzWg1saeQs
— Lotto Soudal (@Lotto_Soudal) January 7, 2019
James Knox (Deceuninck-Quick Step)
Fez uma boa prova no Tirreno Adriático, tendo alcançado o seu melhor nível exibicional da temporada aqui. Em 2019, o ciclista britânico esteve às portas de um top dez numa Grande Volta, acabando na 11.ª posição da Vuelta. Fará parte de uma tripla jovem e ambiciosa, juntamente com João Almeida e Fausto Masnada.
Brandon Mcnulty (UAE Team Emirates) – Será a primeira Grande Volta do jovem Mcnulty. O jovem americano da UAE Team Emirates teve um bom arranque de temporada, na Volta a San Juan e na Volta a Andalucia, mas, depois da quarentena, ainda não se viu muito. Vai correr com liberdade, numa equipa que vai ter Gaviria para as chegadas ao sprint e Ulissi para a média montanha.
Meintjes (NTT Pro Cycling) – O sul-africano esteve à beira do top dez no Tirreno Adriático. Será que vamos ter o Meintjes de outros tempos? Ele que já fechou por duas vezes na oitava posição da geral do Tour de França, em 2016 e 2017, e em 2015 terminou no décimo posto da geral na Vuelta. Uma equipa que terá ainda Domenico Pozzovivo, mas não se sabe bem o estado de forma do ciclista experiente italiano.
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