Terminou a 78.ª Volta a Portugal e tivemos oportunidade de assistir a uma das maiores surpresas de sempre na Grandíssima. Rui Vinhas, da W52-FC Porto, segurou bem firmemente a camisola amarela, desde que a conquistou numa fuga, que, como tinha sido dito como possibilidade, se revelou bastante decisiva. Ainda assim, nota para o excelente contrarrelógio protagonizado pelo português. Devido a isso, aos 29 anos, o ciclista português termina da melhor forma um verdadeiro “conto”. Foi a vitória de um corredor que, supostamente, estaria em 4.º ou 5.º lugar na “hierarquia” da equipa, mas que acabou por conseguir o tal primeiro lugar com todo o mérito.

Voltando um pouco atrás, após o dia de descanso, tivemos nova etapa muito dura (uma das mais exigentes dos últimos anos na prova), com as tais duas passagens pela Torre e uma complexa subida à Guarda no final da etapa. Depois de ciclistas como João Benta, Alejandro Marque ou Ricardo Vilela cederem perante os principais favoritos, perdendo estes últimos dois mais de 6 minutos para o vencedor da etapa e Benta a perder 13 minutos (uma maior surpresa, tendo em conta a qualidade deste ciclista como trepador), estava na altura de todas as decisões.

Após um corajoso e excelente ataque por parte de Joni Brandão (só assim o português conseguiria ainda ganhar esta prova e a verdade é que pelo menos tentou e tem mérito por isso) a 80 km’s da meta, o ciclista da Efapel foi apanhado pelos favoritos a cerca de 3 km’s para o fim e, pouco depois, Gustavo Veloso voltou a fazer das suas. Atacou, só Daniel Silva e Raúl Alarcon conseguiram tentar acompanhá-lo, e venceu, mais uma vez, de forma categórica mais uma das etapas míticas desta corrida, depois de ter vencido na Senhora da Graça.

Joni Brandão deu o tudo por tudo, mas foi infeliz no final da etapa  Fonte: beiranews.pt
Joni Brandão deu o tudo por tudo, mas foi infeliz no final da etapa
Fonte: beiranews.pt

Rui Vinhas manteve-se em boa forma e segurou, autoritariamente, a camisola amarela, perdendo apenas 10 segundos para Veloso na etapa. Joni Brandão, com imenso desgaste da fuga, acabou por perder 21 segundos para o vencedor da etapa. Ainda assim, há que “dar” uma “menção honrosa” para este ciclista, que não se acanhou e tentou destronar uma equipa bem oleada. Não foi suficiente e depois acabou por “pagar a fatura” de tal ato bravo, mas, infelizmente para ele, inconsequente.