Cormier vs Miocic: A UFC a destruir os puristas

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Cabeçalho modalidadesAinda estávamos a recuperar de mais uma vitória de “Jacaré” Souza (esta divisão middleweight é sem dúvida a mais entusiasmante), quando a organização da UFC decide lançar para cima da mesa o cartaz para o evento 226, colocando os campeões das divisões Light Heavyweight e Heavyweight a defrontarem-se pelo título de pesos pesados.

A meu ver, parece-me uma excelente decisão, fruto de uma análise atenta do contexto atual destas duas divisões. Então vejamos:

Cormier bateu Volkan Oezdemir. A vitória categórica de DC não coloca em causa o potencial do suíço, mas a verdade é que Oezdemir foi uma espécie de recrutamento de urgência. Nem o mais criativo promotor de eventos poderia ter pensado numa concorrência à altura do estatuto de DC, visto que esta, na divisão de Light Heavyweight, não existe. Cormier venceu e, assim de repente, acabou com toda a concorrência. Desinteressante, não acham? Portanto, e já que Jones está, até ver, fora do baralho, alguma coisa teria de ser feita.

Stipe Miocic na vitória sobre Francis Ngannou Fonte: Sporting News
Stipe Miocic na vitória sobre Francis Ngannou
Fonte: Sporting News

Já para Mioicic, a questão é ligeiramente diferente. Apesar de ter eliminado a força em ascensão Francis Ngannou, o campeão Heavyweight tem vários pretendentes legítimos ao título, desde Junior dos Santos, Fabrício Werdum e até, porque não, Cain Velasquez. Posto isto, pode parecer contraproducente colocar Cormier frente a Miocic, até porque a relação de amizade entre DC e Cain Velasquez não faria prever que o campeão da divisão de Light Heavyweith se sobrepusesse à possível oportunidade de Cain. Mas, a meu ver, foi genial.

Os puristas, aqueles que se regem quase exclusivamente pelos rankings de cada divisão, não deverão concordar comigo, mas a verdade é que a UFC necessita de rentabilizar as suas maiores estrelas, potencia-las e abalar a estrutura. Os fãs têm os seus preferidos, e é obvio que existem combates obrigatórios, como Khabib vs Tony Fergunson. Mas a surpresa é um efeito maravilhoso, que uma organização desportiva como a UFC tem o condão de produzir. Outras organizações não se podem dar ao luxo de o fazer, estando o fator surpresa diretamente associado aos atletas, a uma bola no poste, a um jogador revelação.

Na minha opinião, a organização da UFC tem tido bastante sucesso com este tipo de decisões. Quem poderia negar o regresso de GSP ou um duelo entre DC e Anderson Silva? Quem não gostaria de ver Amanda Nunes contra Cris Cyborg?
A UFC parece estar apostada em realizar super fights, mesmo que isso abale a visão mais purista, que encara o ranking como batuta do mérito e das oportunidades. Que não se destruam as surpresas.

Foto de Capa: Último Round

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

João Pedro Chitas
João Pedro Chitashttp://www.bolanarede.pt
Amante, praticante e obcecado por Artes-Marciais. Acredita que a UFC foi a melhor coisa que aconteceu no desporto depois do ouro de Carlos Lopes.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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