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WWE Wrestlemania 32: Não foi a maior WM de sempre

Redação BnR · 12 min

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Cabeçalho modalidadesPre-Show

Ryback vs Kalisto

É incrível como um combate pelo titulo dos Estados Unidos, que o ano passado teve uma boa construção, uma personagem emergente e um dos maiores nomes da WWE a lutarem por ele, foi colocado no kick-off, quando o estádio estaria provavelmente a meio da lotação ainda. O combate contou a historia de um pequeno lutador que ao inicio não conseguia derrubar o gigante mas foi fraco comparado com outros que ambos já tiveram. Alguns bons spots por parte de Kalisto, mas ficou aquém do esperado. Valeu pelo resultado. A vitória para Kalisto cimenta-o como USA champion e foi a melhor decisão. Ryback há anos que está estagnado e nem este heel-turn mudou a sua personagem, já Kalisto é uma personagem que bem construída pode cimentar-se no midcard e ser o ídolo de uma audiência mais jovem e latina. Esperemos que comece a ganhar credito enquanto campeão.

Kalisto conseguiu sair vitorioso Fonte: WWE
Kalisto conseguiu sair vitorioso com o US Championship
Fonte: WWE

Divas Tag Team Match

Um combate cuja curiosidade era ver como seria Lana no ringue, mas a verdade é que a lutadora pouco mostrou para além de uns bons pontapés. No entanto notou-se que a WWE quis protege-la e poucos foram os golpes que sofreu. O combate serviu para as lutadoras mostrarem-se e a vitória sorriu à equipa de Brie Bella, com esta a conseguir a manobra de submissão. É uma vitória que faz sentido. Brie deverá sair da WWE para passar mais tempo com o seu marido, Daniel Bryan, e este foi o seu ultimo momento de glória. Quanto a Lana, acredito que continuará a ser trabalhada.

Usos vs Dudleys

Um combate que podia ter tido uma melhor construção. Os Dudleys estavam estagnados e o heel-turn foi a melhor opção e o facto de terem tido rivalidades com o pai dos Usos foi pouco aproveitado. Por estar no pre-show, o combate teve pouco tempo e ficou bastante aquém do que as duas equipas podem mostrar. A vitória surgiu para os faces, Usos, como seria de esperar por parte da WWE. Uma vitória dos Dudley cimentava-os como heels e poderiam ser os novos candidatos ao título de Tag Team.

Intercontinental Championship Ladder Match

“A WWE tantas vezes este ano gerou expectativas e antecipação para depois arruinar o clímax.” Foi com este excerto que terminei a minha antevisão à Wrestlemania. Foi deste modo que a WWE a começou.

O combate foi muito bom: Sami Zayn começou a dominar e a mostrar o seu estilo high flyer,  Stardust homenageou o seu falecido pai, Dusty Rhodes, com um escadote com “polka dots” e Kevin Owens pôs o público a cantar this is awesome com um Frog Splash a Sami Zayn, que estava deitado num escadote.Até Ryder teve um bom spot, com um elbow drop do topo do escadote a Miz. No entanto, nenhum foi tão bom quanto o que Sin Cara protagonizou. Owens empurrou o escadote, o que levou Sin Cara a cair em cima de Stardust, que estava num escadote deitado sobre o ringue e a barreira de protecção e que acabou por se partir.

Zack Ryder surpreendeu a ganhar o IC Title Fonte: WWE
Zack Ryder surpreendeu a ganhar o IC Title
Fonte: WWE

Estava a ser dinâmico e entusiasmante, com Owens e Zayn a ser o centro das atenções. E, quando parecia que o dito climax estava iminente, com Zayn a ganhar e a dar o momento “feelgood” da noite, ao fechar mais um capítulo desta rivalidade que vem desde a NXT… Zack Ryder vence. Ryder, que tem sido pouco mais do que um jobber. Se fosse em 2011 ou 2012, este destaque teria feito sentido. Hoje, e do nada, não. Primeira oportunidade perdida da noite para a WWE.

Aj Styles vs Chris Jericho

Um combate que não desiludiu. Aj Styles e Chris Jericho ganharam uma química fantástica dentro do ringue ao longo da sua rivalidade e na Wrestlemania voltaram a brilhar. Um combate com fantásticos “spots”, incluindo o Styles Clash, o finisher de AJ Styles, utilizado tanto por este como por Y2J. O pior foi o final. Chris Jericho ganhou com um fantástico “CodeBreaker”, numa decisão que não se percebe.

Chris Jericho derrotou AJ Styles Fonte: WWE
Chris Jericho derrotou AJ Styles
Fonte: WWE

O primeiro combate de AJ Styles, o culminar de uma boa rivalidade(e a primeira de AJ Styles) eram factores que faziam antever a vitória do “Phenomenal One”. No entanto a WWE preferiu dar o booking de 50/50 a este combate e deixa ambos os lutadores com duas vitórias cada, o que significa que talvez esta “feud” não tenha acabado. A WWE voltava a perder a oportunidade de criar um “Wrestlemania Moment” a um dos wrestlers mais desejados pelos fãs da companhia.

League of Nations v New Day

Se há alguma coisa que deve ser lembrada deste combate é a entrada dos The New Day. Para além de saírem de uma caixa gigante de Bootyo’s (“They make sure you ain’t Booty!”), fizeram-no mascarados de Super Guerreiros. Já os momentos que se seguiram… digamos que precisam de uma taça de Bootyo’s.

Ver Rusev a passar de uma entrada com um tanque para uma em que entra a chutar cereais de uma Wrestlemania para a outra é um lembrete de que o “Bulgarian Brute” tem sido muito mal aproveitado este ano, assim como a maior parte dos membros da League of Nations.

O combate foi ok, nada de transcendente. O final… foi “Booty”. A vitória da League of Nations  na Wrestlemania é mais uma tentativa da WWE de dar valor a uma equipa que não tem sido capaz de cativar os fãs, nem positiva nem negativamente. No entanto, esta derrota não prejudica necessariamente os The New Day. O que se seguiu ao combate, sim. Kingston, Woods e Big E conquistaram o público de tal forma que, com 5 minutos de promo, facilmente voltariam à mó de cima. No entanto, a forma como foram ridicularizados estraga muito do trabalho que tem vindo a ser feito para os credibilizar enquanto uma das maiores tag team dos últimos tempos.

Os New Day acabaram por ser derrotados
Os New Day acabaram por ser derrotados

O aparecimento de Shawn Michaels, Mick Foley e Stone Cold, que responderam às provocações de King Barrett após o combate e facilmente se livraram da League of Nations, mostra que a WWE ainda se apoia demasiado nas estrelas do passado e tem dificuldade em deixar que as novas brilhem. Um grupo de wrestlers reformados derrota um grupo que os campeões de Tag Team não conseguiram? Qual é a lógica disso?

Como se não bastasse, Stone Cold fez um Stunner a Xavier Woods e nem Big E nem Kofi Kingston fizeram nada em relação a isso, reduzindo assim os campeões a um grupo de palhaços. Não é, certamente, um “Wrestlemania moment” como JBL e Michael Cole tanto disseram nos comentários. Pelo menos não pelas melhores razões.

Brock Lesnar vs Dean Ambrose

Com uma Wrestlemania até ao momento bastante aquém das expectativas, vinha um combate capaz de mudar o evento para melhor. Uma Street Fight entre “The Beast” Brock Lesnar e “The Lunatic Fringe” Dean Ambrose tinha tudo para ser o combate da noite, “steal the show”, deixando os dois lutadores brilharem…mas no entanto a WWE preferiu manter a coerência e continuar a desiludir os fãs. O combate não foi nem metade do que poderia ter sido e lutas entre o público e no backstage, sangue e várias armas não passaram de uns quantos “German Suplexs”, umas cadeiradas, umas meras ameaças de utilização das armas que Ambrose recebeu das lendas ao longo da semana e um Brock Lesnar vencedor num combate demasiado curto.

Brock Lesnar foi o vencedor num combate que desiludiu  Fonte: WWE
Brock Lesnar foi o vencedor num combate que desiludiu
Fonte: WWE

Não questionando o vencedor(a vitória para Ambrose cimentava-o no main event) questiono o combate, que foi a desilusão da noite. A WWE voltou a falhar, tendo tudo na mão para criar um combate memorável. Assim, Lesnar volta a ter aquela aura de destruidor e a dúvida volta a pairar sobre os proximos planos para Ambrose.

Women’s Championship Triple Threat

Mas que combate. Sem dúvida um dos melhores da noite, sem dúvida uma ode ao wrestling e sem dúvida a melhor forma de dar início a esta nova era do wrestling feminino na WWE, que tanto valor tinha perdido nos últimos anos.

Viu-se de tudo neste embate entre Charlotte, Sasha Banks e Becky Lynch. Desde momentos mais técnicos, como a sucessão de submissões entre as três wrestlers, a momentos de maior risco, como o magnífico Moonsault de Charlotte para fora do ringue ou o Frog Splash em homenagem a Eddie Guerrero por parte de Sasha Banks e para cima de Charlotte, que nesse preciso momento fazia um Figure Four a Becky Lynch.

Charlotte cimentou o seu reinado Fonte: WWE
Charlotte cimentou o seu reinado
Fonte: WWE

Apesar de o final e a vitória de Charlotte ter a interferência de Flair, esta não prejudica a qualidade do combate, visto que avança a história para outro capítulo e contínua aquela que tem sido uma tendência no reinado de Charlotte.

A ideia mais importante que fica deste combate é a de que, independentemente de quem ganhasse hoje, a responsabilidade de levar as wrestlers femininas da WWE estaria sempre bem entregue.

Shane McMahon vs The Undertaker

Os anos passam mas a mística da entrada de Undertaker nunca muda e é, por si só um dos momentos de qualquer Wrestlemania. Provavelmente o combate mais falado e antecipado da Wrestlemania, por tudo aquilo que estava em jogo e pela curiosidade em saber como iria terminar este combate. E a verdade é que o combate acabou por ser dos melhores da noite. A estipulação (Hell in a Cell) ajudou, mas há que louvar a disponibilidade de Undertaker , já com 51 anos, e principalmente de Sane, que não é lutador profissional. Tivemos bons spots entre os 2, momentos “OMG” mas o momento alto do combate foi quando Shane O´Mac decidiu subir a jaula e atirar-se para a mesa de comentadores onde estava Taker, mas como este desviou-se no ultimo momento, o filho de Vince McMahon acabou por bater na mesa. Um momento que fez vibrar a audiência.

Undertaker venceu na Wrestlemania Fonte: WWE
Undertaker venceu na Wrestlemania
Fonte: WWE

A vitória foi para Taker, o que significa, se nada acontecer na Raw pós-Wrestlemania, que a guerra entre pai e filho acabou e que tudo irá continuar na mesma na WWE (para o bem e para o mal). Mas o grande vencedor da noite foi mesmo Shane O´Mac. Saiu de Maca mas foi aplaudido pelo público. Não só fez o favor a Vince para Undertaker ter um combate nesta Wrestlemania, como voltou a sacrificar o seu corpo em prol da companhia.

Andre The Giant Battle Royal

A WWE transformou um combate que, na sua fase inicial era suposto ser de grande prestígio, num combate que costuma ser de ida à casa de banho e refill de bebidas e comida. Apesar disso, foi bastante divertido e descontraído, ajudando a criar um ambiente mais relaxado e a dar fôlego ao público depois de um combate tão intenso quanto o de Shane McMahon e Undertaker.

Houve lugar para surpresas como a participação de Diamond Dallas Page, de Baron Corbin, da NXT, de Tatanka e… de Shaquille O’neill! O gigante da NBA rivalizou com Big Show durante alguns momentos do combate e acabou por ser eliminado juntamente com este.

Uma grande estreia para o Lone Wolf Fonte: WWE
Uma grande estreia para o Lone Wolf
Fonte: WWE

O único verdadeiro destaque neste combate é a vitória de Baron Corbin. O antigo jogador de futebol americano tem mostrado muito valor na NXT, pelo que este, apesar da aparente insignificância do prémio, parece ser um grande voto de confiança por parte da WWE. Tudo indica que dará o salto para o plantel principal, muito provavelmente para solidificar o midcard do programa-mãe. É algo a confirmar na “Raw After Mania”.

De seguida tivemos um segmento com The Rock. Numa entrada que demorou quase tanto tempo como o combate entre Lesnar e Ambrose, “The Great One” veio ao ringue anunciar que o recorde de assistência estava batido, com mais de 100 mil pessoas no At&t Stadium. Quando parecia que o segmento ia acabar, as luzes apagaram-se e a Wyatt Family entrou. O grupo liderado por Bray Wyatt era uma das incógnitas desta Wrestlemania, pois havia a curiosidade em saber qual seria o seu papel(não se percebe como não tiveram um combate).

A Wyatt Family continua a ser desperdiçada Fonte: WWE
A Wyatt Family continua a ser desperdiçada
Fonte: WWE

Após um segmento que antecipava um combate entre Bray Wyatt e The Rock a acontecer ali mesmo, a WWE brindou-nos com um Erik Rowan vs The Rock que durou…6 segundos. Decisão ridícula mas que não acabou ali. John Cena fez o seu regresso após lesão e os dois wrestlers banalizaram a Wyatt Family, despachando-os com os seus “finishers”. Até Braun Strwoman, super protegido até agora e de quem se falava que havia grandes planos para esta Wrestlemania, não escapou.

Um segmento que não acrescentou nada ao evento e que serviu apenas para “enterrar” ainda mais a Wyatt Family. Incrível como a WWE tem vindo a desperdiçar o talento de Bray Wyatt e do seu grupo. O que tinha tudo para ser um dos grupos mais carismáticos da companhia e que tinha uma oportunidade de sair por cima nesta Wrestlemania(mesmo que numa feud com menos importância) acaba reduzida a combates de 6 segundos e a ser despachada por duas lendas da industria.

Roman Reigns vs Triple H

Era chegado a altura do tão esperado main event. Esperado não pelo combate em si mas pela reacção que o público ia ter mal Roman Reigns aparecesse. E como se esperava, o ex-Shield foi assobiado. Tanto durante a sua entrada como durante o combate. Bastava Reigns ficar por cima que os apupos apareciam, mesmo com Triple H e Steph a trabalharem como heels. O público acabou mesmo por ser uma das estrelas do combate, com cânticos como “NXT” “Bayley” “Nakamura” ou “Sami Zayn”. Era a demonstração óbvia de que o público não estava envolvido no combate e ninguém os pode culpar. A WWE tinha de ter um bom plot twist na manga para dar a volta a um combate que, apesar de estar a ser bom, não tinha aceitação por parte do público. E foi ai que a WWE falhou.

Roman Reigns volta a ser campeão da WWE Fonte: WWE
Roman Reigns volta a ser campeão da WWE
Fonte: WWE

Quando todos se questionavam como acabaria o combate, se haveria heel turn de Reigns, double-turn ou interferência, a WWE termina o combate da pior maneira e da mais preguiçosa, dando uma vitória limpa após Spear a Roman Reigns. Os criativos da WWE têm sido bastante criticados e esta noite é um dos maiores exemplos. A vitória não surpreende ninguém, todos sabíamos que Roman Reigns ia ganhar, mesmo sabendo que era algo que só a WWE queria, mas alimentámos a esperança de ver algo diferente nesta Wrestlemania. Assobiado pelo público, de tal maneira que a WWE teve de cortar os apupos na transmissão televisiva, o futuro de Reigns como campeão é incerto. Nem com um estilo mais “badass” consegue ter o público do seu lado. Não por sua culpa mas por culpa da WWE, que continua a construir a sua personagem da maneira que se vê, sendo apelidado cada vez mais de John Cena 2.0. Se na próxima Raw, Reigns não fizer um heel-turn, terá um reinado difícil pela frente.

Em suma, esta acabou por ser uma Wrestlemania bastante longe do que se esperava de um evento assim. Em termos de combate não desiludiu (o roster é capaz de fazer sempre grandes combates) mas pecou por decisões e momentos que não percebem e que nada acrescentam ao futuro da WWE. A empresa tinha o objectivo de fazer desta a maior e melhor Wrestlemania de todos os tempos, mas apenas em audiência o objectivo foi cumprido, pois esta Wrestlemania não ficará na memória.

Artigo de André Conde e Gonçalo Caseiro

Foto de capa: WWE

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