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Os candidatos à vaga na Alpine

Carlos Eduardo Lopes · 6 min

Alpine F1
Foto: F1

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Mais que o rugido dos motores e o entusiasmo das performances em pista, a paragem de três semanas no calendário de Fórmula 1 após o GP da Itália fez com que os holofotes noticiosos se virassem, desta feita, para os rumores e confirmações do mercado de pilotos. As dez equipas, entre as quais a Alpine, preparam já a época de 2023, tendo já grande parte dos “assentos” dono definido.

No entanto, há ainda lugares por confirmar. Por entre os que restam, o mais competitivo é nesta altura o lugar deixado vago por Fernando Alonso, confirmada que está a saída do veterano piloto espanhol para a Aston Martin. Alonso vai render o tetracampeão da modalidade Sebastian Vettel, que “pendura as luvas” após o GP de Abu Dhabi em Novembro, e irá formar parceria com Lance Stroll naquela que será uma tentativa de alavancar o potencial da equipa britânica após um período de forte investimento.

Para a vaga disponível na garagem da Alpine ao lado de Esteban Ocon para 2023, apresentam-se nesta altura, então, dois candidatos claros: o francês Pierre Gasly e o neerlandês Nyck de Vries. No entanto, a nossa lista estende-se a seis outros nomes, cujos respectivos perfis e hipóteses de sucesso aqui destacamos:

Pierre Gasly (AlphaTauri) – hipótese de sucesso 9/10 – correu já muita tinta acerca do ingresso do francês na equipa conterrânea, e se por um lado ainda não houve “fumo branco”, por outro continua a ser, tudo indica, a escolha preferencial dos directores da Alpine; não só pelo estatuto que já garantiu ao longo de uma carreira de Fórmula 1 pautada pela perseverança (uma vitória e três pódios, todos com a AlphaTauri/Toro Rosso), mas também pelo facto de aos 26 anos se aproximar do seu pico de forma, quem sabe pronto a assumir-se, pela primeira vez, como líder de uma equipa de maiores ambições. A desistência (forçada) da AlphaTauri em Colton Herta após “nega” da FIA, numa polémica relacionada com a superlicença desportiva do americano, pode estar na origem do atraso nas negociações entre Alpine e Gasly. No entanto, caso o interesse da Alpine se mantenha, Gasly estará por certo receptivo e será apenas uma questão de tempo até o negócio se tornar oficial.

Nyck de Vries (piloto reserva da Mercedes) – 8/10 – tardou, mas aconteceu. Aos 27 anos, o antigo campeão de Fórmula 2 e Fórmula E teve finalmente a sua primeira oportunidade de mostrar credenciais no mais recente Grande Prémio de Fórmula 1, em Monza, e de imediato conseguiu dois pontos importantes para a Williams ao volante do carro habitualmente conduzido por Alex Albon. De imediato o seu “status” subiu junto dos mais altos responsáveis do paddock, e apesar de continuar contratualmente ligado à Mercedes o neerlandês já está em contacto com Helmut Marko (responsável da Red Bull, com vista a assinar pela AlphaTauri caso Gasly saia para a Alpine), e com a própria Williams, agora que foi confirmada a saída de Nicholas Latifi no final de 2022. Logan Sargeant, piloto da Fórmula 2, tem sido também apontado à Williams o que pode exercer influência na escolha de de Vries.

Jack Doohan (F2, academia Alpine) – 6/10 – o talento emergente. Filho da lenda das duas rodas Mick Doohan, Jack fez uma excelente segunda metade de época na sua estreia na Fórmula 2, o patamar de entrada no pináculo do desporto motorizado. Tem a vantagem de ser um produto da “cantera” da Alpine, e nessa medida a subida do australiano de 19 anos à equipa principal iria dar credibilidade ao programa de jovens talentos da equipa, mas acarretaria pressão adicional sobre Esteban Ocon – se por um lado o francês iria passar a beneficiar do estatuto de piloto “número um”, por outro correria o risco de ver a sua reputação danificada caso Doohan confirmasse a expectativa que os responsáveis da Alpine (e os fãs da modalidade) colocam no promissor piloto da “Costa Dourada”. Ainda assim, a equipa francesa parece mais inclinada a apostar em experiência sobre juventude, o que pode funcionar contra Doohan e a favor dos três nomes seguintes na lista.

Antonio Giovinazzi (Fórmula E, piloto reserva da Ferrari) – 6/10 – depois de uma época de estreia desapontante na Fórmula E, o italiano, que é também apontado à Haas, parece determinado a voltar à Fórmula 1 e a Alpine pode vê-lo como uma hipótese sólida enquanto parceiro de Ocon. O antigo parceiro de Kimi Räikkönen na Alfa Romeo será potencialmente mais errático que outros nesta lista, e talvez ligeiramente menos cotado que Ocon, mas encontra-se também no pico de carreira e pode ser uma solução mais barata (e menos disruptiva) que Gasly ou de Vries, e capaz de garantir pontos para a tabela de construtores.

Nico Hülkenberg (piloto reserva da Aston Martin) – 5/10 – atendendo às prestações do experiente alemão sempre que foi chamado a intervir nas últimas épocas, talvez seja a opção mais fiável desta lista no que toca a garantir resultados competitivos e condução segura. Conhece a equipa do seu tempo na Renault e pode desempenhar dois papéis distintos: o de chefe de equipa ou, a hipótese mais provável, o de leal escudeiro de um Esteban Ocon determinado a agarrar o lugar de primeiro piloto deixado vago por Alonso.

Daniel Ricciardo (McLaren) – 4/10 – seria a escolha óbvia, depois de ter perdido o lugar na McLaren para o compatriota australiano Oscar Piastri em 2023, não fosse a existência de um certo “orgulho ferido” por parte da Alpine. Ricciardo, apesar de ter mostrado dificuldades de adaptação ao novo McLaren, preenche todos os requisitos que a Alpine procura: experiência, competitividade, ética de trabalho. No entanto, a equipa francesa tem-se mostrado desinteressada por consequência da saída de Ricciardo da então Renault para a McLaren em 2021, uma decisão que tudo indica terá sido forçada pelo australiano. Caso a posição da Alpine se mantenha, e dada a falta de outros lugares competitivos na grelha, Ricciardo já admitiu a hipótese de tirar um ano sabático.

Théo Pourchaire (F2, academia Sauber) – 2/10 – a jovem promessa francesa, que divide funções entre a sua equipa na Fórmula 2 (ART) e a Alfa Romeo enquanto piloto de testes, pode ser hipótese se a Alfa confirmar a renovação de Guanyu Zhou. A seguir a Ocon e Gasly, é o piloto francês mais bem cotado na hierarquia das “Fórmulas” (e o mais novo dos três). Só uma catástrofe no último fim de semana da temporada de F2, em Abu Dhabi, pode negar o lugar de vice-campeão a Pourchaire, resultado que daria ainda mais legitimidade à sua entrada na Fórmula 1 já em 2023. No entanto, e tal como a de Doohan, a sua candidatura pode sofrer revés insuperável devido à tenra idade, e consequente inexperiência no “circo” da Fórmula 1.

Mick Schumacher (Haas) – 1/10 – hipótese remota, mas ainda assim passível de entrar nesta lista dada a popularidade do alemão (financeira também), e pelo facto de ter sido assumido publicamente como a opção preferida de Ocon para assumir o outro lado da garagem. Neste momento, tenta defender o seu lugar na Haas, mas tem o veterano compatriota Hülkenberg a bater à porta do chefe de equipa Günther Steiner. Falhando a renovação, resta apenas como alternativa, por isso, passar a piloto de testes da Ferrari, ou assumir uma das vagas na Alfa Romeo, Williams… ou Alpine.

Foto de Capa: Formula 1

Carlos Eduardo Lopes

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