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Fórmula 1 | E agora, Alex Albon?

Luís Manuel Barros · 6 min

Fórmula 1 | E agora, Alex Albon?
Foto: Red Bull Racing

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Numa temporada cheia de recordes e temas para se discutir na comunidade da Fórmula 1, um dos mais debatidos foi o lugar de Alexander Albon na Red Bull. A resposta chegou já após o final da temporada, com a confirmação de Sergio Pérez na equipa e de Albon como piloto de reserva e desenvolvimento.

Tendo sido uma decisão recebida de forma positiva por quase todos os fãs, tal não seria assim no final da temporada passada. Por isso, convém compreender como chegamos aqui e o que será feito da carreira de Albon, após este revés.

O inicio da carreira de Albon na Fórmula 1 foi logo carregado de improviso. Com a bomba da saída de Daniel Ricciardo para a Renault, a Red Bull viu-se obrigada a improvisar. Pierre Gasly, apenas com uma época completa ao serviço da Toro Rosso, na qual conseguiu vários resultados muito positivos, foi promovido para a equipa principal, substituindo Ricciardo. Brendon Hartley não convenceu durante a temporada e perdeu também o seu lugar, obrigando a equipa italiana a escolher uma equipa totalmente nova. Entre os mais variados rumores e suposições, até António Félix da Costa viu o seu nome associado. Contudo, a equipa foi buscar Daniil Kvyat, que, após um “ano sabático” como piloto de testes da Ferrari, pareceu merecer de novo a confiança da família Red Bull.

Fonte: Fórmula 1

Ainda assim, ficava a faltar alguém e não parecia haver mais pilotos da Red Bull disponíveis… a não ser que se recorresse a um ex-piloto jovem do programa. Nem de propósito, um desses pilotos tinha terminado em terceiro lugar no campeonato de Fórmula 2, atrás dos também promovidos George Russel e Lando Norris. Esse piloto era Alexander Albon, que rapidamente terminou o seu contrato com a Nissan E-Dams da Fórmula E, com quem iria correr em 2019.

Estava resolvido o problema da Red Bull, para já. Apesar de não ser tão rápido como Kvyat nas primeiras corridas, Albon começou a adaptar-se e a desafiar o russo. Ao mesmo tempo, Pierre Gasly mostrava uma grande dificuldade de adaptação ao RB15, e os resultados teimavam em não aparecer, com qualificações muito longe de Verstappen e falta de confiança para atacar os adversários em pista. Apesar de se mostrar publicamente sempre do lado do piloto, a Red Bull acabou por ceder e, após o Grande Prémio da Hungria, desceu Gasly para a Toro Rosso e promoveu Albon, que tinha apenas meia temporada de experiência para a Red Bull.

Logo na primeira corrida na equipa-mãe, Albon mostrava muito mais velocidade e agressividade do que Pierre Gasly. E assim foi durante várias corridas, incluindo o quase pódio do Grande Prémio do Brasil, que lhe foi retirado após uma manobra um pouco ambiciosa de Lewis Hamilton.

Após esta meia temporada na Red Bull, a opinião era geral: a decisão acertada era manter Albon, que, durante o inverno, teria tempo de se habituar ainda melhor ao carro. Apesar de ninguém esperar que estivesse próximo de Max Verstappen, pelo menos poderia ajudar em termos estratégicos e ser um bom segundo piloto.

Chegamos a 2020. Nos testes de pré-temporada, algo se passa com o RB16. Parece ser um carro muito instável na traseira, o que afeta mais Albon do que Verstappen, sendo que o tailandês chegou a bater forte após perder a traseira. A Red Bull não admitiu problemas, mas era quase óbvio que este não era um carro fácil de conduzir.

No Grande Prémio da Áustria, onde começou a temporada, Albon parecia começar a temporada como terminou a anterior. Qualificou-se em quarto, seguiu em terceiro durante a maioria da corrida e, após uma espetacular estratégia da Red Bull, parecia o favorito à vitória. No entanto, mais uma vez, Lewis Hamilton dá-lhe um toque e atira-o para a gravilha.

Fonte: Red Bull Racing

Apesar disto, todos gostaram do que viram de Albon e acreditaram ser o necessário para vingar. Dito isto, muito raramente voltou a atingir este nível de execução. Os pontos iam surgindo, aqui e ali, mas, numa temporada em que deveria ter pelo menos o quarto lugar garantido, após a catástrofe da Ferrari, era pedido muito mais a Albon. Particularmente na Qualificação. Muitas vezes, as corridas dele não pareciam demasiado más, porque víamos ultrapassagens fabulosas. Contudo, aquelas ultrapassagens nem deviam estar a acontecer, caso ele estivesse a fazer um bom trabalho na qualificação.

Sempre que os carros que não fossem Red Bull ou Mercedes chegavam ao pódio, por obrigação não deviam ser eles a aproveitar, mas sim Albon. No entanto, não estava. Quando Max Verstappen precisava de cobertura estratégica para tentar forçar a mão da Mercedes, estava sozinho, porque Albon estava no pelotão a perder tempo frente a carros bastante mais lentos do que o dele.

Para que se tenha a noção da temporada de Albon, a melhor corrida dele foi a última, em Abu Dhabi. Terminou na quarta posição, enquanto o colega de equipa venceu. Contudo, a grande diferença foi que desta feita estava próximo do top 3. Albon esteve constantemente a pressionar Lewis Hamilton, de forma a retirar opções estratégicas à Mercedes e a permitir que Max Verstappen vencesse de forma mais confortável. Se Albon tivesse feito isto toda a temporada, teria valido mais do que ambos os pódios que conseguiu.

Durante as nossas análises das corridas, a presença de Albon como a desilusão foi uma constante. Mas não é por o acharmos um mau piloto – muito pelo contrário. É facilmente merecedor de um lugar na Fórmula 1, e é pena que não o vá ter em 2021. Uma possibilidade que, para mim, teria sido ideal era a sua presença na Alpha Tauri, ao lado de Pierre Gasly, para servir como um género de tira-teimas. No entanto, o lugar ficou preenchido por Yuki Tsunoda.

Uma descida para a Alpha Tauri poderia também ter um efeito como teve em Pierre Gasly, que, em 2020, foi um dos pilotos do ano, com performances fabulosas e, inclusive, uma vitória em Monza. Foi uma prova de que aquele piloto na Red Bull não estava no seu melhor, o que “deixa no ar” a desconfiança (quase certeza) de que algo tem de mudar na Red Bull.

O carro é obviamente construído para render consoante as características de Max Verstappen, o que é normal em muitas equipas. O piloto principal tem prioridade – acontecia com Schumacher, com Alonso, com Senna, a lista continua. No entanto, a equipa tem de ter o cuidado de construir um carro que não tenda demasiado para um só lado, porque corre o risco de não ter ali um segundo piloto quando precisa dele, como muitas vezes aconteceu nesta temporada e na passada.

A entrada de Sergio Pérez na Red Bull será uma injeção de muita necessária experiência na equipa, o que poderá anular estes problemas de adaptação. Contudo, para Alexander Albon, o futuro é um grande ponto de interrogação. Sebastian Buemi foi também piloto de testes da Red Bull durante vários anos, após sair da Toro Rosso. Hoje, corre em várias categorias, sendo um dos principais pilotos da Fórmula E.

Acredito que Alexander Albon seguirá o mesmo caminho de Buemi ou de outros, como Jean Éric Vergne ou António Félix da Costa. Há mais carreira para além da Fórmula 1 e mais equipas para lá da Red Bull. Albon é jovem e é muito talentoso, mas, para aproveitar isso, tem de sair debaixo da asa da Red Bull, mostrar o que realmente vale e, quem sabe, talvez uma porta se volte a abrir.

Foto de Capa: Red Bull Racing

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Luís Manuel Barros

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