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GP Espanha: Hamilton 2-1 Verstappen em duelo de titãs na Catalunha

Carlos Eduardo Lopes · 6 min

GP Espanha: Hamilton 2-1 Verstappen em duelo de titãs na Catalunha
Foto: Formula 1

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A CORRIDA: ESTRATÉGIA DA MERCEDES DEIXA HAMILTON A DUAS VITÓRIAS DO (BI)CENTENÁRIO

Após Lewis Hamilton (Mercedes) conquistar a 100ª “pole position” da sua ilustre carreira no sábado, a corrida antevia-se mais uma vez competitiva entre o britânico e o Red Bull de Max Verstappen, o duo em voga no início de 2021. Todos os pilotos excepto Kimi Räikkönen (Alfa Romeo, nos médios C2) começaram a corrida nos pneus mais macios disponíveis (C3), depois de a Pirelli decidir trazer os compostos mais duros para Barcelona, traçado notoriamente agressivo para com os pneus.

Boa partida para os dois Red Bull, com Verstappen a assumir a liderança por troca com Hamilton após uma ultrapassagem robusta nas primeiras duas curvas, e Sergio Pérez a ganhar duas posições de oitavo na grelha. Charles Leclerc (Ferrari) troca também posições com Valtteri Bottas (Mercedes) para subir a terceiro, após boa ultrapassagem por fora na longa curva três.

Fonte: Formula 1

A corrida ia estabilizando quando Yuki Tsunoda (AlphaTauri) pára na parte de fora da curva dez, aparentemente com problemas de motor, e traz para pista o Safety Car à passagem da oitava volta. Antonio Giovinazzi (Alfa Romeo) entra nas boxes para trocar para pneus médios mas perde mais de 40 segundos quando os mecânicos detectam um furo no pneu esquerdo dianteiro. Os dois Williams vêm também à boxe para pneus médios e a corrida recomeça na volta dez com Verstappen ainda na frente, seguido por Hamilton, Leclerc, Bottas e Daniel Ricciardo (McLaren). Pierre Gasly (AlphaTauri), para trás no pelotão, recebe nesta altura uma penalização de cinco segundos por se posicionar incorrectamente na grelha de partida.

Os veteranos Fernando Alonso (Alpine), a correr “em casa”, e Sebastian Vettel (Aston Martin) iam lutando pelo 11.º lugar, enquanto os pilotos da frente controlavam o ritmo de corrida por forma a aproveitar o período de conservação proporcionado pelo Safety Car e tentar uma estratégia de apenas uma paragem. O primeiro a parar em condições de bandeira verde é Gasly, à volta 19, servindo a sua penalização e trocando também ele para pneus médios. Ao francês seguiram-se Alonso e Vettel, com o alemão da Aston Martin a sair temporariamente em desvantagem nesta batalha em particular.

Os pilotos da frente começam a parar para pneus médios à volta 24, com o líder Verstappen a antecipar-se a Hamilton na corrida às boxes logo na volta seguinte. Após uma paragem dois segundos mais lenta que o ideal, Verstappen reemerge atrás do colega de equipa Pérez, que imediatamente deixa passar o holandês, enquanto Hamilton permanece em pista nos desgastados pneus macios. A surpresa nesta altura ia sendo o britânico George Russell (Williams), que se ia defendendo dos ataques de Pérez pelo sétimo lugar, ainda que em virtude de não ter parado, até então, para pneus novos.

Hamilton troca finalmente de pneus no início da volta 29, com Verstappen a assumir a liderança mas agora em pneus quatro voltas mais velhos que os do heptacampeão, o que poderia vir a ser uma jogada estratégica importante da Mercedes para a parte final da corrida. Bottas dava o “golpe” em Leclerc, parando antes do monegasco e forçando o ritmo na volta seguinte para subir a terceiro.

À entrada do último terço da corrida (programada para um total de 66 voltas), Hamilton ia mantendo pressão forte em Verstappen e os pilotos em estratégias de duas paragens, como os dois Aston Martin de Vettel e Lance Stroll, iam descendo às boxes. Jogada crítica ao início da volta 43, com Hamilton, também ele, a dirigir-se às boxes para nova paragem para outro conjunto de pneus médios. A Red Bull não responde, mantendo Verstappen em pista apesar dos pneus mais desgastados, e Hamilton começa a “caçada” – com a desvantagem cifrada nos 22 segundos, era necessário tirar um segundo por volta para chegar perto de Verstappen.

Ultrapassagem fantástica de Pérez sobre Ricciardo por fora na primeira curva, fazendo o mexicano subir a quinto e o australiano dirigir-se às boxes no fim da mesma volta para troca de pneus, tal como Carlos Sainz (Ferrari) atrás de si. Hamilton ia “voando” em pista durante voltas consecutivas e, a 15 voltas do fim, a diferença era agora de apenas 12 segundos. O terceiro classificado do campeonato, Lando Norris (McLaren), ia tentando defender-se do antigo colega de equipa Sainz mas sem sucesso, com o também piloto “da casa” a subir a oitavo para montar um ataque ao outro McLaren de Ricciardo e aos dois Alpine de Alonso e Esteban Ocon logo de seguida.

Hamilton faz a ultrapassagem sobre Bottas na volta 52 e o finlandês vem às boxes duas voltas a seguir para pneus novos, perdendo mais uma posição para Leclerc, que ia fazendo uma boa e tranquila corrida no terceiro posto. A nível táctico, a excepção de duas paragens transformava-se na regra, com apenas Verstappen e um punhado de outros pilotos a manterem-se na estratégia de paragem única à entrada das últimas seis voltas.

Início da volta 60 e o retrovisor de Max Verstappen pintado de negro, com Hamilton a usar o DRS para passar confortavelmente o holandês e assumir a dianteira da corrida, provando que a estratégia de duas paragens, e o ritmo do Mercedes, eram mesmo as melhores armas para combater o atrito e a ondulação lateral do asfalto catalão. Verstappen faz uma paragem “grátis” nas boxes logo de seguida, para ir em busca da salvação dada pelo ponto extra para a volta mais rápida, que consegue à primeira oportunidade.

Bandeira de xadrez para Hamilton, de novo à frente de Verstappen e Bottas – o trio cimentando o recorde para a combinação de pódio mais comum na história da Fórmula 1, conseguido na corrida anterior em Portimão. Boas corridas, em particular, para Leclerc (quarto), Ocon (nono lugar, oito posições à frente do veterano colega de equipa Alonso) e Mick Schumacher (18.º, mais uma vez à frente do segundo Haas de Nikita Mazepin). A 98.ª vitória de Hamilton, e sexta na Catalunha, deixa o britânico na liderança isolada do campeonato de pilotos, 14 pontos à frente de Verstappen, e a Mercedes também líder dos construtores com 141 pontos, contra 112 da Red Bull.

Começa a desenhar-se, assim, uma corrida “a dois” em ambos os campeonatos, mas com mais 19 corridas agendadas para aquela que será, à partida, a mais longa temporada da história da Fórmula 1, ainda tudo pode acontecer. O próximo duelo terá lugar no mítico circuito do Mónaco, no fim-de-semana de 22 e 23 de Maio.

Foto de Capa: Formula 1

PILOTO DO DIA

Fonte: Mercedes AMG-F1

Lewis Hamilton (Mercedes) – Calculista, metronómico, dominador, e que mais? Os adjectivos começam a não ser suficientes para definir as prestações do “papa-recordes” britânico, que se adapta de forma excepcional às condições de corrida e gere os desafios de gestão de pneus e ritmo de corrida como muito poucos na grelha.

Partiu pior que Verstappen e deixou o holandês assumir a liderança na primeira curva, mas esse foi o único ponto menos positivo na corrida de “Sir” Lewis, que seguiu a instrução da Mercedes e alterou do plano A (uma paragem) para plano B (duas paragens) de forma exímia. A 20 voltas de “Hammertime” após a segunda paragem juntou uma ultrapassagem ao colega de equipa Valtteri Bottas, e depois calculou o momento exacto para passar para a dianteira, que não mais largou. Aos 36 anos, parece estar no pico de forma e à 100.ª “pole” da carreira juntou de forma categórica a 98.ª vitória na Fórmula 1 – talvez a caminho do mais desejado recorde de todos, o oitavo campeonato do mundo de pilotos.

DESILUSÃO DO DIA

Fonte: Alpine F1 Team

Fernando Alonso (Alpine) – Desilusão não tanto por fazer uma corrida pobre, mas porque o resultado final poderia ter sido muito diferente. Até começou bem a sua corrida “caseira”, mantendo-se dentro dos pontos durante a larga maioria das 66 voltas, mas o risco estratégico de fazer uma paragem apenas não surtiu o efeito desejado. Talvez resultado de lutas desnecessárias com Stroll e outros pilotos do meio do pelotão, os pneus não aguentaram e foi forçado a parar uma segunda vez muito tarde na corrida, caindo para o fundo da tabela de tempos e terminando oito posições abaixo do colega de equipa Esteban Ocon.

Carlos Eduardo Lopes

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