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WWE – O que é que está a acontecer?

Afonso Viana Santos · 3 min

WWE – O que é que está a acontecer?

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27 de maio de 2020, a data de mais um evento desapontante da WWE na Arábia Saudita, com os combates obrigatórios por títulos, com a presença obrigatória de lendas e com a vitória obrigatória de Mansoor. Em suma, mais um evento típico daquele país.

O main-event era, no mínimo, curioso: Goldberg contra “The Fiend” Bray Wyatt pelo Universal Championship.

Após vários Spears e os kick-outs de Wyatt, Goldberg aplicou um golpe parecido com o Jackhammer e, dessa vez, The Fiend não conseguiu escapar. Tínhamos novo Universal Champion.

Após a estupefacção inicial, muitos fãs acabaram por perder a calma e deram voz à sua raiva. O que, na minha opinião, foi uma atitude compreensível.

Goldberg acabara de derrotar a melhor personagem que a WWE teve nos últimos cinco anos, que tinha sido construída de forma brilhante ao longo de quase um ano, através da fantástica “Firefly Fun House”.

Por outras palavras, um lutador de 53 anos derrotou, em três minutos, alguém que tinha todo o potencial para ser uma das figuras da WWE nos próximos anos.

Não é assim que o wrestling devia actuar. O modo de garantir a sua continuidade é criar novas estrelas quando as outras já estão velhas. Imagine-se que o Undertaker tinha perdido para Jimmy Snuka e Jake “The Snake” Roberts na Wrestlemania, e que durante o seu primeiro ano na empresa não ganhasse todos os combates em que o colocavam. Caso isso acontecesse, nunca teria chegado aos níveis míticos que a sua carreira atingiu.

Sinceramente, se Wyatt não tivesse perdido o título nesta ocasião, tal deveria acontecer na Wrestlemania frente a Roman Reigns, o que não ajudaria em nada os níveis de popularidade do “Big Dog”.

Agora, se querem mesmo que Reigns seja o maior babyface da empresa, o melhor é tornar Goldberg heel (se bem que é raro a WWE fazer isso com lendas em part-time). Já The Fiend enfrentará John Cena; talvez ainda tenha algo a dizer sobre as derrotas consecutiva que sofreu, em 2014, às mãos da então “cara” da empresa…

Para evitar este erro colossal, penso que The Fiend nunca deveria ter ganho o título. Desse modo evitar-se-ia o final ridículo do Hell in a Cell (e este final de reinado desastroso). Na altura, nem Rollins nem Wyatt deveriam perder, por isso colocá-los frente-a-frente foi uma má ideia.

Para terminar a história deste reinado, The Fiend fica com o curioso recorde de ser a primeira pessoa a conquistar um título mundial e a perdê-lo na Arábia Saudita.

De resto, quem sofreu mais, para além de The Fiend, foram os fãs que pagaram mais de 7.000 dólares pelo seu Universal Championship característico.

Claro que quando a WWE faz uma decisão deste género há sempre um grande número de fãs que dizem não ligar mais à empresa, avisando-a de que, se não tiver cuidado, ainda pode ser ultrapassada pela sua concorrência.

É verdade que, actualmente, existem várias alternativas à WWE, nomeadamente a All Elite Wrestling e a Nem Japan Pro-Wrestling. Ainda neste último Sábado, a AEW produziu um evento fantástico – o “Revolution” – onde o combate principal foi entre dois lutadores mal utilizados (de um ponto de vista criativo) pela WWE – Chris Jericho e Jon Moxley.

No entanto, creio ser improvável que algo mude. A WWE continuará a ser a maior empresa de wrestling do mundo, por largos anos. Mesmo que pelo caminho hajam eventos desapontantes, combates horríveis, e decisões de tirar a paciência a um santo.

Foto de Capa: WWE

Artigo revisto por Joana Mendes

Afonso Viana Santos

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