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A situação pandémica porá fim ao exercício das modalidades diferenciadas de cada clube. O futsal, infelizmente, não constitui uma exceção à regra – frase que, habitualmente, se diz/escreve e se traduz numa incongruência porque a existência de uma regra dispensa exceções – e o adeus é antecipado premeditadamente. Tardes e noites na sua boa companhia terminaram. Partidas eletrizantes e caracterizadas pela indecisão no placard final não ocupam – até ao prólogo de próxima época – qualquer emissão por intermédio de um posto televisivo. A alegria e a fuga à monotonia do quotidiano encontram-se, momentaneamente, em suspenso para os amantes de futsal. Aguarde uns meses…
Suprimindo a opinião pessoal expressa, o que se supracitou podia ser matéria representativa de um vídeo promocional – rasca, se quiser – ou um anúncio do Secretário de Estado do Desporto. Dá para os dois lados, escolha um. Mas o que me trouxe aqui não se cinge à divulgação da triste notícia: pretendo, sim, discorrer uma lista dos dez melhores e mais influentes profissionais do futsal que envergaram a camisola rubra em Portugal. Inclui guarda-redes e refere-se à década que, erroneamente, dão por findada. Aqui vai! (Ah, sou obrigado a estabelecer uma ordem, não quer dizer que a tenha de levar a sério).
As mágoas afogam-se com comida. Se seguir as sugestões do livro da minha mãe que destaco, pode sair da quarentena com alguma sanidade mental.
10.

Guitta – a definição perfeita de “muralha”. A experiência. A qualidade técnica. O posicionamento. A inteligência. A qualidade de passe. As defesas. Os golos. As assistências. Sinalizou, de certa forma, a mudança de rumo nas aspirações europeias pelo facto de ter trazido a confiança e o traquejo que urgia no balneário leonino. Agiganta-se frequentemente, é sempre um prazer observar o melhor do mundo da atualidade a confinar a proteção devida de que as redes verdes e brancas carecem. Sai um Cuscuz Paulista.
9.

Alex – o primeiro brasileiro a despertar a minha atenção na modalidade. Alex, no panorama gastronómico, seria a refeição requintada, com pétalas de cereja e a disposição simétrica e geométrica dos ingredientes. Qualidade soberba em ambos os pés, golos com fartura, magia em quantidades avultadas e rins retirados a sangue frio. Ora, pro-nobis, portanto…
8.

Pedro Cary – discrição parece-me a palavra mais apropriada. (E aqui surge o problema porque não reconheço essa característica a uma refeição). Cary era um leão de verdade e isso bastava. Determinação e foco no adversário, dificilmente induzido pelas trapeias do adversário e defensivamente astuto. Detentor de um remate portentoso, drible não veloz, mas objetivo e com capacidade de passe distinta. Mediante isto, uma cataplana de peixe originária de Faro.
7.

Dieguinho – letalidade. Finalização. Fim. Epílogo de uma trama. Toda essa resma que indica finitude. Instinto de avançado apurado, capacidade de decisão acima da média e prudente na postura defensiva. Uma mescla de samba do Rio com um jeito meio que desengonçado e cambaleante aquando da disputa de bola. Apaixonou os adeptos precocemente e foi preponderante na supremacia sportinguista edificada desde o início da modalidade. Sirvam-se de um Mexido de Minas Gerais.
6.

João Matos – é o símbolo do futsal leonino a par de João Benedito. Podiam dispensar-se palavras, mas convém dirigir-lhe sempre algo. E o que quero dizer é que, efetivamente, não existem palavras para devoção infinita que tem para com a instituição, pelo empenho demonstrado em cada lance, pelo respeito que exige ao adversário, pela defesa intransigente dos interesses leoninos, pelo contributo para o engrandecimento do Sporting Clube de Portugal. Todos os “obrigados” são em vão. Saem uns pastéis de Belém…
5.

Alex Merlim – a batuta em movimento desde a chegada a Alvalade. A verdadeira aceção da palavra magia. Golpes de génio, jogadas inventadas num ápice, passes de rutura onde aparentemente não existe rutura, golos de antologia… a enumeração, aprofundada o suficiente, não tem preço e seria dolorosa para um eventual leitor adversário. Quando chegar a hora da retirada, os sportinguistas vão querer continuar no mundo do ilusionismo. Disfrute de um tereré.
4.

Deo – “o pequeno, o anão, o inofensivo, o infantil”, achavam os inimigos. Os homens não se medem aos palmos. Os jogadores idem. O talento de Deo é contrastante com as suas características físicas. 16 anos e não sei quantos títulos ganhos, Deo é um intocável. Velocidade aliada a movimentações inesperadas, visão de jogo ampla e frieza na execução. Uma autêntica “carraça” defensiva, um baluarte para qualquer equipa técnica e uma alma petrificada de amor ao clube. Faça-se acompanhar de uma boa tapioca.
3.

Cardinal – Cardinal é, no reduto leonino, especial. Chegou, partiu, voltou e assentou. Não sei se é adepto do FC Porto, nem me interessa. Se o for, admiro o profissionalismo e a capacidade não mercenária. Constata-se que erigiu um sentimento muito forte pelo Sporting e isso é inegável. Adaptou-se a mentalidades, a estratégias, a pensamentos, a apanágios do clube. Através do seu olhar, pode contemplar-se orgulho em representar-nos no futsal. Quanto às aptidões, duas palavras: exímio e decisivo. Tripas à moda do Porto para a mesa 7.
2.

Divanei – podia ter sido mesmo um devaneio, uma fugacidade. Felizmente, há Divanei. Aquele inédito “eu amo o Sporting”, no seu português do Brasil e o vincar do símbolo com o dedo indicador. A entrega ao jogo mesmo quando as forças pareciam dissipar-se, a inteligência e o discernimento com que delineava cada jogada, os golos apontados sempre em direção à glória e a conquista de uma massa adepta que chorou a sua partida. Nós amamos o Divanei! Sai uma Coxinha.
1.

João Benedito – apenas uma menção para o que quero escrevinhar. Pesquisem no YouTube pelo seu nome apenas. O vídeo surgirá. Aí, entendem o porquê de não ser capaz de organizar uma simples frase. “Isto é o Sporting!”. Agora, encha-se de doces e contenha a emoção.
Foto de Capa: Sporting CP
Artigo revisto por Diogo Teixeira









