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It’s coming R… Trissino | Final-Four Liga Europeia 2021/22

Tiago Alexandre · 5 min

Foto: WS Europe

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Está encerrada mais uma edição da Liga Europeia de Hóquei em Patins. A maior competição de clubes do mundo da modalidade, terminou, como é habitual, numa Final-Four que foi uma autêntica cimeira luso-italiana. Em Torres Novas, AD Valongo, SC Tomar, GSH Trissino e GIH Sarzana disputaram o troféu de Campeão Europeu em três jogos que colocaram frente a frente Portugal e Itália.

No Palácio dos Desportos Helena Sentieiro, AD Valongo e SC Tomar estrearam-se numa Final-Four da Liga Europeia, realizada, pela 13.ª vez, em Portugal – Torres Novas voltou a receber a competição 16 anos depois. Neste primeiro duelo, os adeptos das duas equipas compareceram em grande número e deram outro colorido às bancadas, proporcionando um espetáculo de excelência, com fair-play, fora do ringue de jogo. Quanto à partida propriamente dita, os nortenhos entraram praticamente a ganhar, fruto de um penálti convertido por Rafael Moreira.

Os nabantinos melhoraram com o passar dos minutos, muito à custa da irreverência do miúdo Lucas Honório. Completou 19 anos à poucos dias e, apesar de tenra idade, mostrou todo o seu potencial, estando envolvido nos três golos da remonatada, em apenas quatro minutos e meio. Com a vantagem de 1-3 no segundo tempo, o Tomar continuou melhor e, a 12 minutos do final, Tomás Moreira fazia o 1-4, a passe de… Lucas Honório, isto já depois de Caio e Tomás Moreira terem desperdiçado duas bolas paradas.

O Valongo reduziu de imediato, com um golo de meia distância de Facundo Bridge. A partir daí, os nabantinos não conseguiram controlar o jogo e Francisco Velundo teimava em segurar a sua equipa. Até que, aos 41 minutos, Diogo Barata reduziu para a margem mínima. A 5 minutos do final, Lucas Honório não conseguiu converter um Livre Direto e Facundo Navarro repôs a igualdade no marcador. Antes do fim do tempo regulamentar, Bridge ainda acertou no poste da baliza do Tomar. No prolongamento, a igualdade a quatro manteve-se e o jogo seguiu para penáltis. Aí, o Valongo foi exemplar e apurou-se para a Final, vencendo por 3-1, sem desperdiçar qualquer penálti.

Na segunda meia-final da prova, o equilíbrio não esteve tão em evidência no confronto entre os italianos e que opôs os irmãos Bertolucci. Apesar do favoritismo estar no lado do Trissino, o Sarzana já havia vencido, em duas ocasiões, a equipa do norte de Itália na presente temporada – na primeira, para o Campeonato, consentiu a primeira derrota da temporada ao Trissino, e na segunda, para a Taça, o Sarzana acabou por conquistar o troféu. À terceira foi mesmo de vez e, agora sem surpresas, o Trissino dominou a partida e vencia 2-0 ao intervalo, com golos de Emanuel Garcia e João Pinto.

Na segunda parte, o Trissino meteu o pé no travão e passou a controlar e a gerir o ritmo da partida. Apesar disso, voltou a marcar em mais duas ocasiões, ambas de Livre Direto, e ambas por intermédio de Giulio Cocco, ex-jogador do FC Porto, que se qualificou pela terceira vez consecutiva para a Final da Liga Europeia.

No derradeiro dia, Trissino e Valongo entraram em campo para disputarem a primeira final da Liga Europeia da sua História. E se olharmos à história, esta foi a terceira final entre portugueses e italianos, com Portugal a sorrir em ambas – em 1986 o FC Porto derrotou o ASDH Novara e em 1991 o OC Barcelos venceu o SHR Monza. Curiosamente, essas duas finais ditaram o primeiro título europeu para as duas equipas portugueses. E se todas as estatísticas jogavam, antes do jogo, a favor do Valongo, o facto de jogar praticamente em casa enfatizou ainda mais esse vaticínio. Os seus adeptos fizeram mais de 230 quilómetros e encheram toda a bancada que lhes era reservada, proporcionando um grande ambiente do início ao fim do jogo.

O jogo em si foi bastante disputado e rodeado sempre de muita espetacularidade e emoção para os presentes. À semelhança do dia anterior, o Valongo voltou a entrar bem na partida e, com 47 segundos jogados, Facundo Bridge abriu o marcador. A reação italiana foi imediata e, Davide Gavioli repôs o empate. Depois de dois Livres Diretos desperdiçados, Andrea Malagoli completou a reviravolta, três minutos depois. Logo a seguir foi a vez de Diogo Abreu desperdiçar um penálti, mas, aos 21’, Diogo Barato fez o 2-2. No último minuto do primeiro tempo, Facundo Navarro teve a chance de colocar a sua equipa novamente a vencer e, através de um Livre Direto, não desperdiçou.

Na segunda parte o nível exibicional manteve-se elevado e, logo no início, Malagoli voltou a empatar a partida. Três minutos depois, a equipa do distrito do Porto voltou a responder, com Facundo Bridge a fazer o 3-4. Depois, Facundo Navarro teve duas oportunidades para voltar a fazer o golo, mas Zampoli defendeu os dois Livre Diretos. A cinco minutos do fim, Giulio Cocco voltou a marcar nesta Final-Four e levou a partida para prolongamento. Na etapa complementar, os dois conjuntos anularam-se e, pela primeira vez na longa história da Liga Europeia, a Final iria ser resolvida nos penáltis. No desempate, Zampoli voltou a aparecer, defendeu dois remates e o Trissino venceu por 3-1.

Pela primeira vez na História, o GSH Trissino sagrou-se Campeão Europeu de Hóquei em Patins, naquele que é o segundo título de sempre para a Itália. Em 2006, o Follonica Hockey 1952 conquistou o troféu, numa competição realizada em Torres Novas. Curiosamente, uma das principais figuras dessa equipa foi Alex Bertolucci, atual técnico do Trissino. À 56.ª edição, a equipa do norte de Itália tornou-se no 12.º conjunto a vencer a competição, juntando-se a FC Barcelona (22), Reus Deportiu (8), Igualada HC (6), HC Liceo (6), Sporting CP (3), CP Voltregà (3), FC Porto (2), SL Benfica (2), OC Barcelos, CE Noia e Follonica.

Olhando para os principais nomes da edição 2021/22 da Liga Europeia, Jordi Méndez sagrou-se o melhor marcador da competição. Apesar de não ter estado presente na etapa decisiva, o jogador de 24 anos do AW Lodi apontou 10 golos em seis jogos. Todavia, a Final-Four e o título inédito do Trissino ficam incontornavelmente marcados por um nome: Stefano Zampoli. Pode não ter saltado à vista na meia-final, embora não tenha sofrido golos, mas na Final mostrou toda a sua qualidade, salvando a sua equipa quando esteve a perder e evidenciando-se nos penáltis. Tem apenas 22 anos e foi o guarda-redes menos batido nesta edição da competição. Um nome a ter em conta para o futuro e para a baliza da seleção italiana.

Foto de Capa: WS Europe

Artigo redigido por Tiago Alexandre

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