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Tóquio 2020, Ténis de Mesa #1: Continuaremos a lutar em equipa contra o “Adamastor”, mas primeiro a Alemanha

Marta Rebelo · 3 min

Ténis de Mesa Portugal
Foto: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa

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Deitando um olho ao panorama atual, é no mínimo curioso pensar que o desporto mais praticado do mundo começou por ser, há 200 e poucos anos atrás, um simples passatempo para as famílias da classe alta em… Inglaterra. E só depois do jantar.

O Ténis de Mesa chegou a ser dominado pelos países da Europa Central, como a Hungria, a Áustria, a Alemanha e a República Checa, até meados do século XX. Contudo, a verdade é que não há ninguém no mundo alheio ao facto de que Portugal (ou qualquer outro país), ao enfrentar a China nestes mares, sente sempre que está a fazer uma viagem parecida à dos navegadores portugueses quando passaram o Cabo das Tormentas. Mas sem o final feliz.

Posto isto, é perfeitamente normal contar-vos aqui que, desde que o Ténis de Mesa se juntou à lista de desportos olímpicos, em Seul 1988, a China já colocou no baú 30 das 35 medalhas de ouro disponíveis até agora.

No que toca à campanha portuguesa, a primeira ronda começou da melhor forma com vitórias de Jieni Shao, por 4-3 frente à sueca Christina Kaellberg, e de Tiago Apolónia, com um expressivo 4-0 face ao nigeriano Olajide Omotayo.

Infelizmente, os dois atletas acabariam por abandonar a competição individual em confrontos bastante desnivelados, principalmente no caso da portuguesa. Na ronda seguinte, Jieni Shao cedeu um 4-0 sem resposta contra Mengyu Yu, enquanto Tiago Apolónia foi derrotado, por 4-2, face ao tenista de mesa Kamal Achanta.

O passado dia 26, porém, trouxe-nos algumas alegrias, protagonizadas por Fu Yu, que arrebatou uma vitória por 4-0, ainda na ronda dois da competição feminina, face à indiana Sutirtha Mukherjee. Do lado masculino, Marcos Freitas, já na ronda três, brilharia na disputa intensa contra o austríaco Daniel Habesohn e avançaria para os últimos 16, com uma vitória por 4-3.

No dia seguinte, os portugueses pouco conseguiriam fazer em mais dois tormentosos duelos contra atletas chineses e japoneses, terminando, assim, a participação individual em Tóquio. Na ronda três, Fu Yu deixou alma e coração na mesa, sem que isso lhe permitisse vencer contra a japonesa Mima Ito, e Marcos Freitas foi obrigado a abandonar a arca dos últimos 16 sem conseguir contrariar o jogo de Fan Zhendong.

Na competição individual, a China ficou naturalmente na frente, com um total de cinco medalhas arrecadadas (duas de ouro, três de prata). O Japão ficou em segundo lugar, com uma medalha de ouro e outra de bronze, enquanto a Alemanha e o Taipei Chinês guardaram no bolso uma guerreira medalha de bronze cada um.

O destaque foi, como de costume, dado aos duelos entre atletas chineses. Fan Zhendong, n.º 1 do ranking mundial, não foi capaz de repetir a medalha de ouro do Rio 2016, sendo derrotado, por 4-2, pelo compatriota Ma Long, n.º 2 do ranking.

Olhando para a final feminina, a experiência foi igualmente mais forte e foi a n.º 1 do mundo, Cheng Meng, que alcançou o desejado ouro contra a parceira Sun Yingsha, naquela que foi uma partida no mínimo emocionante e que pode muito bem ter dado todo um novo significado à palavra smash.

As nossas atenções estão agora viradas para o próximo domingo, dia em que começam as provas por equipa. O adversário é a Alemanha, atual campeã da Europa por equipas, que conta também com Timo Boll, o regular campeão europeu de singulares. Ainda assim, Marco Freitas e João Monteiro estão confiantes de que são capazes de vencer e repetir algo parecido ao sucesso da quinta posição por equipas em Londres 2012.

Força, Portugal!

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Marta Rebelo

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