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O dilema dos Golden Knights

Tiago Pinto Martins · 7 min

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Cabeçalho modalidadesJá todas as equipas entraram na segunda metade das suas épocas e os Vegas Golden Knights mantém-se como a segunda melhor equipa da NHL, três pontos atrás dos Tampa Bay Lightning, uma posição improvável para se encontrar uma equipa de expansão. Nem o mais otimista dos recém-criados adeptos dos Golden Knights poderia prever este sucesso. Chegámos já a uma altura que deixou de valer a pena esperar que a bolha rebente, o mais certo é que ela não exista e que, contra todas as expectativas, a equipa de Las Vegas seja mesmo boa.

Primeiro Período: Um equilíbrio difícil de alcançar.

É preciso ter vivido estes três últimos meses em tempo real para acreditar que uma equipa de expansão, montada a partir dos restos dos outros, se pudesse tornar numa das melhores da liga. Uma pessoa que fosse transportada no tempo, diretamente do dia do draft de expansão até hoje, teria dificuldades em aceitar esta realidade. Nós temos o benefício do tempo que nos permitiu adaptar a esta ideia aos poucos, até chegarmos ao ponto de aceitação. Os Golden Knights vieram para ficar.

Se não há alguma sorte envolvida? É claro que há. Perder três guarda-redes por lesão teria feito tombar a mais sólida das equipas. Uma regressão está na calha, mas não será tão grande como se pensa. O regresso de Marc-Andre Fleury e os números de posse da equipa permitem afirmar, com confiança, que a presença nos playoffs está assegurada. O ritmo atual (126 pontos ao fim dos 82 jogos) é difícil de manter, mas toda a informação que temos mostra que será ainda mais difícil ficarem abaixo dos 100.

Jonathan Marchessault Fonte: SB Nation
Jonathan Marchessault
Fonte: SB Nation

O sucesso não é todo doce, tem também umas partes amargas que os Golden Knights terão que engolir nos próximos meses. Até aqui o plano era muito simples: serem competitivos, ao mesmo tempo que iam amealhando escolhas no draft e jogadores jovens. Um pé no futuro e outro no presente. Agora o sucesso estrondoso irá obrigar a escolher um dos lados. Qual será a postura de George McPhee no tradedealine? Vai vender ou vai comprar? Pode não fazer nada, mas mesmo essa ausência de decisão será, ela mesma, uma decisão, uma vez que será um voto de confiança no plantel atual e, por isso, uma aposta no presente.

Esta decisão de âmbito geral terá que ser acompanhada por muitas outras no âmbito individual. Quem fará parte do futuro dos Golden Knights? Uma das decisões está tomada. Jonathan Marchessault renovou o seu contrato por mais seis temporadas, com um salário médio anual de $5 milhões de dólares. Esta aposta no pequeno avançado de 27 anos é mais do que merecida. Marchessault tem provado que a época passada não foi fogo de vista e já leva 37 pontos em 35 jogos. Quem se seguirá? James Neal, David Perron, William Karlsson, Colin Miller e Shea Theodore, todos terminam contrato no fim desta época. McPhee não esperava que estas decisões viessem a ser tão difíceis. Por várias vezes ele falou da importância que o sucesso tem para os Golden Knights, para a cidade de Las Vegas e para a NHL. Esperemos que isso não funcione como uma pressão negativa, fazendo tombar o fiel da balança demasiado para o presente.

Segundo Período: Os heróis esquecidos dos Lightning.

Da segunda melhor equipa da NHL para a primeira. Os Tampa Bay Lightning estão a milhas da concorrência e afirmam-se como os mais sérios candidatos à Stanley Cup na Conferência Este. É fácil olhar de relance para os números e focar a atenção em dois jogadores, Steven Stamkos e Nikita Kucherov, a dupla mais temida pelas defesas na NHL. Os dois merecem todos os elogios e mais alguns, mas há outros nomes que ficam esquecidos no meio de todas as odes feitas às duas estrelas, sendo apenas mencionados com brevidade quando se destacam individualmente, num ou noutro jogo.

O primeiro jogador a sofrer do efeito eucalipto do duo Stamkos-Kucherov é o seu colega de linha, Vladislav Namestnikov. Na primeira metade da temporada, o avançado russo de 25 anos já igualou o máximo de carreira em pontos (35). A seguir, na segunda linha, vem uma das maiores surpresas dos últimos dois anos, um jovem selecionado na 3ª ronda, chamado na época passada para tapar os buracos deixados pelas lesões, numa altura em que a equipa fazia um último esforço para chegar aos playoffs. Brayden Point jogou tão bem que ficou. Ficou, ganhou o seu espaço e agora lidera a segunda linha da melhor equipa da NHL. Point é um miúdo de 21 anos que está encarregado de defender a melhor linha do adversário na maioria dos jogos, libertando Kucherov e Stamkos para outras tarefas, e que, ainda assim, consegue ser o terceiro melhor pontuador da equipa.

Andrei Vasilevskiy Fonte: Twitter Tampa Bay Lightning
Andrei Vasilevskiy
Fonte: Twitter Tampa Bay Lightning

Para último deixámos talvez a melhor amostra da mestria que os Lightning têm demonstrado no desenvolvimento de talento: Andrei Vasilevskiy. A escolha do russo na primeira ronda do draft de 2012 foi vista como uma aposta de risco de Steve Yzerman. Vasilevskiy foi o guarda-redes escolhido mais cedo no draft nos últimos sete anos. Yzerman dobrou a sua aposta quando deixou sair Ben Bishop, o guarda-redes titular da equipa desde 2013, entregando as chaves do carro ao miúdo de 22 anos. O tempo veio-lhe dar toda a razão. Vasilevskiy é um dos candidatos ao Vezina este ano, com uma percentagem de defesas de 93.5% e seis shutouts. É fácil olhar para os resultados dos Lightning, ver lá um 5-0, dar enfase ao cinco e esquecer o zero. Em muitos jogos, são as defesas que Vasilevskiy faz quando o resultado ainda está em 0-0 ou 1-0 que possibilitam essas goleadas.

Tudo isto serve para realçar a verdadeira força dos Lightning: a profundidade. Uma estrela, ou duas neste caso, de pouco servem se o resto da equipa não for, no mínimo, competente, que o digam os Edmonton Oilers. Os Lightning parecem ter uma fonte inesgotável de talento, onde vão buscar jogador atrás de jogador para complementar os esforços dos seus craques. No entanto, essa fonte não é algo de mágico, dá muito trabalho, foi construída graças à extrema competição na prospeção e no desenvolvimento de jovens jogadores. Foi no draft que os Lightning se criaram, é aí que se formam as grandes equipas.

Terceiro Período: Canadá recuperam o ouro nos juniores.

Com menos de dois minutos por disputar na final do Campeonato de Mundo de Juniores, Tyler Steenbergen desbloqueou o empate a um golo entre Canadá e Suécia. Pouco depois, já sem ninguém na baliza sueca, Alex Formenton confirmou a vitória dos Canadianos por 3-1. Esta foi a segunda medalha de ouro em quatro anos para o Canadá, recuperando o título perdido no ano passado para os Estados Unidos da América. Os suecos debateram-se com valentia, tendo feito a vida negra aos eventuais campeões e deixando pelo caminho na semifinal os anteriores vencedores, mas não foi suficiente para alcançarem a medalha que lhes foge desde 2012.

O golo de Steenbergen não podia ter sido mais emblemático daquilo que torna o Canadá um candidato perene à vitória neste torneio. O golo que marcou na final foi o seu primeiro. Era o único jogador canadiano que ainda não tinha marcado qualquer golo. Um herói improvável, tendo em conta que foi utilizado com o 13º avançado durante o torneio, mas mais compreensível quando olhamos para os seus números. De facto, Steenbergen era um dos melhores goleadores do plantel, com 36 golos marcados pelos Swift Current Broncos da WHL. É aqui que o Canadá se destaca no plano internacional, força da equipa versus força das individualidades. Casey Mittelstadt (EUA/Buffalo Sabres) e Rasmus Dahlin (Suécia) foram os melhores jogadores do torneio, mas às suas seleções faltou esta capacidade que o Canadá tem todos os anos, a de conquistar uma medalha de ouro com um golo do 13º avançado.

Tyler Steenbergen  Fonte: Sporting News
Tyler Steenbergen
Fonte: Sporting News

Estrelas da Semana

Primeira Estrela: Patrice Bergeron (Boston Bruins)

Não é todos os dias que se marcam quatro golos num jogo. Foi o que Bergeron fez na vitória dos Bruins por 7-1 sobre os Carolina Hurricanes. Ninguém o fazia com a camisola dos Bruins desde 1999. No total, Bergeron terminou a semana com cinco golos e duas assistências em três jogos.

Segunda Estrela: Jonathan Bernier (Colorado Avalanche)

Os Avalanche não perdem há cinco jogos consecutivos, a sua maior série vitoriosa desde 2015. Muito contribuiu Bernier para essa série. O guarda-redes suplente dos Avalanche, que foi chamado à titularidade devido à lesão de Sergei Varlamov, registou três vitórias em três jogos, tendo sofrido apenas quatro golos e registando um shutout.

Terceira Estrela: Sidney Crosby (Pittsburgh Penguins)

Na semana passada dissemos que os Penguins só precisavam que a sorte mudasse, mas Sidney Crosby não esperou por ela. O capitão dos Penguins, que até aqui estava a ter uma temporada abaixo das suas capacidades, explodiu em produção com oito pontos em quatro jogos. Os Penguins venceram três desses quatro jogos, incluindo dois triunfos sobre rivais de divisão, Philadelphia Flyers e New York Islanders. Esta pequena recuperação deixa os Penguins no último wild card, mas ainda com mais jogos disputados do que todas as equipas que vêm na perseguição.

Foto de Capa: Bleacher Report

Tiago Pinto Martins

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