Publicidade

A montanha-russa chamada João Sousa | Ténis

Duarte Amaro · 5 min

Foto: Estoril Open

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Na maioria das vezes, quando falamos dos melhores atletas portugueses de todos os tempos, temos uma tendência grande para nos lembrarmos de figuras únicas que marcaram o desporto português como Cristiano Ronaldo no futebol, “Ticha” Penicheiro no basquetebol ou Joaquim Agostinho no ciclismo, e esquecer outros que alcançaram feitos igualmente históricos, mas que não lhes é dado o mesmo enfâse como é o caso de João Sousa.

Sabemos que desporto é o momento e talvez esta seja uma das frases mais injustas que alguma vez se proferiu porque, por muito mau que seja o momento de um atleta, não temos o direito de nos esquecer de tudo o que este já alcançou e creio que João Sousa é um exemplo perfeito disso.

É neste seguimento que me proponho a analisar a carreira do tenista vimaranense: uma carreira repleta de altos e baixos, uma carreira recheada de feitos históricos e uma carreira que tem sido uma autêntica montanha-russa, e, julgo que esta inconstância na carreira do tenista leva-nos a esquecer, de uma forma justa para uns e injusta para outros, que estamos perante o melhor tenista português de todos os tempos.

De São Torcato para o mundo, João Sousa já tem o seu nome escrito na história do desporto e do ténis nacional, muito devido a tudo o que já alcançou neste que é um desporto tão apaixonante. Nesse sentido acho fundamental conhecer um pouco mais daquele que tem sido o seu percurso, passando pelos feitos históricos alcançados pelo tenista português durante toda a sua, já longa, carreira.

Foto de Capa: Estoril Open

Artigo redigido por Duarte Amaro

OPEN DA MALÁSIA

Nada melhor que começar pelo sítio onde João Sousa alcançou o seu primeiro título ATP. O ano de 2013 e a cidade de Kuala Lumpur irão sempre ficar marcados, de forma única e particular por representarem a primeira conquista para o ténis nacional. Foi nesta bela cidade que o tenista português alcançou, não só o seu primeiro título ATP de sempre, mas também uma entrada nos 50 melhores tenistas do mundo. Creio que será um momento que marcará para sempre o ténis nacional, não só pelo que representa, mas também pela forma como foi alcançado. Numa batalha épica, o tenista vimaranense salvou diversos match points para bater o então finalista Julien Benneteau pelos parciais de 2-6, 7-5 e 6-4.

Curiosidade: Antes de chegar à final, o tenista português já tinha batido David Ferrer que era na altura número quatro do ranking ATP.

OPEN DE VALÊNCIA

Da Malásia para Espanha e passados dois anos do seu primeiro troféu, João Sousa viria a conquistar o seu segundo título da carreira, no Open de Valência, em 2015. À semelhança do que havia acontecido na Malásia, o tenista português começou por perder o primeiro set, desta vez por 3-6 mas a história viria a repetir-se com o português a superiorizar-se ao tenista da casa, Batista Agut e batê-lo nos seguintes dois sets, o primeiro por 6-3 e o segundo por 6-4.

O ano de 2015 ficou ainda marcado por ser um dos melhores anos da carreira de João Sousa quer em termos de vitórias que em termos de finais. Antes do título conquistado em Espanha, já o tinha feito

Curiosidade: No ano de 2016 alcançou a sua melhor posição no ranking de sempre em singular, um décimo oitavo lugar.

ESTORIL OPEN

Na minha opinião, o momento mais importante na carreira de João Sousa, o realizar de um sonho, não só para o tenista vimaranense, mas também para todos os adeptos e fãs do ténis nacional. O ano de 2018 irá certamente ficar marcado pelo feito histórico alcançado: um português ganhou o Estoril Open. Naquele que é certamente um dos momentos mais especiais para o ténis nacional, ainda mais especial porque, João Sousa nunca havia passado uma única ronda na prova realizada no Clube de Ténis do Estoril e nesta edição além de ter derrotado o compatriota Pedro Sousa, o britânico Kyle Edmund, o grego Stefanos Tsisipas ou o atual número dois do mundo Daniil Medvedev, bateu na final o americano Francis Tiafoe com um duplo 6-4.

Curiosidade: Ainda no ano de 2018, o tenista de Guimarães conseguir chegar pela primeira vez aos oitavos de final de um torneio de Grand Slam (US Open) onde só foi travado pelo sérvio Novak Djokovic.

OPEN DA ÍNDIA

1371. Foram os dias que esperámos para poder voltar a ver João Sousa erguer um troféu ATP, desde a sua última conquista em terras lusitanas, no Millenium Estoril Open, em 2018. O enguiço está quebrado e o grito de revolta foi dado pelo tenista português no ATP de Pune, na Índia onde bateu na final, o tenista finlandês Emil Ruusuvuori, que ocupava a posição 87 do ranking ATP pelos parciais 7-6 (11-9), 4-6 e 6-1.

Na sua 11.ª final em torneios desta categoria, João Sousa voltou a acender uma chama que parecia apagada e a dizer presente para o estatuto de melhor tenista português de sempre, com a conquista daquela que é a sua quarta vitória em torneios ATP.

Curiosidade: Com esta vitória, João Sousa volta, cerca de um ano e meio depois, o top-100 do ranking mundial, ocupando a 86ª posição da tabela.

Como a vida não são só rosas, o período temporal entre as últimas duas conquistas do tenista vimaranense foi terrível quer a nível desportivo, sem qualquer tipo de vitória nos torneios ATP, caindo para a posição 137ª do ranking ATP (a sua pior classificação) quer a nível físico e psicológico com diversas limitações físicas agravadas pela turbulência que a pandemia veio trazer, não só ao tenista português como a todos nós.

“Foram dois anos difíceis”, assim se referiu aos últimos anos da sua carreira após conquistar o ATP de Pune na Índia. Ao assistir às declarações de João Sousa fiquei impressionado pela capacidade de superação e resiliência do vimaranense que, tal como típico da sua cidade, não vira as costas à luta.

Na minha opinião vai muito para além da questão física, entrando no espectro da questão mental que acho essencial para que qualquer atleta ou pessoa possa atingir o sucesso. Creio que esta vitória de João Sousa, na Índia, será uma lufada de ar fresco naqueles que têm sido os seus últimos anos e julgo que a partir deste momento veremos um João rejuvenescido, capaz de ir ao encontro daquele que é o seu melhor nível, porque tal como, Armando Sousa referiu “Foi o gostar muito do ténis que o fez aguentar esta vida”.

Duarte Amaro

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.