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Australian Open 2022 | O resumo de um torneio histórico

Filipe Torres · 7 min

Australian Open 2022 | O resumo de um torneio histórico
Foto: Aus Open

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Após duas semanas de jogos da quadra principal do torneio, terminou o primeiro Grand Slam do ano! Além de ser histórico, devido ao vencedor, vai ficar muito marcado devido à ausência do atual número um mundial, Novak Djokovic, que não cumpriu a isenção médica e foi deportado antes do começo dos jogos da quadra principal.

Num dia em que o tema central em Portugal eram as eleições legislativas, a manhã foi para os adeptos de Ténis. O Open da Austrália de 2022 teve vários jogos de ficar colado ao ecrã e vários momentos em que parecia que os dois finalistas, Daniil Medvedev e Rafael Nadal, não iam chegar à final, mas acabaram por confirmar o favoritismo. Rafael Nadal acabaria por vencer o Open da Austrália e se tornar no primeiro tenista masculino a vencer 21 Grand Slams.

As três grandes surpresas no Open da Austrália: Denis Shapovalov, Maxime Cressy e Gael Monfils. Agora, pela negativa, as três grandes desilusões do torneio foram: Alexander Zverev, Hubert Hurkacz e Cameron Norrie.

Foto de Capa: Aus Open

DANIIL MEDVEDEV | O RUSSO SÓ PENSAVA NA DOBRADINHA E NA POSIÇÃO DE NÚMERO UM MUNDIAL

Como já tinha referido no artigo sobre a primeira semana do Open da Austrália, o russo era um dos tenistas que tinha mais a perder no torneio: podia conquistar o seu segundo Grand Slam e, em caso de vitória, garantia a primeira posição do ranking ATP, a 21 de fevereiro, se Novak Djokovic não jogasse mais nenhum torneio antes do ATP Dubai 500.

No primeiro encontro do torneio, Medvedev, tal como quase todos os cabeças-de-série, tinha um adversário mais “acessível”, no caso do russo, era Henri Laaksonen, da Suíça. O jogo não foi muito problemático para Medvedev, apesar do russo ter sido quebrado logo no primeiro serviço, uma vez que terminou após quase 2 horas de jogo e onde o suiço não mostrou ter muitas armas para derrubar o russo.

A segunda partida do percurso de Daniil foi um dos mais emocionantes do torneio. Depois de vários anos a “prometer” ser melhor, Nick Kyrgios, fez uma melhores prestações da carreira e quase surpreendeu o russo, num local muito feliz para o australiano. Kyrgios quase conseguiu vencer o primeiro set, mas perdeu o no tie-break. O australiano ainda compensou, ao empatar a partida no segundo set, mas não foi melhor que o russo no terceiro e quarto set. Nick Kyrgios foi muito mais feliz no torneio de duplas masculinas, onde conquistou o seu primeiro Grand Slam, com o seu compatriota e amigo de longa data, Thanasi Kokkinakis.

Na terceira ronda, Medvedev defrontou Botic Van De Zandschulp, dos Países Baixos. O jogo não teve a mesma intensidade que o último do russo nem a mesma competitividade, ou seja, foi um jogo semelhante ao da primeira ronda. Ao contrário do jogo contra o suiço, Medvedev não foi quebrado em nenhum serviço pelo neerlandês.

O próximo adversário do russo foi Maxime Cressy. O jovem tenista de 24 anos foi uma das surpresas agradáveis do torneio – eliminou John Isner, jogador do top 30 do ranking mundial. Tal como Kyrgios, Cressy venceu um set, apesar de não ter sido uma partida tão bem disputada como o jogo do russo na segunda ronda. Com a prestação no Open da Austrália, Cressy subiu do 70º lugar para o 59º.

Nos quartos-de-final, Medvedev apanhou um grande susto e não foi de nenhum fantasma. O responsável foi Félix Auger-Aliassime. O jovem tenista de 21 anos entrou muito bem nas primeiras duas horas e venceu os dois sets iniciais. Num encontro sem ser de Grand Slam, o jogo já teria terminado, para felicidade de Medvedev, não foi esse o caso. Depois disso, o resto do jogo foi um excelente teste para o russo: perceber se teria cabeça para conseguir uma reviravolta importante para tentar chegar ao primeiro lugar do ranking mundial, e foi o que aconteceu. Foi um dos melhores jogos do torneio e só mostrou que tanto o russo como o canadiano vão ser dos principais nomes do circuito ATP durante os próximos anos.

Nas meias-finais, Daniil Medvedev encontrou o seu “amigo” Stefanos Tsitsipas. Ambos tenistas tem uma longa rivalidade e já tiveram vários momentos com muita tensão dentro da quadra. O jogo, apesar de não ter sido tão bom como os jogos contra o Kyrgios e Auger-Aliassime, foi bem disputado e podia ter calhado para qualquer lado. Ambos são dos tenistas mais importantes e é muito provável que os vejamos a conquistar um Grand Slam na atual época.

RAFAEL NADAL | À ESPREITA DO RECORDE DE GRAND SLAMS

Depois da saída de Djokovic, Rafael Nadal acabou por ser o único tenista com 20 Grand Slams a disputar o torneio. Toda a pressão estava no carismático espanhol que pensou em se retirar do Ténis antes do Open da Austrália.

O primeiro jogo do espanhol foi contra Marcos Giron. Tal como o primeiro jogo de Medvedev no Open da Austrália, Nadal não teve uma tarefa muito complicada, terminou o jogo em menos de duas horas e não cedeu qualquer serviço. Nadal começava com o pé direito.

O segundo adversário de Nadal foi Yannick Hanfmann. O tenista já tinha realizado quatro jogos em duas semanas, depois de ter vencido os três jogos da fase de qualificação e venceu o colega de Kyrgios no torneio de duplas masculinas antes do jogo contra o espanhol. Um duelo com Nadal, tal como um duelo contra Roger Federer e Novak Djokovic, num Grand Slam, é sempre uma boa recompensa, apesar de ser muito complicado vencê-los, para os tenistas que estão nos lugares mais abaixo do ranking.

O terceiro adversário foi Karen Khachanov, um tenista com maior expressão no mundo das raquetes. A qualidade de um dos vários russos da modalidade é notória e foi dos poucos que conseguiu roubar um set ao futuro vencedor do Open da Austrália. Quem diria que um país como a Rússia teria tantos bons jogadores no Ténis? Apesar disso, o espanhol acabaria por levar a melhor.

O adversário seguinte foi Adrian Mannarino. O tenista francês tinha eliminado um russo – Aslan Karatsev – antes do embate com o espanhol e quase o surpreendeu no primeiro set, o tie-break só acabou nos 16-14! Depois disso, o francês não conseguiu dar a volta e acabaria por ser mais uma das presas de Nadal no Open da Austrália.

Nos quartos-de-final, o adversário, tal como o jogo do Medvedev na mesma ronda, era um canadiano: Denis Shapovalov, que tinha eliminado Alexander Zverev na ronda anterior. O Canadá começou 2022 com o pé direito ao vencer a ATP Cup e dois tenistas quase chegaram às meias-finais do primeiro Grand Slam do ano. Ao contrário de Medvedev, Nadal começou o jogo com o pé direito e venceu os primeiros dois sets. Mas, com a partida a continuar e a qualidade de Shapovalov a se evidenciar, o canadiano surpreendeu e conseguiu empatar a partida. O jogo seria depois decidido no quinto e último set, onde o espanhol começou com o pé direito, quando quebrou o primeiro serviço do canadiano.

Matteo Berrettini foi o último adversário de Nadal antes da final. O tenista italiano foi uma das surpresas de 2021 e mostrou, no Open da Austrália, que não foi pura sorte. O jogo foi o menos interessante das meias finais e acabou por durar três horas. Piso duro não é o circuito favorito de Berrettini, mas mostrou que consegue ser dos melhores em qualquer um dos pisos.

O DERRADEIRO ENCONTRO

A final seria histórica de qualquer forma, tal como já tinha sido referido. Os detalhes do encontro estão aqui.

Se Novak Djokovic tivesse participado, a história do Open da Austrália, provavelmente, seria completamente diferente: não haveria toda a polémica antes do início da competição, podia ter havido um Djokovic-Nadal nas meias-finais da prova, Gael Monfils podia possivelmente não ter chegado tão longe na prova, entre outras.

O que interessa é o jogo e esse foi o destaque nas últimas duas semanas. Já se sabe que Novak Djokovic vai ter permissão para participar no segundo Grand Slam do ano, Roland-Garros, o torneio favorito de Rafael Nadal. No torneio francês, Nadal poderá aumentar o recorde, ou vai voltar a partilhar o recorde, ou vamos ver tenista a surpreender e ganhar o Roland-Garros pela primeira vez.

Filipe Torres

Redação Bola na Rede · ver artigos