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Antevisão RB Leipzig-SL Benfica: vertigo europeu

Daniel Oliveira · 5 min

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Um jogo de tudo ou nada. De tudo ou alguma coisa. De muito ou pouco. Um jogo de esperança ou desilusão. Um jogo para Liga Europa, Liga dos Campeões ou somente de lições. Da goleada, à derrota, ao empate e à vitória. Tudo podendo significar muito, pouco ou simplesmente nada.

Hoje, dia 27 de novembro, o Sport Lisboa e Benfica vai disputar na Alemanha o jogo mais complicado da sua actual campanha europeia. A dificuldade extrema deve-se à qualidade do adversário, à adversidade do local e ao stress da posição actual.

Depende de si não ser goleado. Depende de si conquistar os três pontos. Qualquer outro resultado só terá significado perante aquilo que terceiros fizerem.

RasenBallsport Leipzig: segundo classificado do campeonato alemão em igualdade pontual com o FC Bayern Munique e a um ponto do líder Borussia VfL 1900 Monchengladbach; líder do Grupo G da Liga dos Campeões com vitórias na Luz e nos dois jogos com o FC Zenit São Petersburgo e uma derrota na recepção ao Ol. Lyon. Vem de um registo impressionante de cinco vitórias consecutivas com um saldo de quatro golos sofridos e 24 golos marcados.

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A equipa liderada por Julian Nagelsmann tem vindo a apresentar um crescendo de forma à medida que a época vai avançando e hoje encontra-se num momento futebolístico muito superior àquele apresentado em setembro na Luz.

Futebol característico de ataques rápidos, ferozes e fatais. É uma equipa que joga para ofensivamente ferir constantemente o adversário. É forte nos duelos, rápida na pressão sobre a bola e muito perigosa no momento de transição ofensiva – feito normalmente em velocidade, com vários jogadores e todos de alto calibre.

Marcel Sabitzer, Emil Forsberg e o goleador Timo Werner serão os principais responsáveis por deixar em alerta a defesa encarnada. O avançado alemão conta até ao momento com 16 golos e sete assistências em 18 jogos. Além destes, também Christopher Nkunku e Yussuf Poulsen poderão atacar a baliza benfiquista.

O poderio ofensivo do clube alemão é inegável mas a equipa de Lage poderá ter uma oportunidade na maior fragilidade defensiva da equipa de Nagelsmann. Nos últimos dois jogos a equipa sofreu três golos e chega a esta partida com várias baixas de peso. Por lesão estarão indisponíveis o central Ibrahima Konaté, o central e capitão Willi Orban e o lateral direito Nordi Mukiele. Também o central Dayot Upamecano se encontra limitado e em dúvida.

Os encarnados perderam por 2-1 com os alemães no encontro disputado na Luz
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Num momento de forma totalmente oposto encontra-se a equipa do SL Benfica. A nível europeu os resultados e desempenhos têm sido sofríveis. A nível nacional, tanto no campeonato como nas taças, as constantes vitórias têm-se feito acompanhar por constantes exibições de enorme pobreza.

A equipa de Bruno Lage vem de um jogo deprimente, onde dificilmente se conseguiu impor a um adversário de dois escalões abaixo e que atuou 20 minutos com 10 jogadores.

A grande baixa da equipa é Rafa – a alma ofensiva desta equipa. Era a velocidade e criatividade do ’27’ encarnado que ia fornecendo ao ataque alguma capacidade de desequilibrar as defesas adversárias.

Hoje, Bruno Lage tem duas tarefas: não inventar e subir a qualidade de jogo da equipa. A equipa-tipo do Sport Lisboa e Benfica tem de crescer, evoluir e aprender. Para isso, tem de jogar e jogar e jogar. Essa equipa, que será composta pelos melhores jogadores, tem de evoluir para subir o seu nível de jogo. O treinador encarnado tem obrigação de nos dar isso.

Inventar hoje será não só quebrar as possibilidades de evolução, como também uma maneira fácil de oferecer o jogo ao adversário e queimar os nossos mais jovens. Por exemplo, não duvido da qualidade de Tomás Tavares. Tem futuro, um tremendo potencial, mas precisa de crescer, precisa de jogar no campeonato nacional para adquirir ritmo competitivo e confiança. Tem de aprender, tem de ir às aulas, estudar e fazer vários testes: praticar, antes de se atirar ao exame nacional.

Bruno Lage tem de lançar o melhor 11 para o campo, talvez com uma ou duas adaptações perante o nível e qualidade do adversário, e, sobretudo, tem de ter treinado a equipa para crescer futebolisticamente.

Contra este adversário não é possível apresentar a passividade defensiva que temos assistido em todos os outros jogos. Contra este adversário não dá para jogar com a linha defensiva tão afastada da linha do meio-campo. Contra este adversário não é possível limitar as nossas jogadas de ataque a lateralizações na procura de cruzamentos ou a pontapés para a frente na procura de conquistar a segunda bola.

Ao nível do que temos jogado, não tenho dúvidas de que os alemães nos irão condicionar a posse com pressão alta, e que irão facilmente ultrapassar a nossa linha de pressão e colocar rapidamente três craques a atacar de frente os nossos quatro defesas. Isto evita-se jogando com as linhas e com os setores mais próximos. E ofensivamente teremos de fazer o que não temos feito, mas que será o caminho mais próximo para o golo: atacar pelo centro e com a bola no chão colada ao pé. Isto é, incentivar a qualidade técnica dos nossos jogadores e expor as maiores fragilidades dos centrais alemães.

O Sport Lisboa e Benfica tem de se recusar a ser um qualquer David
Fonte: SL Benfica

Hoje é dia de fazer história em solo alemão. Hoje é dia de contrariar todas as expectativas. Hoje é dia do SL Benfica ser SL Benfica. Hoje é dia de revolucionar as contas do grupo. Hoje é dia do Sport Lisboa e Benfica se relançar na Europa.

Sabemos que a nível europeu ainda não temos em Portugal nenhum Golias. Mas o Sport Lisboa e Benfica tem de se recusar a ser um qualquer David.

Equipas Prováveis:

RB Leipzig: Péter Gulácsi, Lukas Klostermann, Dayot Upamecano, Ethan Ampadu, Marcel Halstenberg, Diego Demme, Konrad Laimer, Emil Forsberg, Marcel Sabitzer, Christopher Nkunku e Timo Werner.

SL Benfica: Odysseas Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Alex Grimaldo; Florentino; Gabriel, Gedson Fernandes, Pizzi, Cervi e Vinícius.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Daniel Oliveira

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