Publicidade

Dos “B” aos “A”: Os paradigmas da transição | SL Benfica

Márcio Francisco Paiva · 2 min

Florentino Luís
Foto: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Benfica

O SL Benfica tem uma panóplia ainda considerável de jogadores das suas equipas secundárias (B e sub-23) na reta final dos respetivos contratos e sem que seja percetível qualquer intenção dos mesmo para rubricar um novo contrato com os encarnados. O volume de jovens nestas condições acicatou a discussão sobre a transição da equipa B para a equipa A e sobre a aposta nos produtos da formação benfiquista.

Quem defende a legitimidade da decisão de não renovar destes jovens defende-a com toda a razão. É, de facto, legítimo. Quem defende que faz sentido estes jovens não renovarem um novo contrato com as águias por não serem já uma aposta regular na equipa A defende algo que já me parece bem mais debatível. Por mais qualidade que assista estes jovens projetos de futebolistas, querer queimar etapas e quase “forçar” a inclusão na equipa A pode ser mais contraproducente para os próprios jovens do que a adoção de uma posição mais paciente.

Se no começo da temporada parecia, de facto, difícil existir espaço para os jovens da equipa B sequer treinarem com o plantel principal (pelo excessivo elenco), agora já, há, claramente, espaço para a integração gradual dos jovens considerados mais aptos treinarem junto dos “graúdos”. No entanto, para alguns isso poderá não ser suficiente. A esses sugeria que atentassem nos quatro paradigmas distintos de transição para a equipa A existentes de momento no plantel principal encarnado.

António Silva saltou quase diretamente dos juniores para a equipa A, agarrando uma oportunidade que não se previa sequer possível de surgir. Gonçalo Ramos subiu dos juniores aos Bês, foi chamado aos “A” – mostrando serviço com um bis -, voltou aos Bês e foi entrando, aos poucos, nas contas mais a sério da equipa principal.

Florentino Luís fez 72 partidas pela equipa B antes de subir aos “A”. Depois disso, conheceu vários empréstimos até voltar e ser aposta de novo. Gonçalo Guedes fez o seu caminho nos Bês, depois nos “A” e depois em França, em Espanha, em Inglaterra, até regressar aos encarnados.

Quatro jogadores diferentes, quatro idades distintas, quatro posições variadas. Quatro paradigmas. Em comum têm o facto de, neste momento, serem os quatro titulares praticamente indiscutíveis do SL Benfica. Trilharam caminhos distintos até chegarem a este ponto singular no contínuo espaço-tempo em que partilham o campo, com o mesmo estatuto de titulares, com a camisola do clube que os formou.

Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Esperar pelo melhor, estar preparado para o pior. Esperar por uma oportunidade como a de António Silva, mas estar preparado para trilhar caminhos como o de Florentino deveria ser a filosofia a seguir por estes jovens, que cada vez mais apresentam sinais de impaciência, necessidade de imediatismo e mediatismo e imaturidade.

E que estes jovens jogadores olhem apenas para o exemplo de António Silva e digam a si mesmos e a quem os acompanha “eu só quero isto”, eu compreendo. Que quem está à sua volta não saiba ou não queira oferecer-lhes uma perspetiva diferente que os beneficie a médio e a longo prazo, isso eu não consigo entender.

Márcio Francisco Paiva

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.