Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Numa altura em que as hostes benfiquistas já viveram tempos mais felizes, as duvidas e a contestação dos adeptos começa a ganhar cada vez mais forma e as críticas, nomeadamente a Rui Vitória, Luis Filipe Vieira e alguns jogadores, continuam a aumentar significativamente.
Embora um dos principais problemas continuo a ser o departamento médico dos encarnados, a falta de investimento no mercado, sobretudo em busca de um guarda-redes titular, um lateral direito (espera-se por Douglas) e de um central de grande nível (que, mesmo que Rúben Dias possa assumir, continua a faltar um elemento de qualidade), o problema pode mesmo estar na seleção do melhor onze.
Primeiramente, é preciso perceber as saídas e, tendo em conta que falamos de um clube tetracampeão, a necessidade de manter a estrutura. A qualidade de jogo do Benfica caiu consideravelmente, sobretudo pela perda de qualidade na saída com bola, na profundidade no seu jogo e ainda, no espaço entre o meio e a frente de ataque, algo que leva a uma deficiência na ocupação de espaços, que se torna cada vez mais visível com o envelhecimento de Jonas e na perda de, primeiramente Gonçalo Guedes e mais tarde de Mitroglou, com o qual se entendia de olhos fechados.
Júlio César (Guarda-redes)

Não tendo um Oblak, nem um Ederson, a escolha do lugar na baliza deve recair no Júlio César. A falácia utilizada por muitos adeptos de que a culpa não tem sido de Bruno Varela não chega. O Imperador Júlio César transmite confiança, tranquilidade, experiência e é mais um capitão dentro da equipa algo que, numa defesa renovada, é essencial para uma maior solidez defensiva. A juntar a isto, habituada ao estilo de jogo de Ederson, a defesa recorre várias vezes ao jogo de pés do seu guarda-redes como forma de reposição de bolas que, na maioria das situações, pode, ser fatais e proporcionar lances rápidos e perigosos de ataque, algo que o Júlio César faz, infinitamente melhor, do que Varela, que se limita a pontapear a bola para a frente, levando na maioria das vezes à perda da posse de bola para as águias.
André Almeida (Defesa Direito)

André Almeida é um jogador com mística, experiência e transmite toda a confiança nos jogos de cariz mais complicado. Prima pelo rigor defensivo e aparece sempre no sítio certo, quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo. Juntando a isto, é rápido, bastante bom no 1vs1 em contexto defensivo e é sempre um jogador que presta auxílio na frente.
A verdade é que a sua qualidade técnica nunca foi o seu forte e, a falta de acerto na sua construção (inicia constantemente o jogo ofensivo do Benfica) leva a que o Benfica tenha imensas dificuldades em gerir a sua posse de bola e que consiga superiorizar-se às demais equipas da Primeira Liga, que dificultam ainda mais a sua tarefa com a pressão alta adotada pela maioria dos treinadores.
Até que Douglas mostre o contrário, Almeida deve continuar a ser o titular.
Luisão (Defesa Central)

Luisão é indiscutível neste Benfica e neste projecto doa a quem doer. Embora a sua idade torne mais facilmente visível os seus defeitos, nomeadamente em termos de velocidade e na antecipação, o central brasileiro continua a ser um dos melhores centrais desta liga e um ás no controlo de profundidade, jogo de cabeça e na chefia da equipa dentro das quatro linhas, capaz de potenciar jogadores jovens e gerir o bloco defensivo, ao ritmo que bem entender.
Jardel (Defesa Central)

A dupla Luisão/Jardel, embora apresente todas as valências de uma defesa ganhadora, apresenta alguns entraves que, apesar de estarem acima da maioria das equipas da Liga NOS, traduzem-se em situações preocupantes em jogos com maior grau de dificuldade, nomeadamente na Champions League. Falo claro da qualidade de saída com bola, algo que Lindelof, Garay e mesmo Lisandro fazem com bastante qualidade e também na velocidade, onde Jardel também não caminha para novo.
Contudo Jardel e Luisão conhecem-se não só a si próprios, como à nossa liga e, em condições normais, devem fazer a dupla de centrais do Sport Lisboa e Benfica. Note-se que a queda exibicional do Benfica surge, sobretudo no jogo com o Rio Ave em Vila do Conde, no momento em que Jardel se lesiona a meio da primeira parte.
Com isto, não é colocada de parte, o enquadramento, no curto/médio prazo, de Rúben Dias no onze titular.
Grimaldo (Defesa esquerdo)

Não só um titular indiscutível, Grimaldo é um dos melhores jogadores do atual tetracampeão e a sua ausência é bem visível no estilo de jogo, sobretudo na falta de ideias no meio campo adversário.
A sua titularidade é incontestável e espera-se apenas que volte à sua melhor condição física e seja um dos principais elementos chave da conquista dos próximos títulos, um dos jogadores com mais potencial na Luz.
Fejsa (Trinco)

A importância de Lujbomir Fejsa não é de hoje e, não estando presente, o Benfica tem imensas dificuldades em pressionar as equipas adversárias no seu meio campo e assim impedir que o espaço interior se torne cada vez maior. Isto permite aos adversários atacarem quase sempre com perigo e com vários elementos no último terço do Benfica algo que, quer com Felipe Augusto, quer com Samaris, baixa drasticamente.
Tendo em conta que o sistema do Benfica rege-se com dois médios interiores e dois alas, a estratégia devia ser repensada aquando da ausência de Fejsa, sobretudo pela incapacidade de Pizzi apoiar a nível defensivo e ter ainda espaço para impor o seu jogo e ser o principal construtor de jogo encarnado, ao qual nos habituou.
Pizzi (Médio Centro)

Pizzi está cada vez mais habituado à posição de oito e, após ser o melhor jogador da época transata e ser, atualmente, um dos melhores médios portugueses, carece pela falta de competitividade (não tem um suplente à sua altura) que permita, sobretudo, gerir a sua fadiga, tendo em conta que o campeonato é longo e o Benfica está e irá continuar a estar, em várias competições.
A diferença mais visível para esta época, está, como mencionei em cima, no facto do Benfica ter menos bola. Num Benfica com menos bola, entenda-se, um Benfica com menos bola no meio campo ofensivo, Pizzi tem dificuldade em impor o seu ritmo e dinâmica de jogo, levando a que receba, constantemente a bola em situações de pressão e que se veja obrigado a criar tentativas de risco, algo que não encaixa na ideologia de jogo do Benfica das épocas anteriores e, sobretudo, do jogador transmontano.
Zivkovic (Extremo Esquerdo)

Embora o jogador sérvio seja mais uma peça de vidro do plantel lisboeta, esta parece ser a época que Zivkovic está disposto a assumir o seu estatuto de jovem craque sérvio. Cervi começou como principal escolha no início desta época, perante uma primeira lesão de Zivkovic, contudo, a sua entrada no onze é mais que justificada e tem sido um dos melhores elementos de um Benfica desinspirado.
Krovinovic (Extremo Direito)

O algodão não engana e se Krovinovic não enganou na época transata ao serviço dos vilacondenses, esta época servirá, a seu devido tempo, para mostrar que é um talento croata em ascensão e que tem tudo para singrar nas águias. Embora possa jogar como terceiro médio ou possa ser o 8 escolhido para uma possível descaída de Pizzi para a direita, este pode ser o verdadeiro Ás de trunfo de Rui Vitória para esta temporada.
Tendo em conta as debilidades nas construções ofensivas mencionadas em cima, com Salvio no onze, o Benfica insiste e persiste num jogo de qualidade individual e quase primitiva apoiada nas investidas do extremo argentino que, cada vez mais lento e previsível, continua a correr desalmadamente pela linha, contra um, dois e três defesas, com uma taxa de sucesso bastante abaixo da média. Totó Salvio continua a ser um jogador importante e de grande qualidade contudo em nada apoia o estilo de jogo do tetracampeão que vem apresentado deficiências na sua qualidade de jogo, desde Janeiro da época transacta.
Com Krovinovic existiria um maior equilibro no meio campo, sobretudo para uma equipa que irá certamente insistir num jogo pela ala esquerda, dada a sua qualidade e critério de decisão e cruzamento no último terço do campo. Servirá também para aumentar o jogo de posse e potenciar a subida de terreno de um Pizzi, que precisa de liberdade ofensiva, algo que não tem tido dada as preocupações defensivas que o clube apresenta.
Jonas (Avançado Centro)

Se a importância de Jonas trazia dúvidas, o seu início de temporada volta a mostrar que estas não deveriam existir e que é um dos principais, se não o principal, esteios deste plantel e o elemento mais capaz de trazer perigo às balizas adversárias, muita das vezes, em jogadas “perdidas”.
Tendo em conta que Gabriel Barbosa ainda aparece bastante limitado, quer na adaptação ao futebol português, quer no entendimento das ideias de jogo, quer mesmo no seu nível de intensidade, Jonas será dono e rei da sua posição, até quando bem entender.
Raúl Jiménez (Ponta de Lança)

Mais que ter começado bem a temporada, Seferovic surpreendeu as hostes encarnadas, já que ninguém esperava que um jogador vindo a custo zero de um clube que luta para não descer na Bundesliga, viria a ser uma das contratações do defeso. Finalizador e a entender-se bem com Jonas, Seferovic obrigou a saída de Mitroglou e relegou Jimenez para o banco de suplentes.
Não esquecendo este bom início, as suas limitações técnicas são bem visíveis e, embora seja um avançado trabalhador, a discrepância de qualidade entre o suíço e Raúl Jimenez é bastante grande e, assim sendo, o lugar da linha da frente, deve de ser entregue ao mexicano.
Jimenez é um dos jogadores de maior qualidade do plantel e, apesar de ter tido sempre uma forte concorrência, vá-se lá saber como é suplente. Super letal dentro da grande área, rápido a explorar o espaço nas costas da defesa e muito bom no jogo aéreo, o mexicano não permite a subida de linhas defensivas adversárias, algo bastante benéfico para o jogo do Benfica. Tendo em conta o historial de avançados do Benfica, Jimenez continua a ser o que mais se adequa quer a Lima, quer a Gonçalo Guedes, limitando assim o espaço entre o meio campo e a frente de ataque e o apoio defensivo, tendo em conta que é o melhor primeiro defesa às ordens de Rui Vitória.












