Todos os anos vemos talentos a sair do viveiro do Seixal e a serem integrados no plantel do Sport Lisboa e Benfica. Esta é a prova viva de que a Formação da “águia” está bem e recomenda-se, sendo capaz de, ano após ano, enriquecer com juventude, irreverência e ainda mais qualidade as opções da equipa principal.

Podemos dizer que estes são, indubitavelmente, os anos dourados do Caixa Futebol Campus e esta teoria é facilmente provada através do domínio que o SL Benfica tem estabelecido em todos os escalões de Formação. Mas não nos podemos centrar somente na questão dos títulos conquistados; os jovens do SL Benfica têm estado presentes em grande maioria em cada um dos escalões da Selecção Nacional e cada vez mais exercem a sua influência.

Numa declaração pública de há uns dias atrás, Luís Filipe Vieira “traçou” o destino de quatro jovens que têm feito um primeiro terço de temporada fantástico, ao afirmar que estes estariam nos planos para fazer parte do plantel principal na época 2019/2020. Os quatro que se seguem são Francisco Ferreira (Ferro), Florentino Luís, Chris Willock e João Filipe (Jota). Debruçemo-nos, então, sobre cada um deles:

Francisco Ferreira (Ferro)Ferro tem mostrado uma evolução bastante boa nas mãos de Bruno Lage. Encontrando-se muito mais consistente nesta temporada, tem-se destacado essencialmente pela sua influência na primeira fase de construção. Possui uma visão de jogo, técnica e qualidade de passe fora do normal para um defesa-central e melhorou a sua capacidade decisional. Continua a ter de trabalhar a sua concentração durante os jogos e de melhorar bastante os níveis de agressividade no ataque à bola, sendo ainda muito “macio” nas disputas com os adversários. Ainda assim, Ferro parece-me já preparado para fazer parte do plantel principal e acrescentar qualidade com bola à dupla de centrais do SL Benfica. Esta temporada, foi já convocado para o jogo da Taça de Portugal contra o Sertanense, acabando por ficar fora dos 18 seleccionáveis.

Florentino Luís – Quanto a mim, deveria já ser a alternativa imediata a Ljubomir Fejsa. Florentino é peça-chave no xadrez da Equipa B encarnada e está mais do que preparado para dar o salto. Médio-defensivo que oferece um equilíbrio impressionante à equipa através do seu raio de acção, está agora também muito mais completo devido ao facto de jogar num modelo que privilegia a posse de bola; vemos frequentemente Florentino sem medo de ter bola e, quando não a tem, a procurar espaços livres onde a receber para então dar início à construção. A maturidade que apresenta nesta altura é já elevadíssima, tendo em conta os seus 19 anos e a posição que ocupa. Não digo que tivesse já capacidade para ser titular absoluto e suplantar Fejsa, mas que tem mais do que capacidade para ir fazendo descansar o sérvio, isso sim. É um caso muito sério para o futuro.

O excelente futebol que a Equipa B pratica tem ajudado à evolução destes jovens
Fonte: SL Benfica

Chris Willock – O inglês vindo do Arsenal FC cumpre a sua segunda temporada com a camisola do SL Benfica e continua sem desiludir. Apesar de ainda não ter tido qualquer oportunidade para se estrear na equipa principal, Willock tem mostrado toda a sua qualidade ao serviço da Equipa B, sendo peça-chave tanto para Hélder Cristóvão na temporada passada, como para Bruno Lage na presente temporada. Dono de uma técnica exímia e de um controlo de bola sobredotado, Willock é um jogador capaz de decidir jogos sozinho, tal é a sua qualidade e imprevisibilidade com bola nos pés. Aliando a técnica à sua velocidade, torna-se um jogador muito difícil de parar. Apesar das qualidades, tem ainda algo a melhorar no seu jogo sem bola. Poderá vir a ser uma óptima solução para o plantel principal, fundamentalmente se algum dos médios-ala acabar por sair em Janeiro ou no final da temporada.

João Filipe (Jota) – Quem é que ainda não o conhece? Para Jota, esta tem sido talvez a melhor temporada da sua ainda curta carreira; ajudou Portugal a conquistar o Campeonato Europeu de Sub-19 – onde foi considerado o melhor jogador do torneio e repartiu a liderança dos melhores marcadores com Francisco Trincão –, tem brilhado ao serviço da Equipa B e, finalmente, estreou-se na passada Quinta-feira pela equipa principal, entrando aos 67 minutos para o lugar de Jonas. Torna-se, assim, quase escusado de falar de Jota. É um extremo bastante ágil e tecnicista, que actua sempre em alta velocidade tanto física como mentalmente e que é bastante efectivo em qualquer um dos flancos, devido ao facto de ser ambidextro. Não tem medo de partir para o 1×1 e isso ainda é algo que o prejudica por vezes, acabando por perder-se em dribles e tornando-se pouco eficiente. A partir do momento em que saiba racionar e controlar melhor o seu jogo, será um dos melhores extremos a nível mundial. Jota tem um grande futuro à sua frente e irá acrescentar bastante à equipa principal. Tal como Willock, poderá beneficiar da saída de um dos médios-ala.

Agora são estes quatro, mas todos os anos iremos ter jogadores mais do que capazes para seguir o caminho dos jovens que sairam da Formação e que conseguiram brilhar com a camisola da equipa principal. Neste momento, temos em cada escalão formativo, pelo menos, três ou quatro jogadores que são um ou dois anos mais novos do que os adversários que enfrentam e isso é excelente para o seu processo evolutivo.

O futuro está bem entregue. É a geração “Caixa à Benfica”.

 

Foto de Capa: SL Benfica

 

 

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