Zenit 1-0 Benfica: Longe dos grandes

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Mais do mesmo. Quatro anos seguidos sem passar aos oitavos de final da Liga das Campeões é motivo de preocupação? Sem dúvida. Cometeram-se erros fatais nesta campanha que ditaram o afastamento precoce da equipa da competição? Obviamente. Foi a derrota do jogo de hoje a principal razão da eliminação encarnada? Longe disso. Esta tarde, em St. Petersburgo, frente à melhor equipa deste grupo C da Liga Milionária, o Benfica realizou a melhor exibição nesta aventura europeia, mas ainda assim não foi capaz de sair vencedor de um jogo que dominou quase por completo. Embora as estatísticas não sejam assim tão favoráveis aos encarnados, quem viu o que se passou no gelo da Rússia está consciente de que o desfecho desta partida deveria ser muito mais caloroso para as águias.

À entrada para esta partida, ambas as equipas sabiam que só a vitória interessava para continuarem a sonhar com os oitavos-de-final da prova. Contudo, foi a equipa do Benfica que procurou assumir o controlo do jogo desde o início e, embora sem grande brilhantismo e sem criar claras ocasiões de golo, os encarnados conseguiram construir jogo a meio-campo e chegar com alguma facilidade ao último terço do terreno adversário. Mas isso pouco interessava. Pedia-se eficácia e mais clareza na definição final dos lances e isso a equipa não teve.

Da primeira parte do jogo pouco ou nada se pode contar, dada a apatia do processo ofensivo de ambas as equipas. A pressão do jogo pesou nsa duas formações, que apenas produziram uma oportunidade de golo cada uma. Primeiro o Zenit ameaçou de bola parada; depois o Benfica podia ter inaugurado o marcador através de Salvio, mas a mancha do guarda-redes adversário evitou o tento encarnado. Nuns pobres quarenta e cinco minutos, somente Gaitán procurou agitar o encontro, enquanto Enzo corria quilómetros para encontrar espaços que ninguém criava. Do outro lado, Hulk era anulado pelo cada vez mais jogador André Almeida, que travou quase todas as investidas do extremo brasileiro.

Para vencer este encontro decisivo, o Benfica tinha de ser mais acutilante ofensivamente e a lição pareceu vir bem estudada para o segundo tempo. Os primeiros vinte minutos foram controlados pelas águias, que encostaram o Zenit à sua área defensiva. Através de uma pressão alta e posse de bola eficaz, o Benfica mostrou ter argumentos para chegar ao golo, mas pecava na zona de decisão. Aos 50 minutos, Luisão teve nos pés a melhor oportunidade para colocar os encarnados na frente, mas desperdiçou-a escandalosamente. Parecia que o livro de ocasiões de golo estava a abrir-se, mas tal foi só uma ilusão.

Enzo Pérez foi um dos melhores do lado do Benfica Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Enzo Pérez foi um dos melhores do lado do Benfica
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Apesar do evidente domínio encarnado nesta fase do jogo, principalmente na zona central, Jorge Jesus procurou colocar mais um homem na frente e lançou Derley. A decisão entende-se pela necessidade de ameaçar mais frequentemente a baliza adversária, mas no contexto do jogo, o treinador encarnado nunca poderia tirar uma unidade da zona central. Saiu Talisca e o Benfica perdeu o meio-campo, o domínio e consequentemente a partida.

A partir deste momento, o Zenit ganhou espaço para sair para o ataque e num momento de inspiração do poderoso Hulk, que assistiu brilhantemente o português Danny, a equipa russa adiantou-se no marcador, numa fase crucial do encontro. Com apenas 15 minutos para jogar, o Benfica não tinha soluções capazes – como aliás nunca teve nesta fase de grupos – para dar a volta a uma partida desta exigência. Assim, o resultado de 1-0 manteve-se até ao final sem que os encarnados conseguissem voltar a encontrar-se na partida após o golo adversário.

Na conferência de imprensa que se seguiu ao jogo, Jorge Jesus disse que o Benfica saiu da fase de grupos da Liga dos Campeões com dignidade. Se falarmos somente deste jogo até se podem aceitar as palavras do técnico encarnado, mas olhando para o que passou nos restantes jogos é necessário analisar friamente a apatia, descrença e falta de atitude que a equipa demonstrou nessas partidas e que lhe valeram a eliminação precoce desta prestigiada competição. Se é verdade que este Benfica não tem o plantel mais capacitado para brilhar, é também justo dizer que esta equipa deveria ter produzido um futebol bem mais condizente com a qualidade de muitos dos seus jogadores.

Contas feitas, são quatro anos seguidos sem passar a fase de grupos de uma competição onde estão as melhores equipas europeias e em que – e com muita pena digo isto- o Benfica não se pode incluir. Porque os resultados estão à vista. E porque, na maioria das vezes, contra factos não há argumentos.

 

A Figura

André Almeida: Mais uma vez, fez aquilo que lhe pediram.  O seu trabalho era anular o perigo chamado Hulk  e fê-lo durante toda a partida. É injusto culpabilizá-lo pelo golo do Zenit, porque nesse lance nada poderia fazer para travar o brasileiro. É um daqueles jogadores que qualquer equipa gostaria de ter. Ainda bem que está no Benfica e deveria estar na selecção.

O Fora de Jogo

Jorge Jesus: Desde o primeiro jogo em Leverkusen que o treinador do Benfica pareceu desvalorizar a Champions League. Isso reflectiu-se em cada jogo do Benfica na competição e, apesar da exibição positiva da equipa no jogo de hoje, a decisão de tirar Talisca do meio-campo para colocar um avançado foi muito infeliz e retirou o controlo do jogo da equipa.

João Pedro Óca
João Pedro Ócahttp://www.bolanarede.pt
O João Pedro Óca é um alentejano a fazer o gosta mais em Lisboa: jornalismo, sobretudo desportivo, na TVI e na CNN Portugal. Além disso, ainda dá uma perninha como narrador na Eleven.

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