
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

No rescaldo de uma época atípica devido à pandemia e com o mundo a lutar ainda com o vírus, face às consequências económicas, todos imaginavam o mundo do futebol em contenção de custos, a “apertar o cinto”; no entanto, parece estar a suceder quase o oposto, com os clubes a investir cirurgicamente, mas em reforços de peso, de maneira a proporcionar aos adeptos um campeonato mais competitivo e sobretudo, mais equilibrado. Com tanto nome sonante a ser apontado ou mesmo apresentado no futebol português, com a qualidade dos jogadores e dos treinadores, creio que podemos esperar quiçá um dos melhores campeonatos dos últimos anos. Vejamos então, cinco reforços que podem fazer isso valer e contribuir para o equilíbrio de forças da Primeira Liga.
5.

Rafael Defendi (SC Farense) – 18 anos depois da sua última participação no campeonato principal, o SC Farense garantiu na época passada, a subida de divisão e consequente disputa da Primeira Liga na temporada 2020/2021. Mas para cimentar o seu lugar na primeira divisão, o histórico clube algarvio precisa de combinar a irreverência do plantel que conseguiu a tão almejada subida, com a experiência de jogadores que já sabem do que o campeonato da Primeira Liga gasta.
Assim, por entre várias contratações importantes como César, Alex Pinto ou Falcão, surge um dos nomes mais sonantes para os algarvios, Rafael Defendi. O guarda-redes, que já está em Portugal desde 2014 e que foi fundamental para a campanha sensacional do FC Famalicão (também na época de regresso dos famalicenses à Primeira Liga), envergará a camisola dos leões de Faro na época que se avizinha. Defendi vem acrescentar à equipa a experiência indispensável para qualquer clube, qualidade na baliza e sobretudo segurança e tranquilidade; afinal, para uma equipa recém-promovida à primeira divisão, é importantíssimo ter um jogador que tão bem conhece os cantos à casa da divisão cimeira do futebol nacional, e que será certamente uma voz de comando na defesa dos algarvios.
4.
Salvador Agra (CD Tondela) – O Tondela disputou a Primeira Liga pela primeira vez na sua história na época 2015/2016 e desde aí, tem vindo a consolidar o seu lugar no escalão maior do futebol nacional. Para se fixarem definitivamente, os beirões vão tentando combinar jovens jogadores muito promissores com velhos conhecidos da Primeira Liga, como o internacional A, Ricardo Costa.
Para a próxima época, o clube já anunciou a chegada de Salvador Agra, nome bem cotado no futebol português. Após duas épocas e meia a jogar no estrangeiro, o avançado regressa ao país de origem para representar o Tondela. Salvador Agra, que já leva muitos anos de Primeira Liga para as Beiras, é a combinação perfeita entre experiência e matreirice, às quais junta faro para golo. As duas épocas no CD Nacional, nas quais apontou 17 golos em 74 jogos, são talvez o melhor exemplo daquilo que o jogador tem para oferecer: golo, capacidade técnica acima da média, uma excelente capacidade de desmarcação e sobretudo, muita raça. Tendo sido uma das referências ofensivas do Nacional da Madeira e em 2017/2018, para o CD Aves, Agra está habituado a ser o jogador mais experiente e a principal flecha apontada ao ataque das equipas que representa, característica muito útil para o Tondela. Agora, é ver o que pode acrescentar à equipa, à medida que esta cimenta a sua posição na primeira divisão do campeonato; fazendo uma boa época, pode ajudar o jogador a relançar a sua carreira.
3.
💬 Bruno Varela: “A partir do momento em que assino com o Vitória, assumo o compromisso de que vou trabalhar muito para que possa deixar o meu nome escrito na história do clube”.
Sabe mais em ➡ https://t.co/YMK223loUT pic.twitter.com/NaXMs0rqTO
— Vitória Sport Clube (@VitoriaSC1922) August 19, 2020
Bruno Varela (Vitória SC) – Muito se tem comentado o buraco no muro do Castelo, o mesmo é dizer, as falhas dos guarda-redes do Vitória. Com a posição de guardião muito contestada e sem grandes alternativas, os responsáveis minhotos operaram uma verdadeira revolução nas redes do Vitória. Saíram Douglas e Miguel Silva, entraram o jovem checo Trmal e o já conhecido Bruno Varela.
Quer isto dizer que o clube minhoto percebeu as debilidades que tinha na rede e parece ter-se reforçado bem nesse sector. Falando de Bruno Varela, o dono da baliza do SL Benfica em 2017/2018, tem agora a oportunidade de relançar a carreira do Castelo. Depois dessa época nas águias, foi dado como dispensável e emprestado ao AFC Ajax, fazendo parte da equipa-sensação da UEFA Champions League dos holandeses da temporada 2018/2019. Após ano e meio de empréstimo ao Ajax, sem grande sucesso, uma vez que poucos jogos fez, Bruno Varela regressa ao campeonato e ao país de origem com o objectivo de voltar aos eixos. O guarda-redes internacional pelas camadas jovens da selecção nacional já demonstrou nas águias ter qualidade suficiente para vingar; seja a ocupar os espaços, a posicionar-se na baliza, a ter bastante elasticidade e reflexos apurados, talvez o que falte seja concentração e confiança. Já o vimos fazer algumas chamadas “defesas impossíveis” que resultam de treino e qualidade; falta-lhe ser aposta segura e manter o foco para singrar de vez no futebol português.
2.
🚨 Última Hora 🚨
Boavista oficializa a contratação de Javi García pic.twitter.com/G3m3oyMfci
— Mercado a Mexer (@imatemynameis1) August 19, 2020
Javi Garcia (Boavista FC) – O Boavista pode gabar-se de ser uma das cinco equipas portuguesas a exibir no museu o troféu de Campeão Nacional, conseguido em 2000/2001. No entanto, a partir daí, a equipa não mais conseguiu almejar tais voos. Agora, com o anúncio da entrada do investidor Gérard Lopez na SAD do Boavista, com novo poder monetário e nova estratégia, que passa por descobrir e desenvolver jovens talentos, como Angel Gomez ou Nuno Santos, potenciá-los e fazê-los crescer, juntamente com veteranos e jogadores de renome; dentro destes últimos, conta-se Javi Garcia (e ainda se fala noutros).
Mais do que um nome sonante, Javi Garcia, que brilhou ao serviço do Benfica, entre 2009 e 2012, é um reforço de peso, daqueles que aproxima os boavisteiros dos clubes de topo da Primeira Liga. O médio-defensivo espanhol, internacional pelas camadas jovens de Espanha é um poço de força (às vezes até demais), de sentido posicional e de uma qualidade de passe acima da média para a sua posição; sabe ler o jogo como ninguém, intercepta passes, movimentos e é um bombeiro de serviço. Além disso, tem ainda uma veia goleadora que o diferencia da maioria dos seus concorrentes. Além da óbvia qualidade futebolística, do espírito de liderança nato e do ADN lutador que tão bem combina com os axadrezados, Javi Garcia tem nome de pôr em sentido os adversários; é o tipo de jogador que dá tanto ao relvado como ao balneário e isso faz falta a equipas em crescimento; sobretudo às que já têm taças de campeão no palmarés e mais pretendem vir a conquistar no campeonato.
1.
Nico Gaitán (SC Braga) – Já aqui disse que o SC Braga é sempre um aspirante a candidato ao título, mas com o investimento que está a levar a cabo e com o novo treinador, Carlos Carvalhal, passa automaticamente a ser candidato assumido. São já várias as caras novas (mas, “velhas conhecidas”) que vestirão a armadura dos guerreiros na próxima época: André Castro, Iuri Medeiros, Schettine e possivelmente, o mais sonante de todos, Nico Gaitán.
O novo camisola 10 dos arsenalistas, apresentado com a pompa e circunstância digna do craque que é, promete trazer para a cidade dos arcebispos, a magia a que nos habituou quando jogava de águia ao peito. A sua passagem pelo Benfica abriu-lhe as portas dos tubarões da Europa, através do Club Atlético de Madrid, mas a sua estadia por Espanha, depois pela China, Estados Unidos e França não lhe permitiram largar o perfume no campeonato que qualquer adepto do Benfica tão bem recorda.
Gaitán vem para o Braga, sendo o rosto do ambicioso projecto de António Salvador, que tem vindo a construir um plantel de luxo, liderado por um dos melhores treinadores portugueses da actualidade; a contratação de Gaitán, mais do que simbólica, é o próximo passo, quer para jogador, quer para o clube: o argentino vem para relançar a carreira e o clube minhoto quer dar o passo final rumo ao “campeonato dos grandes”. Nico conhece bem a sensação de levantar o troféu de Campeão Nacional, uma vez que o fez por três vezes, pelas águias; vem assim sendo, acrescentar a mentalidade vencedora indispensável a qualquer candidato ao título, uma qualidade indiscutível e a experiência de quem sabe muito, mas aprendeu ainda mais. Além da absurda capacidade técnica de Gaitán, o argentino, que sabe descobrir espaços em defesas de buraco de agulha, que joga sempre de cabeça levantada e tem um pé esquerdo mágico, vem perfumar o futebol dos arsenalistas e ensinar às pérolas do Braga, aquilo que sabe e nunca esqueceu. Ora aqui está uma parceria passível de muito sucesso. Enquanto adepta de futebol e fã do Nico, só tenho a agradecer aos arsenalistas, quer pela oportunidade ao jogador, quer pela qualidade que estão a dar ao futebol português.










