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A grande maioria dos futebolistas profissionais da história teve o seu primeiro contacto com uma bola de futebol na rua. É na rua que muitas crianças se divertem, que se inspiram nos seus maiores ídolos e sonham em tornar-se futuramente nos maiores craques da bola.
Acho que qualquer futebolista profissional nos dias de hoje guarda nas suas memórias os tempos em que jogava à bola na rua com os amigos de infância. O futebol de rua é um dos regalos que as crianças têm, no momento em que ainda não têm preocupações nem responsabilidades.
A convivência com os amigos, fazer os postes das balizas com pedras, camisolas ou até mochilas, chegar a casa com a roupa toda suja e/ou rasgada… creio que isso é um dos maiores prazeres da vida que uma criança pode ter.

Fonte: Facebook Oficial Cristiano Ronaldo
No entanto, esse é um privilégio cada vez menos aproveitado pelas crianças na flor da idade, e isto acontece pelos mais variados motivos. Primeiro que tudo, nos dias de hoje é cada vez mais frequente ver miúdos de 5 anos fechadas em casa agarradas ao iphone ou ao tablet em vez de irem brincar para a rua e socializarem com miúdos da mesma idade, visto que já dispõem de meios tecnológicos para o fazer sem sair de casa.
Outros factores são a carga horária dos pais das crianças que lhes retira tempo e cabeça para terem uma participação mais activa na vida dos filhos. E por fim, a insegurança cada vez maior que se vive nas ruas que faz com que seja muito arriscado um grupo de crianças brincarem na rua sem a supervisão de algum adulto.
No entanto, creio que devemos olhar para o futebol de uma forma mais profunda e futurista, ou seja, devemos pensar na influência que o futebol de rua vai ter num futuro futebolista profissional que tenha uma carreira de sucesso. Sim, porque mesmo que os miúdos joguem numa escola de futebol, também jogam futebol na rua com os amigos, e não é a mesma coisa.
Antes de mais, muitas escolas de futebol têm um problema: elas “formatam” os jogadores em vez de os formar. Como assim? Primeiro, pela mentalidade “resultadista” que muitos dirigentes e treinadores têm, ao preocuparem-se mais com os resultados colectivos, do que com a evolução individual de cada jogador. Segundo, porque é frequente num jogo de futebol entre miúdos, ver os treinadores a gritar: “passa a bola!” “chuta!”. Assim, os treinadores estão a pensar pelos jogadores, limitando a sua evolução e impedindo que estes explorem as suas potencialidades.
No futebol de rua não é assim. A jogar à bola na rua, sem treinadores a dar ordens nem pais nas bancadas a mandar “bitaites”, os miúdos aprendem a pensar e a agir por eles próprios. Como tal, o futebol de rua estimula a criatividade dos jogadores, a tomada de decisão e a leitura e a compreensão de jogo. Logo, considero o futebol de rua essencial para o desenvolvimento motor e cognitivo dos jogadores.

Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Verificando exemplos de jogadores em Portugal, creio que existe um jogador em particular que tem bem patentes as suas raízes futebolísticas. Falo de Luís Miguel Afonso Fernandes, mais conhecido no mundo do futebol pelo nome que tinha gravado na sua camisola do Barcelona com a qual ia jogar à bola com os seus amigos de infância nas ruas de Bragança: Pizzi. E pela forma como este joga, também dá para perceber que o futebol de rua o ajudou muito a tornar-se naquele jogador que é hoje, naquele jogador inteligente e com elevada capacidade de definir os lances. E como ele, há mais jogadores nacionais, tais como Bruno Fernandes ou Rúben Ribeiro, jogadores que pela forma como sabem sempre o que fazer com a bola, certamente terão aprendido a desenvolver essa capacidade a jogar nas ruas.
Como tal, o futebol de rua é de uma importância vital para o crescimento de um jogador que sonha em tornar-se profissional e construir uma carreira de sucesso.
Foto de capa: torcedores.com










