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600 mil euros de prémio de assinatura e 60 mil de salário. Eram estes os valores que Matheus tinha acordado com o Sporting CP na época 2010/2011, mas o despedimento de Costinha colocou um travão no «salto» para Alvalade. Durante quase duas horas, o extremo brasileiro «viajou» pelas histórias da carreira, desde a passagem do futsal para o futebol, as dificuldades em Marco de Canaveses, o campeonato «tirado» ao SC Braga, a depressão na Ucrânia, a lesão na final da Liga Europa com o Sevilha e a aventura pela China, que já dura há quatro anos.

– O futebol na China… depois da pandemia –

«Estão oito equipas de quarentena na mesma cidade e só saímos para treinar e jogar»

 

Bola na Rede (BnR): Olá, Matheus. Tudo bem?

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Matheus (M): Sim. Dá-me só um momento para fechar a porta do quarto. É que estamos de quarentena e está toda a gente neste andar, por isso, qualquer barulhozinho pode incomodar.

BnR: Vocês ainda estão de quarentena?

M: Estamos porque ainda é o início do campeonato. Então, oito equipas ficaram na mesma cidade, num centro de treinos, e as outras oito equipas ficaram noutra cidade. Nós estamos em Suzhou, fechados e só podemos sair para treinar, almoçar e caminhar cá dentro.

 

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BnR: E treinam nos campos dos vossos clubes ou têm um lugar neutro?

M: Não, aqui tem um campo de treinos para cada clube. Só se sai para os jogos no estádio, no dia antes faz-se o teste e depois vai-se para o jogo, mas volta-se direto cá para dentro.

BnR: Como foi este tempo de paragem para ti, que já tens 37 anos?

M: Rapaz, com certeza. Não me afetou mais porque continuamos a treinar, a fazer bastantes jogos amistosos, mas em termos de competição afetou bastante, não só a mim, como aos jovens que estão no início da carreira e querem jogar o mais cedo possível.

BnR: Mas para ti começou muito bem, porque em dez minutos fizeste um golo…

M: É verdade. Foi um jogo em que estivemos muito bem, começámos a ganhar, podiamos ter feito o 2-0 mas não conseguimos… Eles acabaram, com um a menos, por empatar e virar o jogo. Muitos acreditam que jogar com menos um torna-se mais fácil, mas para mim é mais difícil para os avançados, porque eles fecham-se mais, começa o cai-cai, ganhar tempo e complica a quem quer ganhar. Eu tive a sorte… e Deus também viu que estávamos a fazer um bom trabalho e não podíamos perder. Consegui o golo e um bom resultado, que era o empate.

Matheus com a braçadeira de capitão do Shijiazhuang Ever Bright
Fonte: Cortesia – Matheus

BnR: Estás numa equipa que acabou de subir à Superliga Chinesa. Quais são as diferenças entre a Primeira e a Segunda?

M: É assim, quando cheguei a esta equipa (Shijiazhuang Ever Bright) ela estava na Primeira Divisão, até o Rúben Micael e o Mário Rondón jogavam aqui, mas naquele período que eu vim – faltavam cinco jogos – estava muito difícil para recuperar e permanecer. Não só em pontos, mas por causa da tabela, porque os nossos últimos jogos eram contra os clubes ditos grandes da China e acabou por prejudicar-nos. Não conseguimos escapar e acabei três temporadas a disputar a Segunda Divisão, mas no ano passado subimos. Foi um período muito bom para mim e para a equipa.

BnR: Também é um clube com muito dinheiro ou mais limitado comparando com os outros?

M: Em comparação com os outros é mais limitado mas, ao mesmo tempo, cumpre com as suas obrigações. Eu acho que o dinheiro não é tudo e às vezes vamos para um clube receber bastante dinheiro, mas que depois começa a atrasar, a não pagar… nós, jogadores, passamos muitas vezes por isso, como me aconteceu na Ucrânia, no dito clube grande Dnipro: acabou com os jogadores a não receberem nada durante o ano todo e no melhor ano do clube. Mas aqui cumprem com o que falam, é um clube novo, acho que com onze anos, mas é um clube grande. Clube que cumpre com os seus compromissos, tem de ser chamado de clube grande.

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