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Pelo FC Porto já passaram grandes guarda-redes. Desde 1893 e depois definitivamente a partir de 1906, o clube teve guardiões de grande qualidade a proteger a sua baliza. Desde Miguel Siska, passando por Acúrcio, Fonseca, Zé Beto, Casillas, Marchesin… até Diogo Costa, houve vários que deixaram marca o clube pelo seu talento e capacidade.
Neste artigo, estão colocados o top 5 dos melhores guarda-redes do autor deste artigo. Os critérios utilizados para este incluem obviamente a qualidade do jogador, a influência e o carisma que tinham na equipa e também os títulos, em especial os internacionais. Jogadores a atuarem atualmente na formação portista foram excluídos desta seleção para aproveitar para relembrar os valores do passado e porque os atuais ainda estão a construir o seu percurso no clube.
5.
Josef Mlynarczyk – O internacional polaco com 32 anos na altura chegou a meio da época de 1985/1986 para compensar a lesão do titular Zé Beto e agarrou o lugar até ao final dessa época. No entanto, o habitual titular voltou a agarrar no início da época seguinte. Só que Mly, como era conhecido no balneário, não esmoreceu e acabou por voltar a agarrar a titularidade.
Nessa época o Porto viria a obter pela primeira vez o título internacional: a Taça dos Campeões Europeus em 86/87 com Mly a ser titular absoluto a partir da segunda mão dos quartos de final frente ao Brondby.
Muito seguro entre os postes, tendo como ponto fraco as saídas aos cruzamentos que acabou por aprimorar ao longo da carreira, foi titular absoluta em 1987/1988, época em que o Porto venceu a única Supertaça Europeia da sua história, a Taça de Portugal e foi ainda campeão nacional com uma das defesas menos batidas de sempre na prova: 15 golos sofridos em 38 jogos.
Na época seguinte acabou por terminar a carreira devido a uma grave lesão e iniciou a sua carreira como treinador de guarda-redes no clube, onde trabalhou com aquele que viria a ser o dono da baliza do FC Porto durante muitos anos.
4.
Frederico Barrigana – Outro dos grandes nomes que passaram pela baliza do FC Porto neste caso nos anos 40 e 50 do século XX. A sua história no FC Porto começa logo por ser interessante na origem da sua contratação.
A formação portista contava com o húngaro Bela Andrasik na baliza. Contudo, por ter sido avisado de ser preso pela PIDE por ter ligações anti-nazis, havendo até quem o classifique como espião, o guarda-redes desapareceu e o FC Porto precisou de arranjar uma solução. Na altura as boas relações entre Sporting CP e FC Porto permitiram trazer um jovem guarda-redes da equipa de reservas leonina que foi contratado por suprir a onda de lesões na baliza da formação principal, mas que acabou por não agarrar o lugar.
Pelo contrário, nos portistas, Barrigana saltou logo para a titularidade. O “Mãos de ferro” como era apelidado foi titular nas 12 épocas que esteve no clube. O guarda-redes destacava-se pela agilidade a sair dos postes e pelos rápidos reflexos entre os postes e acabou por chegar à Seleção Nacional substituindo Azevedo que era o titular na baliza da Sporting e que não lhe deu espaço. Ao todo, fez 12 jogos pela Seleção Nacional, participando no apuramento para o Mundial de 1950.
O espírito guerreiro e competitivo do jogador tornou-se um símbolo do clube. Sem ter ganho qualquer título pelo FC Porto numa altura em que o clube vivia na sombra dos clubes lisboetas, foi dispensado pelo treinador brasileiro Dorival Yustrich à entrada para a época 1955/1956, altura em que os portistas voltaram a ser campeões nacionais e obteve mesmo a dobradinha. O internacional português fez ao todo 259 jogos pelos dragões e acabou ainda por passar três anos no SC Salgueiros.
Barrigana foi considerado um dos 100 melhores do Futebol Português numa obra de 2002 com o mesmo nome do Jornal Record e assinada por Rui Dias.
3.
Américo – O guarda-redes foi contratado para jogar nos juniores do FC Porto em 1951 e no ano seguinte já se estreava na baliza da equipa principal, tornando-se aos 19 anos o mais jovem guarda-redes a estrear-se no Campeonato Nacional.
No entanto, na baliza portista ainda pontificava Barrigana e a inspeção militar obrigatória na altura adiaram a afirmação. O jovem teria assim de esperar ainda alguns anos até ser o dono da posição no onze. Contudo, mesmo dois anos longe do FC Porto não deitaram por terra a confiança que os dirigentes tinham no guarda-redes que permanecia nos quadros do FC Porto.
Depois da interrupção forçada, voltou para ser o terceiro guarda-redes portista e ainda precisou de um empréstimo no Boavista para se afirmar no seu clube. Em 1961/62 agarrou definitivamente o lugar na baliza com grandes exibições.
Muita segurança entre os postes, boa capacidade em sair aos cruzamentos e reflexos muito rápidos eram os cartões de visita de Américo que travou vários duelos com o benfiquista Eusébio.
Tal como o Pantera Negra, o guarda-redes também foi um dos Magriços no Mundial 66 que foi até ao momento a melhor participação portuguesa em Campeonatos Mundiais sem, contudo, se ter chegado a estrear. Ao todo, Américo teve 15 internacionalizações.
Já no FC Porto, fez 272 jogos, sendo o titular praticamente durante toda a década de 60. Apesar de só ter sido campeão nacional em 1958/59, o FC Porto foi em várias épocas a melhor defesa com o guarda-redes portista a receber o primeiro troféu “Baliza de Prata” que distinguia o guardião da equipa com a defesa menos batida do Campeonato.
A carreira duraria até aos 36 anos, altura em que ainda era dono e senhor da baliza azul e branca por uma lesão grave.
2.
Helton, 11 anos de Dragão ao peito.
1 Liga Europa
7 Campeonatos Nacionais
4 Taças de Portugal
6 Supertaças#FCPorto pic.twitter.com/lafpCndIzU— FC Porto (@FCPorto) June 28, 2016
Helton – Já no século XXI, o brasileiro de 28 anos com vários anos como titular no Vasco da Gama e em Portugal chegou da UD Leiria em 2005/2006 depois de uma época menos positiva do FC Porto na temporada anterior. Perante a titularidade do histórico Vítor Baía, a verdade é que Helton ultrapassou o forte concorrente e assegurou a titularidade à 19.ª jornada frente à Associação Naval 1.º de Maio. O guarda-redes foi assim importante na sua primeira dobradinha pelo FC Porto.
A sua capacidade de leitura dos lances que o permitia sair da baliza e antecipar-se aos avançados no encontro da bola, bem como a segurança com a bola nos pés e entre os postes levaram a que fosse titular durante oito épocas com muitos títulos nacionais, mas também uma Liga Europa em 2010/2011.
Helton ainda se estreou na Seleção Brasileira em 2006, fazendo quatro jogos e estando na convocatória para a Copa América 2007.
Com uma lesão grave em 2013/2014 num jogo em que foi aplaudido pelos adeptos do rival Sporting, Helton acabou por perder influência no Porto, mas ainda teve uma última grande exibição no regresso à titularidade em que defendeu tudo o que havia para defender, inclusivamente um penálti, num jogo frente ao SC Braga a contar para a Taça da Liga. Ao todo, Helton fez 334 jogos pelos dragões, tornando-se o segundo guarda-redes com mais encontros realizados pelo clube portista.
1.
Vitor Baía, 49.º aniversário ????????????
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Happy birthday!
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Vítor Baía – Se houve alguns a destacarem-se pelas suas qualidades técnicas, pelos títulos e pelo seu simbolismo, há um que sobressaiu. Produto da escola FC Porto, Vítor Baía estreou-se ainda com 18 anos em 88/89 como titular da baliza portista por Artur Jorge na quarta jornada frente ao Vitória SC, com os concorrentes Josef Mlynarczyk e Zé Beto indisponíveis.
Contudo, o jovem garantiu mesmo o lugar no onze a partir da 24.ª Jornada frente ao Académico de Viseu, tirando Zé Beto da equipa titular.
Com uma flexibilidade entre postes assinalável, reflexos muito rápidos, agilidade e bom posicionamento e simplicidade de processos foi o titular até ao final de 1995/1996. O guarda-redes participou assim no início da série do pentacampeonato.
Nessa altura, o mercado de transferências já se encontrava bastante desenvolvido e o jogador português começava a ter bastantes interessados fora de portas. Como não podia deixar de ser, Vítor Baía também era pretendido pelos tubarões internacionais e o FC Barcelona não hesitou em torná-lo o guarda-redes com o valor de transferência mais caro da história na altura, cerca de 6 milhões e meio de euros.
Depois de ser pouco utilizado na segunda época e com o Porto ainda sem ter conseguido arranjar um substituto definitivo, Baía regressou ao clube em janeiro de 1999. As características estão todas lá e a confiança permitiu que o guarda-redes continuasse como rei da baliza portista como se nunca tivesse saído.
Depois de três raros anos sem o mais importante título nacional, o Porto treinado por José Mourinho viria não só a conquistar novamente dentro de portas, mas também a nível internacional com a Taça UEFA em 2002/2003 e a Liga dos Campeões em 2003/2004.
Vítor Baía foi uma das peças fundamentais com muitas defesas e intervenções decisivas como nesta grande penalidade na segunda mão da meia-final frente à SS Lazio da Taça UEFA conquistada.
???? #Throwback para esta defesa do Vítor Baía ???? SS Lazio ????⚽
???? Estádio Olímpico de Roma#FCPorto #SSLFCP #UEL pic.twitter.com/ahbXKpLbkl— FC Porto (@FCPorto) February 22, 2022
Já depois de ter conquistado a Taça Intercontinental pelo Porto em 2004, Vítor Baía acabou por perder a titularidade só em meados de 2005/2006, terminando a carreira na época seguinte no clube onde iniciou o seu percurso. Ao todo, Vítor Baía fez 566 jogos pela formação portista, mantendo-se como o guarda-redes com mais jogos pelo FC Porto, e 28 títulos conquistados pelo clube, entre os quais 10 Ligas.
Paralelamente, Vítor Baía também teve uma carreira bastante relevante na Seleção Nacional com 80 internacionalizações e presença como titular nos Europeus 1996 e 2000 e ainda no Mundial 2002. No ano em que foi Campeão Europeu pelo Porto, acabou por ficar de fora do elenco para o Euro 2004 disputado em Portugal, mesmo tendo sido distinguido com o prémio de melhor guarda-redes para a UEFA. Baía é ainda o segundo guarda-redes com maior número de internacionalizações, só ultrapassado por um dos seus sucessores, Ruí Patrício.
As questões que ficam para o sucessor Diogo Costa: será que também vai bater o recorde de valor de transferência de guarda-redes e superar o número de internacionalizações de Vítor Baía e estabelecer-se mais tarde como o mais internacional de sempre? Um dado parece mais difícil de alcançar: o número de encontros realizados por Baía.









