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SC Braga 1-1 Boavista FC: Dia não de Dyego Sousa põe travão ao sonho do podium

José Baptista · 5 min

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Último jogo caseiro da temporada para um SC Braga de gala que tem aproveitado a época para bater recordes e continua a morder os calcanhares a Sporting e Benfica na luta pelo podium. Pela frente, um conjunto axadrezado com intenções de se manter na metade superior da tabela. Um confronto com o interesse adicional de ver o técnico boavisteiro, Jorge Simão, voltar a uma casa onde não conseguiu ser feliz na época passada.

O Boavista entrou mais ofensivo e monopolizou os primeiros dez minutos, mas Matheus resolveu com tranquilidade sempre que a bola se chegou à sua área. Do outro lado, foi o Braga quem criou a primeira situação de real perigo, quando aos 11 minutos Ricardo Esgaio rasgou a defesa boavisteira e ofereceu o golo a Dyego Sousa, que levantou em temasia a bola.

A resposta visitante chegaria aos 18 minutos por Yusupha, que atirou ao poste após boa jogada individual. Na jogada seguinte, nova incursão do gambiano pela direita, acabando no chão a reclamar pénalti, com o árbitro a mandar seguir apesar dos muitos protestos.

O jogo entrava num momento de total parada e resposta e foram os guardiões a brilhar. Primeiro Vagner a desviar remate cruzado de Esgaio, depois Matheus com uma bela mancha perante um Yusupha que aparecia novamente isolado. Seria ainda novamente o Boavista a causar perigo quando Rossi cabeceou para fora após bola parada, mas, a partir daí, a partida acalmaria e nem um disparate de Vukcevic ao oferecer a bola a um adversário a meio do campo deu problemas de maior.

Quando parecia que a ação do último quarto de hora da primeira parte se ia consignar a um remate de Goiano à figura de Vágner, Yusupha, mesmo em cima dos 45 minutos, surgiu sozinho na cara de Matheus e não perdoou, com o brasileiro a não poder fazer mais. O senhor do apito ainda consultou o VAR por possível fora de jogo, mas o golo foi mesmo validado e o Boavista foi para intervalo na frente.

Braga entrou pior e foi para o descanso a perder
Fonte: SC Braga

A segunda metade começou, como seria de esperar, com o Braga a reentrar mais pressionante e decidido, visando a baliza adversária. No entanto, faltava calma e discernimento para chegar ao golo e era até o Boavista que ameaçava mais quando se lançava no contra-ataque. 

Talvez por isso, Abel Ferreira decidiu mexer mais cedo que o habitual e lançar Fábio Martins para o lugar de Ricardo Horta e juntar-lhe pouco depois Xadas e Danilo nos lugares de Goiano e André Horta, tentando dar uma nova dinâmica à equipa. A verdade é que o jogo mudaria de figura também nessa altura com a expulsão de Yusupha numa jogada confusa.

Os da casa responderam bem a todas estas alterações de circunstâncias e, aos 72 minutos, Dyego Sousa só teve de encostar na pequena área a passe de Jefferson para colocar o desafio de novo igualado. Os ânimos continuaram cada vez mais exaltados e, pouco depois, foi um dos elementos da equipa técnica boavisteira a ser mandado mais cedo para o balneário.

O maior drama estaria reservado para o primeiro dos muitos minutos de compensação, com Paulinho a cair na área e, após longa espera e consulta do VAR, a ser concedida a grande penalidade aos da casa. De nada valeria, porque Dyego Sousa atiraria à barra para desespero dos quase 12 mil nas bancadas.

E, assim, com muita polémica, mas bom jogo jogado, o Braga volta a perder pontos na Pedreira para a Liga, estando o Boavista apenas na companhia de FC Porto e SL Benfica neste feito em 2017/2018. Com um resultado que praticamente dita o adeus ao podium, a menção final vai para Wilson Eduardo, um daqueles jogadores que a presença até pode passar mais despercebida, mas de quem se senta grande falta na ausência.

SC Braga: Matheus; Goiano (Xadas 67’), Raúl Silva, Bruno Viana, Jefferson; Esgaio, Vukcevic, André Horta (Danilo 67’), Ricardo Horta (Fábio Martins 62’); Dyego Sousa, Paulinho.

Boavista FC: Vagner; Talocha, Rossi, Robson, Carraça; Idris, Fábio Espinho (Kuca 77’), Renato Santos (Henrique 90+5’), David Simão, Yusupha; Rochinha (Mateus 82’).


FIGURA:

Fonte: Boavista FC

Yusupha – Foi dele o golo boavisteiro, mas isso é pouco para descrever a forma como criou dores de cabeça à defesa adversária. Surgiu muitas vezes na área adversária e foi um dos principais responsáveis da bela exibição axadrezada. Há muito que não se via um jogador adversário brilhar assim na Pedreira e nem a expulsão o apaga.

FORA DE JOGO:

Fonte: SC Braga

Dyego Sousa – A substituir o lesionado Wilson Eduardo e mesmo tendo marcado um golo, não aproveitou a oportunidade de se mostrar e a equipa ressentiu-se da mudança. Menos móvel que Wilson, tornou o ataque arsenalista mais previsível e menos capaz de criar oportunidades. Para além disso, falhou um golo feito logo no início da partida que teria mudado por completo o rumo desta e o pênalti que teria dado a vitória.

CONFERÊNCIA BnR

Fonte: Bola na Rede

Boavista FC

A Conferência de imprensa do treinador Jorge Simão foi precedida de uma declaração de Álvaro Braga, Presidente da SAD do Boavista, em que elogiou os jogadores, agradeceu aos adeptos e elencou várias situações em que a equipa de arbitragem errou, indicando a necessidade de melhorar o VAR.

BnR: Começando pelas palavras do seu Presidente, qual acha que foi a influência da equipa da arbitragem no jogo de hoje?

Jorge Simão: Eu subscrevo completamente aquilo que o meu presidente diz e não acrescento nem mais um ponto. Perfeito.

Outras respostas:

“O resultado ao intervalo peca por escasso.”

“O lance da expulsão muda completamente a tendência do jogo e tira-nos a possibilidade de nos bater-mos em igualdade.”

SC Braga

BnR: Já que se falou do Marselha, acha que a chegada dos franceses à final mostra que houve quem em Portugal subvalorizasse os franceses quando eliminaram o Braga?

Abel Ferreira: Alguém se lembra da minha flash interview aqui? Eu disse, deve estar gravado nalgum lado, que o Marselha era um forte candidato a ganhar e torcia e torço, se quiserem perguntar: quero que seja o Marselha a ganhar. Agora, a qualidade está lá, não vos estou a dizer nada que não seja visível aos olhos de toda a gente. A massa associativa, os jogadores, os recursos que têm, quer desportivos, quer económicos. Portanto, é uma equipa com tudo e sei que há bem pouco tempo fez um aporte de investimento naquilo que são os seus jogadores, contratando um diretor de desportivo que conhece muito bem os melhores jogadores e, portanto, como todo o mérito chegaram à final. Comprova aquilo que tínhamos dito na altura, é uma equipa com todos os recursos para lutar por títulos, em qualquer lado, contra qualquer equipa.

Outras respostas:

“É um orgulho ser treinador desta família, destes jogadores, rodeado de pessoas competentes.”

“Muito honestamente, criamos aqui oportunidades para ganhar este jogo, mas o futebol é assim.”

“Por aquilo que fizemos durante os 90 minutos, merecíamos ter tido sorte na última jogada.”

“Ele [Dyego Sousa] sabe que nós confiamos nele. Temos que valorizar tudo o que ele fez até agora.”

“Espero que a cidade de Braga se una cada vez mais, porque temos vindo a crescer em todos os níveis.”

Foto de Capa: Bola na Rede

José Baptista

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