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Académica OAF 1-2 SL Benfica B: Eficácia encarnada trama estudantes

Pedro Machado · 4 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Numa semana marcada por circunstâncias especiais para a Académica, com a confirmação do regresso de Zé Castro, homem da casa, e tendo em conta a pouca “frescura” (palavras de Hélder Cristóvão) do SL Benfica, seria de esperar uma Académica dominadora em busca de um resultado confortável. Não foi assim.

Desde cedo que o estudantes quiseram assumir a partida, esticando as suas linhas até ao meio-campo encarnado. A bola, de facto, roçou a baliza de Zlobin, guardião das àguias, mas, fora um lance em que Chiquinho rematou fraco e à figura em zona prometedora, não criaram perigo substancial e seria o Benfica a deixar no ar o primeiro aroma a golo, numa boa iniciativa de Gedson Fernandes que terminou num remate a rasar o poste da baliza de Ricardo Ribeiro.

Este susto pareceu despertar a eficácia do processo ofensivo da Briosa que, finalmente, deu mostras de perigo real – Harramiz, num belo lance sobre a direita do ataque, provocou um desentendimento entre Zlobin e Lystcov, e Tozé Marreco, aproveitando-o, visou a baliza, mas atirou ao poste. Foi assim, nesta toada de parada e meia-resposta, com a bola a rondar as duas balizas (mais a do SL Benfica B que a da Académica) sem que se aproximasse de forma perigosa, que a primeira parte foi sendo arrastada até o seu término.

Mancha Negra, bem composta, foi incansável no apoio à Académica
Mancha Negra, bem composta, foi incansável no apoio à Académica

A segunda parte voltou a trazer uma Académica com maior posse de bola, mas desta vez também com maior objectividade e dispôs de duas boas ocasiões para marcar nos primeiros quatro minutos da etapa complementar. Primeiro, Ki, atirou ao lado, depois foi Chiquinho, numa primeira instância e Femi Balogun na recarga, a estar perto do golo.

Porém, tal como na primeira parte, o Benfica respondeu na mesma moeda e precisou de menos bola para fazer… mais. À passagem dos 57 minutos, Alan Junior fugiu a João Simões, isolou-se e não teve problemas em servir Zé Gomes (substituiu João Félix ao intervalo) para o golo inaugural. A partir daqui, os encarnados baixaram a linha média, fecharam bem o seu meio-campo e foram neutralizando a tentativa de reação da Académica, sem que, com isto, deixasse de tentar explorar espaços livres deixados pelo risco que a Briosa teria de correr em busca do empate.

Essa estratégia resultou em pleno, já que seriam os encarnados a ampliar a vantagem, precisamente num lance de contra-ataque, em que Heri se impõs aos dois centrais da Académica, isolou-se e fez o 0-2. A Briosa passou a jogar mais com o coração do que com a cabeça e só conseguiu reduzir através de uma grande penalidade. Nélson Pedroso, chamado à conversão do castigo máximo, não falhou e reduziu a desvantagem a três minutos dos 90.

Acendeu-se a esperança no empate no Cidade de Coimbra, mas a Académica viria a revelar-se demasiado emocional para alcançar tal desígnio e os três pontos fugiram para Lisboa. Quem diria? A Briosa, mais experiente, foi traída pela “esperteza” da juventude do Benfica B, mais eficaz nas ocasiões de que dispões.

A FIGURA

Gedson (SL Benfica B) – tanto a jogar no meio, como mais descaído sobre a ala (após a saída de João Félix), o jovem jogador encarnado comportou-se como gente grande a nível tático, sendo peça fundamental na pressão ofensiva exercida sobre o início da construção ofensiva da Académica e membro importante na gestão do ritmo de de jogo encarnado. Esteve perto do golo na primeira parte, mas a bola saiu ao lado. Merecia-o.

O FORA-DE-JOGO

João Simões (Académica) – Num jogo em que quase toda a equipa esteve desinspirada, este “prémio” é entregue ao jovem lateral da Académica por ter ficado ligado ao golo inaugural do Benfica, pois foi pelo seu corredor que Alan Júnior irrompeu para abrir as hostilidades no marcador.

Conferência BnR

Hélder Cristóvão, treinador do SL Benfica B:

«A nossa ideia era ter o Heri a atrair os centrais e na segunda parte fazê-lo partir de zonas mais recuadas»

«Depois de Youth League, Covilhã, precisávamos de mais tempo, mais descanso para preparar este jogo, mas conseguimos fazê-lo e saímos com uma vitória muito saborosa frente a uma equipa bem estruturada» «Conseguimos ter mais posse, a Académica não criou muito perigo e depois do golo fomos uma equipa muito segura. Intraquilizámos a Académica»

Ivo Vieira, treinador da Académica OAF:

«Houve algum demérito nosso no último terço do campo. Na primeira parte o Benfica não teve oportunidades flagrantes, e nós tivemos três ou quatro bons envolvimentos. Na segunda parte entramos melhor, mas o Benfica, contra a corrente do jogo, marcou»  «O Ki trabalha imenso para a equipa, dá tudo o que tem, mas com a limitação que tinha . Não podia pôr outro ponta-de-lança no lugar do mesmo porque estávamos numa boa fase. Por isso tentámos equilibrar o meio-campo» «Não fomos feliz no jogo. Foi um pouco ingrato, mas tenho responsabilidade nesta derrota. Os jogadores deram tudo o que tinham»

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos