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Portimonense SC 0-0 Académica OAF: Costinha dá nó cego

Pedro Machado · 3 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

“Recuperação” era a palavra de ordem. De um lado, o líder Portimonense à procura do rumo das vitórias depois de um empate e uma derrota; do outro, directamente do último lugar no pódio, uma Académica apostada em encurtar o espaço pontual (12 pontos à entrada da jornada) para a zona de acesso à Primeira Liga.

Condicionada por expulsões e saídas de última hora, a Académica apresentou quatro mudanças no onze (sim, Costinha foi a jogo com onze tal como prometera na conferência de imprensa após o jogo com o Penafiel ).

Yuri e Traquina entraram directamente para o lugar dos castigados Diogo Coelho e Marinho; Rui Miguel colmatou a saída de Tozé Marreco para Famalicão; e Nuno Piloto, face à expulsão de Nuno Santos ocupou o lugar do meio-campo de Makonda, que foi “arrastado” para o lado esquerdo da defesa.

Alterações, essas, que não afectaram as dinâmicas defensivas da equipa, nem a forma de condicionar o Portimonense (com apenas uma alteração, dado o regresso de Zambujo), limitando a largura com a qual os algarvios tanto gostam de jogar, destacando-se, neste aspecto, o trabalho defensivo dos extremos Traquina e Ernest.

Perante este contexto, o jogo tornou-se alérgico a situações de perigo na primeira parte, necessitando de um anti-histamínico chamado “iniciativa individual”, que chegou pelos pés de Everton. O brasileiro ziguezagueou pela zona central da Briosa e serviu Wilson Manafá, que rematou ao lado.

A segunda parte fazia adivinhar um jogo mais vivo. A Académica decidiu correr mais riscos, e tirou dividendos – logo aos 49 minutos, Traquina teve o golo nos pés, beneficiando de um ressalto após livre cobrado por Leandro, mas precipitou-se e atirou contra o corpo do guarda-redes do Portimonense, Luís Ferreira.

Esta ocasião de golo teve o condão de abrir o jogo e a bola passou a circular mais perto das áreas (sobretudo a do Portimonense)  beneficiando dos rasgos de jogadores como Wilson Manafá, Everton, Traquina ou Ernest. Porém, Costinha decidiu pôr um travão a isto. Preferiu não perder a ganhar. E colocou Ki no lugar do ganês. O jogo estagnou. A entrada do coreano, mais central, sossegou o jogo e oportunidades de perigo nem vê-las até ao final do encontro.

A procurada “recuperação” não foi conseguida por nenhuma das equipas, porque um dos treinadores decidiu (e conseguiu) colocar o jogo no congelador. O Aves pode, agora, ganhar pontos a ambas as equipas – em caso de vitória aproxima-se do Portimonense (pior sequência da época) e afasta-se da Académica.

Foto de capa: Portimonense SC

FIGURA

Fonte: Portimonense SC
Fonte: Portimonense SC

Everton (Portimonense) foi o jogador que mais conseguiu agitar um jogo que esteve morno na sua maior parte.
Na primeira metade, foi dele a iniciativa que gerou o primeiro lance de perigo da partida e, na segunda, pertenceram-lhe os rasgos individuais que deram a esperança de um jogo mais aberto, mas a Académica fechou-se.

FORA-DE-JOGO

Fonte: Académica OAF
Fonte: Académica OAF

Tinha a vitória ao seu alcance, e desperdiçou-a. Os três pontos que podia ter conquistado em Portimão seriam uma alavanca fantástica para a última fase do campeonato, mas não quis correr riscos. E preferiu o “pontinho”, como ficou patente na entrada de Ki para o lugar de Ernest .
Costinha, treinador da Académica, Pode ter estudado bem a forma como podia condicionar o jogo do Portimonense, fez o trabalho de casa, mas no que à interpretação do seu desenrolar diz respeito revelou-se bastante conservador. A Briosa, pelo seu estatuto, pela sua história, merecia outra decisão rumo a uma vitória que seria importante para a devolver à elite do futebol nacional.

Pedro Machado

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