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Os 5 melhores jogos leoninos que sinalizaram a minha infância

Romão Rodrigues · 3 min

infância
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Se todo o ser que se galanteia por aí pavoneasse uma maneira de ser tão estúpida como a que eu possuo, o mundo estava virado do avesso. Hora do confesso? Provavelmente. Perguntaram-me alguma coisa? Não, creio não ter ouvido nada. Por que razão faço isto? Gostava de obter a mesma resposta, embora me saiba bem. Hotel? A Trivago não é a melhor solução.

De um modo sucinto: antes de vencer, apraz-me sentir um odor a sofrimento fugaz, a quase perda disto ou daquilo. Ou seja, isto traduzido para a linguagem futebolística, dá qualquer coisa como ver a minha equipa sofrer um golo, dois ou os possíveis, afim de reverter a situação e de impingir às manchetes dos jornais a formulação da remontada, no sentido poliglota do termo (reviravolta, remontada, comeback, reviens, ritorno, Komm zurük e adiante).

Pode parecer insano abordar tal assunto, sabendo de antemão que em nada contribuiu no que toca à materialização e ao ato de erguer um “caneco” importante. Mas, durante a minha infância e juventude, existiram remates (frouxos ou não) capazes de me conduzir ao êxtase célere e ao perfurar do universo dos ses – o Miguel Garcia não consta na lista porque a experiência resultante é traumática ad eternum.

5.

FC Twente 1 –1 Sporting CP (2009/2010): o nulo caseiro, na primeira mão da pré-eliminatória, conduzir a decisão para o jogo derradeiro, visto que não cambaleamos nem cedemos a pressões externas – previa o designado “acontecer Sporting”. À exceção de sorte, faltou de tudo: inspiração, demonstração de tarimba europeia (pouca, mas largamente superior à do adversário), lição tática e uns “apertões” ao intervalo. Paulo Bento respirava tranquilidade e nunca quis fazer mossa, nem revolucionar pensamentos. Até que aparece o tento do empate e consequente apuramento (o golo fora é ingrato). Wisgerhof ajudou Patrício, recém-subido à área, e pontapeou para o fundo das redes. Vencer a eliminatória com dois empates e um (auto)golo marcado é obra!

4.

Vitória SC 0–1 Sporting CP (2013/2014): o meu pai chegou a casa, duas horas antes da partida, com os bilhetes reluzentes. Tal como ir jogar ao D. Afonso Henriques (mãos na cabeça) e ter no banco de suplentes Iván Piris e Vítor Silva é um ato de temeridade pura, fazer-se acompanhar de um miúdo para Guimarães, no cume da sua parvalheira, também o é. Aviva-me a memória o ambiente tórrido oriundo das bancadas e o desvanecimento progressivo da febre “Montero”. Naquele inferno, só Slimani podia orar. Leonardo Jardim e Bruno de Carvalho a comandar a insurreição. Ali, tudo estava bem.

3.

 

Vitória SC 1–2 Sporting CP (2008/2009): possivelmente, um dos melhores jogos que vi no Berço. Duas equipas perfeitamente aguerridas, sem medo e a utilizar as armas que tinham ao seu dispor. O golo anulado a Daniel Carriço espevitou e extravasou as minhas emoções, ainda que situado na bancada do inimigo. Olhares esfomeados e cegos de raiva. O meu pai (quase) fingia não me conhecer e, sem ninguém notar, beliscava-me as pernas em forma de alerta. O remate de Roberto provocou uma irritação de tal ordem que conduziu à minha primeira verborreia. Derlei e Liedson acalmaram a fúria do meu pai pelo sucedido, em dez longos minutos. Num cenário de derrota, perspetivava-se um castigo. E dos grandes!

2.

UM JOGO QUE FOI DE LOUCO E FICA AQUI O RESUMO DO MESMO!

Sporting CP 3–2 SC Braga (2015/2016): 1) Só um grupo coeso e com qualidade acima da média seria hábil na manobra de inverter uma derrota pesarosa naquela altura. 2) Wilson Eduardo apresenta o estigma que todos conhecemos e marca sempre. 3) Rafa jogou soberbamente e deu água pela barba ao setor mais recuado da listada verde e branca. 4) Se Montero ficasse… 5) lágrimas, lágrimas, lágrimas. 6) Se a partida conhecesse mais uma dúzia de golos, condizia com a realidade jogada. 7) Slimani, mesmo num aparente “dia não”, selou a vitória. 8) Paulo Oliveira e Naldo constituíam a dupla de centrais, Coates e Rúben Semedo eram ainda uma miragem. 9) Arbitragem desastrosa, perdoada uma expulsão ao leão e um penalty à equipa da Bracara Augusta. 10) Éramos felizes e não sabíamos!

1.

SC Braga 2–2 (3-1 g.p.) Sporting CP (2014/2015): Parafraseando João Benedito, “isto é o Sporting CP!”. Nada mais adequado.

Artigo revisto por Joana Mendes

Romão Rodrigues

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